Tarantino rebate críticas de atriz de 'Pulp Fiction' sobre expressões racistas em seus filmes

Diretor respondeu após a atriz, que atuou em Pulp Fiction, afirmar que o uso recorrente da palavra racial em seus roteiros "não é arte", mas algo "racista e perturbador"

10 mar 2026 - 15h54

O diretor Quentin Tarantino (Era Uma Vez em... Hollywood) respondeu publicamente às críticas feitas pela atriz Rosanna Arquette, de Pulp Fiction (1994), sobre o uso recorrente da "N-word" — insulto racial da língua inglesa, considerado extremamente ofensivo quando proferido por pessoas brancas — em seus filmes. A declaração do cineasta veio após Arquette afirmar que a escolha não é "arte", mas algo "racista e perturbador".

Tarantino rebate críticas de atriz de 'Pulp Fiction' sobre expressões racistas em seus filmes (Kevin Winter/Getty Images)
Tarantino rebate críticas de atriz de 'Pulp Fiction' sobre expressões racistas em seus filmes (Kevin Winter/Getty Images)
Foto: Rolling Stone Brasil

A atriz, que interpretou Jody em Pulp Fiction, descreveu o filme como "icônico e ótimo em muitos níveis", mas criticou o fato de Tarantino recorrer frequentemente ao termo racial em seus diálogos. "Pessoalmente, estou cansada do uso da N-word — eu odeio isso", disse a atriz. Ela ainda afirmou que o diretor teria recebido uma espécie de "passe livre" para empregar a palavra em seus filmes.

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A resposta de Tarantino foi direta. Em comunicado divulgado por seus representantes, o cineasta criticou a postura da atriz e insinuou que as declarações teriam sido feitas em busca de atenção da imprensa.

"Cara Rosanna, espero que a publicidade que você está recebendo — com mais de uma centena de veículos publicando seu nome e sua foto — tenha valido a pena desrespeitar a mim e a um filme do qual me lembro claramente que você estava entusiasmada em participar", escreveu.

O diretor também mencionou o fato de ter escalado Arquette para o filme e afirmou que atacar a obra anos depois demonstra "falta de classe". "Há uma espécie de espírito de corpo entre colegas artistas", acrescentou. "Mas parece que o objetivo foi alcançado."

Polêmica antiga

Esta não é a primeira vez que o diretor é criticado pelo uso indiscriminado do termo em sua filmografia. Em 2022, ele foi questionado sobre o que diria às pessoas que consideram a palavra "violenta", mas pareceu não se importar.

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"Você deveria ver [outra coisa]", disse ao programa Who's Talking To Chris Wallace. "Depois veja outra coisa. Se você tem algum problema com meus filmes, então eles não são os filmes que você deveria assistir. Aparentemente, eu não os faço para você."

Lee Daniels (diretor de Preciosa - Uma História de Esperança) comentou sobre o ocorrido  à CNN. "Quentin, essa não é a resposta certa", afirmou. "Há 10 ou 15 anos, eu teria considerado isso artístico, mas 'n***a' é a nossa palavra. Essa é a minha palavra. Você não tem o direito de dizer isso e não tem o direito de se sentir assim. Desculpe."

Spike Lee (Malcolm X) já havia criticado Tarantino na época do lançamento do filme Jackie Brown (1997). "Tenho um problema sério com o uso excessivo da 'N-Word' por Quentin Tarantino. E que fique registrado que eu nunca disse que ele não pode usar essa palavra — eu a usei em muitos dos meus filmes — mas acho que há algo errado com ele."

No entanto, o ator Samuel L. Jackson (Pulp Fiction, Django Livre, Os Oito Odiados), colaborador frequente de Tarantino, o defendeu. "É uma grande besteira. Você não pode simplesmente dizer a um escritor que ele não pode falar, escrever as palavras, colocar as palavras na boca das pessoas de acordo com suas etnias, da maneira como elas usam as palavras", disse (via Esquire). "Você não pode fazer isso, porque aí se torna uma mentira; não é honesto. Simplesmente não é honesto."

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Fonte: EW

Rolling Stone Brasil
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