Família de Gabriel Domingues, diretor de elenco indicado ao Oscar por "O Agente Secreto", celebra sua trajetória com orgulho, produzindo 100 camisas e reunindo-se no Rio de Janeiro para assistir à premiação.
Quando todas as atenções da indústria e dos fãs do cinema mundial estarão voltados para o Teatro Dolby, em Los Angeles, nos Estados Unidos, uma família do Rio de Janeiro estará vivendo um momento mágico, no bairro de Jacarepaguá, na Zona Sudoeste da cidade, no próximo domingo, 15.
Receba as principais notícias direto no WhatsApp! Inscreva-se no canal do Terra
Familiares de Gabriel Domingues, diretor de elenco de 'O Agente Secreto', esperam com ansiedade pelo anúncio da estatueta de 'Melhor Direção de elenco', categoria que estreia este ano na principal premiação do cinema do mundo. Mas independentemente do resultado, o orgulho dos parentes por ver Gabriel representando o Brasil em uma cerimônia deste porte está estampado em muitos sorrisos e em uma centena de camisas produzidas em homenagem a ele.
Aos 36 anos, Domingues é formado em Comunicação Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Teve sua trajetória mudada quando recebeu um convite do cineasta Kleber Mendonça Filho para trabalhar de assistente de seleção de elenco de Aquarius (2016). A parceria prosperou e atingiu o ápice quando o carioca assumiu a responsabilidade de escalar o elenco do longa brasileiro ao Oscar 2026.
'O Gabriel que a família conhece'
Gabriel foi o responsável por selecionar cada ator e atriz de O Agente Secreto. O trabalho envolveu gerenciar uma convocatória com mais de 2 mil inscrições, além de uma busca intensa para chegar aos nomes ideais. Por mais que o trabalho possibilite ao diretor circular por todas as regiões do Brasil, quando ele está em família, no Rio de Janeiro, é que a versão mais genuína se deixa aflorar.
"Uma coisa que ele faz muito é sentar à mesa antes do almoço com a família toda e ficar conversando sobre o passado. Nossa família é bem grande e tem muita história. Personagens da vida real, que acho que talvez até inspire os personagens que ele cria nos trabalhos dele. Acho que ele tem muito dessa brasilidade a partir dessas historias, do passado da nossa família na Pavuna", observou Pedro Curvello, de 35 anos, primo de Gabriel, em bate-papo com o Terra.
"Ele é brincalhão e carinhoso com todos, gosta de conversar com primos, tios e sempre foi muito afetuoso com os avós. Tem uma gargalhada inconfundível e nesses momentos põe pra fora a criança que nunca deixou de existir dentro dele", destacou Marinaldo Domingues, de 59 anos, padrinho do diretor.
Pelo olhar de quem viveu há muitos anos com Gabriel, o lado sensível e a aptidão para a arte vêm de muito tempo, sendo uma característica marcante de sua personalidade, como revelou Pedro ao relembrar uma história com o primo. "Lembro que ele escreveu um livro de poesias na escola, com uns 10 anos. O trabalho dele foi um dos melhores e lembro que a família foi na "tarde autógrafos". Eu acho que assisti a todos os filmes que ele trabalhou, sempre fico até o final pra ver o nome dele nos créditos."
Anele Camila é amiga do diretor desde a infância. Ambos estudaram juntos. Entre as diversas memórias criadas ao lado do amigo, uma foi essencial para estabelecer o companheirismo que eles carregam até hoje. "A mais antiga e fundadora da nossa amizade é a de nós dois de braços dados no recreio do colégio cantando I Will Survive (Glória Gaynor). Estar com o Gabriel sempre foi o auge da diversão", pontuou. Contudo, embora o cineasta seja apontado como uma pessoa com muito carisma, a amiga faz questão de ressaltar a coragem dele.
"É um amigo muito instigante e atento. Ele te escuta e te responde com uma honestidade rara, o que pra mim sempre causa um desvio ou transformação no meu jeito de olhar para certa situação ou pessoa. O Gabriel é extremamente autêntico, corajoso e cativante", declarou Anele, que também trabalha no ramo do cinema.
Perceber que muitas pessoas estão passando a conhecer Gabriel não só pelo aspecto profissional, mas também por toda a exposição midiática que uma premiação dessa magnitude envolve, é especial, principalmente para Jaqueline Domingues Ferreira, de 64 anos, e mãe do pupilo. Para ela, o combustível para que o diretor alcance voos cada vez maiores, está dentro de casa.
"É orgulho, orgulho de ver onde chegou por seus próprios méritos, orgulho da trajetória vitoriosa que resultou nesta indicação. E amor né, amor incondicional de mãe", vibrou.
Ao todo, a família produziu mais de 100 camisas com o rosto de Gabriel e a arte do filme. Uniformizada, a parentada está pronta para comemorar o que vier. E seja com ou sem estatueta, quando o diretor estiver em família, já dá para ter uma ideia do cardápio que será preparado para agradá-lo. "Acho que o prato marcante pra ele é a carne assada com macarronada que a nossa avó fazia. Ele merece o premio e tenho fé de que vai trazer a estatueta para Jacarepaguá", profetizou Pedro.