Nos filmes de Christopher Nolan, o tempo está sempre presente. Às vezes, de forma literal, como o relógio que o diretor enviou a Hans Zimmer e que serviu de base para a trilha sonora de Dunkirk. Em outras, ele se manifesta visualmente.
Em "Amnésia", Nolan brinca com o tempo em um ciclo infinito provocado pela perda de memória do protagonista. Já em "O Grande Truque", o tempo se transforma em um artifício que engana tanto os personagens quanto o público.
O tempo é apenas a superfície da história
Para Nolan, o tempo não é apenas um recurso narrativo: é também um personagem e uma metáfora. Depois de pensar bastante sobre isso, cheguei à conclusão de que aquilo de que seus protagonistas realmente fogem são as próprias emoções.
Você pode discordar, mas, depois de assistir à filmografia do diretor e como admiradora de seu trabalho, não consigo deixar de enxergar esse padrão. Por mais heroicos que sejam, seus personagens passam a vida correndo para evitar lidar com os próprios sentimentos. Visualmente, Nolan traduz essa ansiedade em uma obsessão por representar o tempo, tanto por meio das imagens quanto do som.
"Voltar" nunca é apenas voltar
Se você prestar atenção — e já aviso que, depois de notar isso pela primeira vez, será impossível deixar de perceber nas próximas sessões — verá que seus protagonistas seguem um padrão muito claro: todos estão fugindo das próprias emoções. E "A Odisseia", que estreia em 17 de julho, pode muito bem ser mais um exemplo dessa ideia.
Nolan optou por fazer ...
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