O senador Flávio Bolsonaro afirmou que a produtora do filme "Dark Horse" deve responder sobre o novo repasse de US$ 1,6 milhão feito pelo banqueiro Daniel Vorcaro à obra sobre Jair Bolsonaro, revelado pelo Coaf. A transferência, que eleva os aportes para US$ 12,3 milhões, contradiz declarações prévias do senador. Flávio desviou o foco pedindo a renúncia do ministro Alexandre de Moraes por supostas ligações com o banqueiro e confirmou visita a Filipe Martins, preso por atos golpistas.
BRASÍLIA - O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta terça-feira, 1.°, que as informações divulgadas pela revista piauí sobre um novo repasse feito pelo banqueiro Daniel Vorcaro para o filme "Dark Horse" devem ser tratadas pela produtora, não por ele.
A revista revelou que um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou mais um pagamento de Vorcaro, no valor de US$ 1,6 milhão de dólares, ao fundo Havengate Development, que administra o dinheiro usado na produção de um longa-metragem sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.
"Essas informações não tenho como saber, porque não trato disso. Tem que perguntar para a produtora. Eu sabia que ele (Vorcaro) é investidor, mas não tinha como falar. A resposta tem que perguntar para a produtora", disse Flávio a jornalistas ao chegar ao Senado, onde presidirá sessão da Comissão de Segurança Pública.
O pagamento adicional teria sido feito em setembro de 2025, oito dias depois de Flávio cobrar Vorcaro pelas parcelas atrasadas por mensagem de texto. A nova transferência contradiz uma declaração do senador, segundo a qual o último pagamento de Vorcaro ao filme teria sido feita em maio de 2025.
O valor extra eleva de US$ 10,6 milhões para US$ 12,3 milhões o total do valor efetivamente pago por Vorcaro ao projeto da família Bolsonaro, com evidências de um possível pagamento adicional em outubro de 2025. Inicialmente, Flávio havia pedido US$ 21 milhões (cerca de R$ 134 milhões) para o banqueiro.
Ao comentar as questões envolvendo o filme, Flávio mudou o assunto para o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. O candidato afirmou que o magistrado deveria renunciar ao cargo em razão de sua relação profissional anterior com Vorcaro.
"O Alexandre de Moraes tinha que renunciar ao Supremo Tribunal Federal. Não tem melhor condição dele continuar sendo ministro do Supremo", afirmou.
O Estadão revelou nesta terça-feira que, numa longa troca de mensagens entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes, o banqueiro pediu reiteradamente ao ministro para que interviesse junto ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, para travar as investigações sobre negócios fraudulentos da instituição financeira.
Senador diz que vai visitar Filipe Martins
Flávio afirmou que vai aproveitar uma agenda no Paraná no fim de semana para visitar Filipe Martins, ex-assessor especial da Presidência da República para questões internacionais no governo Bolsonaro. Ele cumpre prisão por envolvimento na trama golpista, julgada no STF no ano passado.
"Está marcado no sábado, às 13h ou 13h30. Vou estar lá no Paraná, em Ponta Grossa, onde ele está. (Vou) fazer uma visita de cortesia para ele, saber como estão as condições dele lá, saber se está tudo bem. Mais uma vítima dessa perseguição que foi iniciada aqui com o 8 de Janeiro", afirmou Flávio.
Flávio critica decisão de Toffoli contra Renan Santos
Questionado sobre a decisão do ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Dias Toffoli de suspender a campanha eleitoral de Renan Santos (Missão) por irregularidade no cadastro das redes sociais do candidato, Flávio criticou ambos os lados.
"A gente está sentindo na pele uma censura há muito mais tempo e ninguém fala nada. Inclusive ele, o Renan Santos, foi muito a favor da perseguição que o Moraes fez com o presidente Bolsonaro. Mas sou contra a censura. Acho que ali houve um exagero por parte da decisão e espero que ele restabeleça a campanha rapidamente", disse.