Como 'Pecadores': 5 filmes da parceria entre Michael B. Jordan e Ryan Coogler

Parceria criativa que começou com um filme independente premiado em Sundance culmina, mais de uma década mais tarde, em recorde de indicações ao Oscar; confira a trajetória

14 mar 2026 - 12h11

Dizem que todo diretor tem sua musa. Por mais clichê que seja a afirmação, há algumas parcerias entre cineastas e atores ou atrizes que parecem confirmá-la: Martin Scorsese e Robert De Niro, Pedro Almodóvar e Penélope Cruz, Alfred Hitchcock e Grace Kelly. E, mais recentemente, Ryan Coogler e Michael B. Jordan.

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A parceria que já existe há mais de uma década culminou no ano passado em Pecadores, que quebrou um recorde histórico e conquistou 16 indicações ao Oscar 2026. Em diversas entrevistas concedidas ao longo da temporada, ator e diretor reforçaram que o longo histórico de trabalhos em conjunto dobrou a confiança que sentiam um no outro.

O resultado está em tela, neste que é o melhor filme de uma carreira múltipla e exitosa do realizador californiano, mas não o único merecedor de atenção. Por isso, reunimos uma lista com todas as parcerias entre Ryan Coogler e Michael B. Jordan no mundo do cinema.

Além dos cinco filmes dirigidos por Coogler, os dois também mantiveram a parceria em duas sequências e um terceiro projeto em que o realizador participou apenas como produtor ou roteirista.

Confira os filmes a seguir e onde assistir a cada um deles.

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Fruitvale Station: A Última Parada (2013)

Desenvolvido quase inteiramente no Programa de Longas-Metragens do Sundance Institute, Fruitvale Station conta a história real de Oscar Grant, um jovem de 22 anos brutalmente morto pela polícia em 2009 na estação de trem Fruitvale, em Oakland, cidade natal do diretor.

O filme, primeiro longa de Coogler, saiu do Festival de Sundance de 2013 com o Grande Prêmio do Júri e o prêmio de Escolha do Público em drama norte-americano. Depois, foi para a seleção Un Certain Regard de Cannes, de onde saiu com o troféu de melhor primeiro filme.

Na trama, Michael B. Jordan interpreta o personagem principal, em seu primeiro grande papel para os cinemas após mais de uma década de trabalhos para a TV. O filme foi sucesso de crítica e também conquistou o público de imediato, por trazer uma abordagem emotiva ao denunciar a truculência policial contra a população negra.

Na época de seu lançamento, foi fortemente cotado ao Oscar 2014, com críticos apostando em indicações em atuação para B. Jordan e Octavia Spencer, e direção e roteiro para Coogler. No entanto, o filme foi esnobado e ficou completamente de fora do prêmio da Academia.

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  • Onde assistir: Prime Video

Creed: Nascido para Lutar (2015)

Levando para o centro do ringue o filho de Apollo Creed, Adonis, o filme abriu uma nova saga cinematográfica derivada de Rocky, com o personagem de Sylvester Stallone treinando o novato, vivido por Michael B. Jordan, sem saber se está realmente pronto para ser um lutador.

O filme é um sucesso de crítica que também conquistou o público, e sedimentou o caminho da parceria em territórios ocupados por blockbusters. Tanto que rendeu, até o momento, duas sequências. Creed II e Creed III não foram dirigidos por Ryan Coogler, mas ele também está presente em outras funções: assina como produtor do segundo e como produtor e roteirista do terceiro.

  • Onde assistir: disponíveis para aluguel

Pantera Negra (2018)

A inevitável e inesquecível marca deixada por Pantera Negra no Universo Cinematográfico Marvel provou a versatilidade da parceria. Ao lado do saudoso Chadwick Boseman, que vestiu o uniforme do herói de Wakanda, Michael B. Jordan interpretou o vilão Erik Killmonger, em um filme cultuado por preservar a ancestralidade e as raízes africanas da história. O filme teve sete indicações ao Oscar e três vitórias: melhor trilha sonora, figurino e direção de arte. A figurinista Ruth E. Carter tornou-se a primeira mulher negra a vencer a categoria.

  • Onde assistir: Disney+

Pantera Negra: Wakanda Para Sempre (2022)

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Sem Chadwick Boseman, que morreu em 2020, Coogler reescreveu o roteiro para contar uma história diferente, que honrasse a memória de T'Challa e de seu intérprete. Embora em menor escala, Michael B. Jordan aparece no filme em uma cena, em um sonho de Shuri.

"Com Chad, parecia que finalmente tínhamos um grupinho, sabe? Foi de sermos nós dois para nós três", compartilhou Jordan em entrevista ao New York Times. "E então voltou a sermos nós dois. Mas a influência dele ficou conosco, mesmo em Pecadores."

  • Onde assistir: Disney+

Pecadores (2025)

Entre o faroeste e sobrenatural, o filme mais autoral de Coogler é ambientado em 1932, no Mississippi, e segue irmãos gêmeos, Faísca e Fuligem (B. Jordan), que tentam recomeçar a vida ao abrir um bar na região. O plano, no entanto, é frustrado por forças sobrenaturais ligadas ao histórico racista do local.

Em diversas entrevistas, Coogler afirmou que muito do filme é inspirado em seu tio James e no processo de viver o luto ao perdê-lo, na ancestralidade e na importância da música, especialmente o blues, para que o parente se conectasse às próprias raízes.

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"Ele me enviava mensagens de voz com incentivos quando eu estava com saudades de casa e queria voltar," disse Coogler sobre o tio, em abril do ano passado, ao IndieWire. "Quando eu estava na pós-produção de Creed, que foi em Los Angeles, eu estava na Wildfire Studios e recebi a ligação de que ele havia morrido. E me senti muito culpado, porque recebi a ligação enquanto tentava finalizar a edição desse filme de boxe, e me senti mal por não estar em casa."

Por isso, ele acredita que o filme ambientado em um estado marcado pela segregação racial devolve um senso de pertencimento à população negra que emigrou da região sulista.

"Muitas vezes, e com razão, essa parte do tempo e da localidade física nos Estados Unidos é um local associado a muita dor, muita vergonha, desconforto. Mas ignorá-lo completamente é não olhar para o que mais estava lá. A resiliência, o brilhantismo, a fortaleza, e também a arte, as maravilhas artísticas e culturais."

O esforço emocional de transformar a dor em expressão artística foi reconhecido pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Pecadores quebrou um recorde histórico e se tornou o filme mais indicado da história do Oscar, superando as 14 indicações cada de A Malvada (1950), Titanic (1997) e La La Land (2016).

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O filme concorre nas principais categorias da premiação. Michael B. Jordan é considerado favorito ao prêmio de Melhor Ator, e o longa disputa em Melhor Filme, Direção de Elenco, Trilha e Canção Original, Fotografia e outros. Já Ryan Coogler recebeu indicações em Melhor Direção e Melhor Roteiro Original.

Ryan Coogler também alcançou um feito pessoal relevante: tornou-se o segundo homem negro a receber, no mesmo ano, indicações por Direção, Melhor Filme (como produtor) e Roteiro Original. Antes dele, apenas Jordan Peele havia atingido a marca, com Corra!, em 2017. Spike Lee chegou a ter três indicações em um único ano, em 2018, mas em categorias diferentes, incluindo Roteiro Adaptado.

  • Onde assistir: HBO Max

Bônus: Space Jam - Um Novo Legado (2021)

Coogler serviu como produtor e corroteirista da sequência de Space Jam - O Jogo do Século. Ele foi convidado para ajudar a formatar melhor e dar um direcionamento ao projeto dirigido por Malcolm D. Lee, após inúmeras divergências criativas. Michael B. Jordan faz uma participação breve, interpretando a si mesmo, em uma piada em que ele é confundido com Michael Jordan.

  • Onde assistir: HBO Max

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