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Filme de Tinto Brass teria sido censurado no Brasil nos anos 90

Diretor italiano que morreu nesta quarta-feira, aos 93 anos, ficou conhecido pelo filme 'Calígula', apelidado no Brasil como 'império da orgia'

4 nov 2026 - 14h34
Resumo
Após a morte do cineasta Tinto Brass aos 93 anos, relembra-se o histórico de censura de seu filme Calígula (1979). Marcada por conflitos entre Brass e o produtor Bob Guccione, que inseriu sexo explícito e violência na trama sobre o tirânico imperador romano vivido por Malcolm McDowell, a obra sofreu vetos globais e na TV brasileira nos anos 90. Estrelado também por Helen Mirren e Peter O'Toole, o clássico controverso ganhou uma versão restaurada em 2023 para resgatar a visão original do diretor.

Conhecido internacionalmente por uma filmografia provocadora e marcada pela exploração da sexualidade, Tinto Brass, que faleceu nesta quarta-feira aos 93 anos, não passou ileso das visões conservadoras do Brasil dos anos 90. Um de seus filmes mais conhecidos, Calígula (1979), foi amplamente criticado e censurado quando exibido na TV aberta brasileira.

Filme de Tinto Brass teria sido censurado no Brasil nos anos 90 (Reprodução)
Filme de Tinto Brass teria sido censurado no Brasil nos anos 90 (Reprodução)
Foto: Rolling Stone Brasil

O filme integrava uma programação sugestiva da rede Organizações Martinez, entitulada de Tensão Total. Com três horas de duração, o longa teria sido dividido em duas partes e, após um processo judicial, teve sua segunda parte excluída das transmissões, em razão de cenas explícitas de sexo 'sem necessidade'. Antes disso, a produção já havia sido censurada no Reino Unido, Estados Unidos, Itália e também pela censura da ditadura militar no Brasil.

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Produzido por Bob Guccione, criador da revista masculina Penthouse, o longa teve uma produção conturbada, marcada por divergências criativas entre o produtor e o Tinto Brass. Inicialmente, Guccione teria interferido diretamente no projeto, afastando a obra da proposta original do cineasta e acrescentando cenas de sexo explícito e violência. O resultado foi uma produção controversa, marcada por uma mistura desarticulada de sexo explícito e drama histórico, resultando em um produto que mais gerava desconforto do que reflexão.

Cerca de 40 anos depois da produção original, Calígula: O Corte Final (2023) surgiu como uma tentativa de reabilitação da obra. Produzido por Thomas Negovan, o longa soube redirecionar a produção para como seria a ideia original de Brass, ainda com uma dose de erotismo que, embora presente, é mais discreta e integrada à trama.

Qual a história de Calígula?

Inspirado na trajetória do imperador romano de mesmo nome, Calígula acompanha a ascensão e a queda de um dos governantes mais controversos da história de Roma. Após a morte de seu antecessor, Tibério, Calígula assume o poder e, inicialmente, é recebido como uma esperança de renovação pelo povo romano. No entanto, sua busca por poder absoluto e seus comportamentos cada vez mais extravagantes transformam seu governo em um período marcado pela tirania, pela violência e pela depravação.

Ao longo da trama, o imperador passa a submeter seus aliados e familiares a jogos de manipulação, traições e abusos, enquanto utiliza o poder político para satisfazer seus desejos pessoais. Com cenas explícitas, violência e relações de poder, a produção apresenta uma interpretação controversa da vida do governante e dos excessos atribuídos ao Império Romano.

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O elenco do longa reúne nomes conhecidos do cinema, como Malcolm McDowell (Laranja Mecânica), que interpreta o imperador romano, Teresa Ann Savoy (Salon Kitty), no papel de Drusila, e Helen Mirren (A Rainha), como Cesônia. Também estão no filme Peter O'Toole (Lawrence da Arábia), como Tibério, John Gielgud (Arthur) como Nerva, e John Steiner (O Paciente Inglês), como Longino.

Rolling Stone Brasil
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