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Como Creed Bratton de 'The Office' foi parar em 'Primetime' com Robert Pattinson?

O público conhece Bratton como o atrapalhado responsável pelo controle de qualidade da Dunder Mifflin, mas o diretor Lance Oppenheim enxergou algo muito mais sombrio por trás do personagem e decidiu explorar esse lado

2 out 2026 - 13h52
Resumo
Conhecido por The Office, Creed Bratton surpreende em Primetime, suspense da A24 onde divide cena com Robert Pattinson. Escalado pelo diretor Lance Oppenheim por seu lado intenso e ameaçador, o ator foi elogiado por seu talento para improvisar. Em entrevista, Bratton celebrou a oportunidade de fugir do estigma cômico, elogiou o colega de elenco e comentou sobre sua rotina saudável aos 80 anos, sua futura autobiografia e o impacto duradouro e acolhedor que The Office ainda mantém sobre o público.

Poucos minutos após o início de Primetime, novo filme estrelado por Robert Pattinson, o apresentador de To Catch a Predator, Chris Hansen — interpretado com uma precisão inquietante pelo ator — se vê sentado ao lado de um homem mais velho em um avião, claramente depois de alguns drinques.

Creed Bratton, de The Office, contracena com Robert Pattinson em novo filme 'Primetime' (Shayan Asgharnia)
Creed Bratton, de The Office, contracena com Robert Pattinson em novo filme 'Primetime' (Shayan Asgharnia)
Foto: Rolling Stone Brasil

"É tão legal conhecer uma celebridade de verdade", diz o homem. "O que você está fazendo importa, tipo, importa pra caralho… Se eu fosse você, simplesmente mataria esses caras, daria uma surra neles com as próprias mãos. Você nunca tem vontade de fazê-los sangrar?"

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Alguns espectadores talvez não reconheçam o ator imediatamente, mas os fãs de The Office vão perceber na hora: trata-se de Creed Bratton, o excêntrico personagem responsável pelo controle de qualidade da Dunder Mifflin, que cheira a feijão-mungo, não sabe diferenciar uma maçã de uma batata e, coincidentemente, também se chama Creed Bratton.

A carreira de Bratton foi marcada por uma sequência de altos e baixos tão improváveis quanto seus personagens. Ele começou como guitarrista fundador do grupo folk-rock dos anos 1960 The Grass Roots e atravessou os anos 1980 e 1990 em papéis pequenos em filmes como Mask e The Wild Pair, enquanto complementava a renda com trabalhos de catering e outros bicos.

Tudo mudou em 2005, quando conseguiu um papel sem falas como figurante na versão norte-americana de The Office. Graças à sua presença e ao timing cômico impecável, Bratton passou a integrar o elenco fixo a partir da segunda temporada.

O único problema é que, para parte da indústria, ele ainda é visto apenas como uma figura cômica. Felizmente, Lance Oppenheim, diretor de Primetime, não pensa assim.

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"Um dos meus momentos favoritos no filme e também um dos meus momentos favoritos durante as filmagens foi trabalhar com Creed Bratton", contou Oppenheim recentemente à GQ. "Sempre achei que havia algo ameaçador no Creed em The Office. Fiquei surpreso que ninguém nunca tivesse escalado ele como alguém intenso, realmente intenso."

Pattinson também ficou impressionado. "Creed é um improvisador extraordinário", disse o ator à GQ. "Ele simplesmente inventava coisas com uma facilidade absurda."

Conversamos com Creed Bratton para saber como ele conseguiu o papel no filme, como foi trabalhar com Oppenheim e Pattinson, seus próximos shows e o que pensa sobre o legado de The Office.

Como você ficou sabendo de Primetime?

Meu empresário me enviou um teste e disse que eles estavam interessados em que eu fizesse uma leitura. Eu sabia que era um filme da A24, então isso já me deixou animado. E era uma cena com Robert Pattinson, o que me deixou ainda mais animado. Então levei o teste muito a sério. Interpretei o personagem bastante bêbado, na verdade, porque ele tinha sido escrito como um passageiro bêbado de avião.

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Como você entrou na cabeça do personagem?

O cara obviamente não gosta de pedófilos. E, como tenho filhos e agora netas, penso da mesma maneira. Então, quando chegou a parte de dizer: "Você nunca sente vontade de simplesmente dar uma surra neles com as próprias mãos?", eu abracei aquilo. Meu lado sombrio apareceu. Não foi difícil. Foi só pensar no que eu realmente gostaria de fazer se alguém estivesse machucando minha família.

Como foi o processo de audição?

Eu li a cena com uma pessoa que eles chamavam de "concierge das atrizes". Ela fazia as falas do Rob, e eu ficava diante de uma câmera, mais ou menos como estou agora, só que em uma casa onde havia câmeras e luzes montadas, tudo muito bem produzido. Eu simplesmente dizia minhas falas para a câmera como se ele estivesse ali na minha frente. E eu estava sem roteiro, ou seja, tinha decorado tudo.

Quanto tempo depois você descobriu que tinha conseguido o papel?

Dois dias.

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Como você se sentiu?

Fiquei eufórico, absolutamente eufórico. Pensei: "Meu Deus, talvez esse seja o filme...". Mas já disse isso sobre Terry, já disse sobre The Sisters Brothers. Disse isso sobre várias coisas que achei que seriam "o grande momento". E talvez este seja. Quem sabe? Ainda não sabemos o que vão achar dessa atuação. Mas ela está bem boa.

Quanto você conhecia Robert Pattinson antes das filmagens?

Provavelmente assisti a um dos filmes de Crepúsculo com minha filha. Achei que ele era carismático. Ah, e vi O Farol, com Willem Dafoe. Ele foi incrível naquele filme. Eu sabia exatamente o quanto ele era bom.

É difícil para alguns atores encontrar uma carreira adulta depois de serem galãs adolescentes. Ele conseguiu fazer isso muito bem.

Bom, ele tem talento. E é pé no chão. Não é cheio de si quando você o conhece. É genuinamente um cara legal.

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Como foi conhecer Lance Oppenheim?

Lance foi muito presente. Dois dias depois de eu conseguir o papel, ele me ligou. Isso quase nunca aconteceu depois que consegui um trabalho. Conversamos bastante sobre o personagem, sobre como ele me enxergava. Ele queria saber o que eu gostaria de fazer.

Ele me disse: "Esse cara é fundamental. Ele é o coro grego". Fiquei muito feliz, porque isso significava que havia uma chance maior de eu não ser cortado. É ele quem vai dar a exposição e explicar o que o público americano em geral sente em relação a esses caras. E Lance disse: "Isso é algo importante que precisa ser dito".

Onde vocês filmaram?

Eles me levaram para Nova Orleans por alguns dias. Trabalhamos por cerca de meio dia. Quando entrei no estúdio, havia um avião em tamanho real cortado ao meio, com câmeras e trilhos passando ao lado dos assentos, para que a câmera pudesse se aproximar e mostrar eu olhando para ele. Eu o acordo e erro o nome dele, apesar de ser um fã gigantesco.

Como foi conhecer Robert Pattinson naquele dia?

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Conversamos um pouco. Ele disse que gostava do meu trabalho em The Office, o que obviamente foi uma ótima maneira de quebrar o gelo. Eu disse que achava que ele tinha sido ótimo em O Farol. A voz dele e tudo sobre ele é tão diferente do personagem que interpreta. Eu só ouvi a voz do personagem quando as câmeras começaram a rodar. Quando ele começou a falar daquele jeito, meu corpo reagiu: "De onde veio isso?". Porque, um minuto antes, ele não estava falando daquele jeito.

Ele é um jovem inglês muito agradável. Aí começa a falar com aquela voz estranha, com uma cadência toda truncada.

Quantas vezes vocês gravaram a cena?

Nossa, gravamos um monte de coisa. Fizemos tudo o que Lance queria. E Rob também é produtor do filme. Então ele saiu comigo e foi até Lance para assistir ao material que tinham gravado. Depois me chamaram para ver um pouco. Eu pensei: "Ah, certo. Uau, isso está muito bom". Achei que a maneira como filmaram ficou ótima. Lance disse: "Acho que estamos muito felizes. Conseguimos o que queríamos. Por que não brincamos um pouco?". E aí fiz Rob rir.

Como?

Virei para ele e disse: "Sabe o que você deveria fazer? Você deveria simplesmente transar com eles e ver se eles gostam". E os olhos do Rob ficaram assim [bem arregalados e chocados]. Eu disse: "Eu posso te ajudar". [Risos.]

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Lance disse que trabalhar com você foi uma das partes favoritas dele na produção.

Lance me disse isso depois que terminamos as filmagens e eu voltei para Los Angeles. Achei que ele estava apenas sendo gentil. Vamos combinar, as pessoas dizem coisas legais. Mas, aparentemente, quando ouvi isso vindo do Rob, aí me senti fantástico.

Robert disse que você é um improvisador extraordinário e que o deixou impressionado.

Bom, meu amigo, talvez finalmente as estrelas estejam se alinhando para este velho aqui. Nunca se sabe.

Adorei as escolhas de elenco do Lance. Phoebe Bridgers nunca tinha atuado de verdade antes.

Sim. E ela foi muito boa. Ele (Lance) disse que a conhecia pessoalmente e que era por causa da voz grave dela. Ele falou: "Acho que ela pode fazer a mulher e o garoto". É incrível que ele tenha pensado nisso.

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Como foi assistir ao corte final pela primeira vez?

Fiquei impressionado. Só conseguia apreciar o trabalho do Rob. Meu Deus, que talento.

Lance disse que uma das razões para ter escolhido você foi porque o personagem Creed, de The Office, é mais ameaçador do que as pessoas percebem.

Bom, muito perspicaz, Lance. Muito perspicaz. Ele está certo, é claro. A prova está no resultado, como dizem.

Você aparece coberto de sangue em um episódio.

Bom, os fãs de The Office já sabiam que eu tinha matado algumas pessoas. Então não acho que seja uma grande surpresa me ver fazendo isso. Não acho mesmo.

Acho que são grandes as chances de Pattinson receber uma indicação ao Oscar de Melhor Ator por este filme.

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Ah, absolutamente. Absolutamente. Sem dúvida. Eu realmente acho que deveriam. Haveria algo errado se não acontecesse. Seria como eu me sentia quando Steve Carell não ganhava o Emmy. Pelo amor de Deus, gente.

Você acha que, depois que o filme for lançado e as pessoas virem você em um papel diferente, seu telefone vai começar a tocar com mais frequência?

É aquela coisa supersticiosa. Você não quer falar sobre isso. É como dizer "quebre a perna" e, então, não acontece. Só podemos torcer. Mas acho que o melhor é fazer um bom trabalho, fazer um bom trabalho e, na próxima vez que eu fizer alguma coisa, dar o meu melhor. Sempre faça o melhor trabalho possível, tente elevar o nível com seu profissionalismo e, quem sabe, seja recompensado. Para mim, já é uma grande recompensa estar neste filme. É enorme.

O que mais você tem feito?

Estou escrevendo minha biografia com John Tyler Allen, que fez aquela matéria sobre mim na Esquire. Já temos um agente e estamos começando a conversar com editoras.

Isso vai ser incrível.

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É bem louco. Tive uma vida maluca, não há dúvida.

Fiquei muito feliz em ver Greg Daniels receber uma estrela na Calçada da Fama. A maioria das pessoas não percebe o quanto ele fez para transformar The Office no que foi, além de King of the Hill e de tudo mais que ele fez.

Sim. Nós nos encontramos cerca de duas vezes por ano para almoçar e conversar, porque agora ele é meu amigo. Eu disse a ele: "Parabéns pela estrela na Calçada da Fama. Não quero estragar sua comemoração, mas conheço outro produtor que acabou de ganhar a segunda estrela". [Risos.]

Steve Carell fez um discurso muito emocionante.

Ele é o melhor. Fui convidado, mas estava na Flórida com meu filho e minha neta. Teria adorado estar lá.

Você está assistindo a The Paper?

Vi uns três ou quatro episódios. Depois tenho trabalhado, feito shows e coisas assim, então ainda não estou em dia.

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Será que Creed aparece para fazer uma visita em algum momento?

Creed adoraria. Perguntei a ele outro dia. Ele disse: "Cold beans, manda ver". Não sei. Acho que havia uma coisa de que eles só teriam o Oscar. Mas, se me chamassem para fazer uma pequena participação, é claro que eu adoraria.

Vamos exibir um vídeo seu tocando "Mose Was a Runner", de um show recente no Baked Potato, em Los Angeles. O que você pode contar sobre essa música?

Na sétima temporada de The Office, Mike Schur e Greg foram embora para fazer Parks and Recreation. Então achei que seria engraçado escrever uma música chamada "Mose Was a Runner", um showrunner, e tentar montar tudo para cantar na festa de encerramento. Não conseguia descobrir como a música deveria ser até que estava correndo pela Mulholland Drive e vi uma mulher em um Cadillac Escalade branco atropelar um cara porque estava se maquiando no espelho e gritando com os filhos.

Pensei: "Ah, não, coitado. Não, isso é ótimo para a minha música". Na mesma hora, soube exatamente sobre o que a música seria.

Você fará alguns shows na Costa Oeste em breve. Como serão essas apresentações?

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Serão diferentes de tudo que já fiz, porque querem fazer uma sessão de perguntas e respostas durante o show. Eu disse: "Olha, se é isso que preciso fazer para sair em turnê, então acho que vou fazer". No meio do show, vou tirar o violão e responder às perguntas do público. Pode ser divertido.

Qual é o segredo para se manter tão em forma e saudável aos 80 e poucos anos?

É muito trabalho e muitas células-tronco. Não estou brincando. Células-tronco, peptídeos, testosterona, comprimidos, montanhas de suplementos só para manter tudo equilibrado. E tenho certeza de que, quando parar com tudo isso, vou parecer um Shar-Pei derretido [cachorro]. Vou ser o Dorian Gray, todo enrugado.

Como é sua dieta?

Muitas saladas, carnes, muita carne magra, peru, frango, bifes, ovos. Pouco amido, pouco pão, poucos doces. Não como glúten. Também estou reduzindo a cafeína. Minha pressão arterial estava ficando alta por um tempo, então precisei diminuir. Ainda bebo um pouco, mas muito pouco. Então, neste momento, me sinto tão saudável quanto me senti em muitos e muitos anos.

Qual é seu momento favorito de Creed em The Office?

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Essa é difícil. Acho que precisa ser aquele que teve mais impacto e que mais me emocionou: cantar "All the Faces" [no episódio final]. Eu ri muito sendo o gerente interino [no final da sétima temporada]. Foi muito divertido. Também as muitas, muitas cenas com Steve, e as várias cenas com [John] Krasinski me fizeram rir bastante.

Mas aquela [no episódio final], tocando meu violão e cantando aquela música, e vendo o elenco se emocionar também... Foi emocionante, e ainda é.

Sempre fico impressionado com a maneira como os jovens respondem a The Office. Meu sobrinho tem 14 anos e é a série favorita dele. Os amigos dele também adoram.

Ouvimos isso de todo o elenco, e acho que é absolutamente verdade. Há muita coisa sarcástica por aí. Há muita violência usada só para chamar atenção. Existe uma coisa doce e comunitária em The Office que nunca fica velha.

Mesmo quando Michael Scott é cruel com as pessoas, existe sempre algo muito generoso e carinhoso por trás. Quando eu costumava ir às convenções de fãs — coisa que não faço há alguns anos — as pessoas sempre chegavam e contavam que alguém estava doente, que alguém tinha acabado de morrer, que tinham perdido o cachorro, e que The Office tinha ajudado a superar aquele momento quando nenhuma outra série conseguia acalmá-las ou fazê-las sentir que a vida ficaria bem. Era The Office. É difícil superar isso.

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