A Cinemateca Brasileira sediará a masterclass gratuita "Além da última sessão", com a pesquisadora Talitha Ferraz, no dia 30 de setembro, com transmissão pelo YouTube. O evento debate o declínio histórico dos cinemas de rua frente ao avanço dos multiplex em shoppings e as estratégias para preservar esses espaços urbanos e culturais. Apesar do recorde nacional de 3.544 salas em operação, o encontro destaca a urgência de resgatar a memória e a convivência em cidades como Rio, São Paulo e Recife.
Cinemateca Brasileira recebe, em 30 de setembro, às 16h30, a masterclass gratuita "Além da última sessão: os cinemas de rua, suas desaparições e sobrevivências". Ministrado pela pesquisadora Talitha Ferraz, o encontro acontece na Sala Grande Otelo, em São Paulo, e discute o desaparecimento de salas históricas, as iniciativas para manter esses espaços em funcionamento e suas possíveis funções nas cidades atuais. A atividade terá transmissão ao vivo pelo YouTube e acessibilidade em Libras.
A discussão parte das transformações enfrentadas pelos cinemas de rua nas últimas décadas. Com a expansão dos multiplex em shopping centers e as mudanças no consumo audiovisual, muitas salas tradicionais fecharam ou passaram a ter outros usos. Outras sobreviveram graças a projetos de recuperação, mobilização cultural e novos modelos de programação.
Professora do Programa de Pós-Graduação em Cinema e Audiovisual da Universidade Federal Fluminense (PPGCine-UFF), Ferraz desenvolve pesquisas sobre a relação entre cinema, memória e espaço urbano há cerca de duas décadas. A masterclass apresentará casos do Rio de Janeiro, de São Paulo e do Recife.
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O debate acontece em um momento de crescimento do mercado exibidor. Segundo o Anuário Estatístico do Audiovisual Brasileiro 2025, da ANCINE, o país encerrou o ano passado com 3.544 salas em funcionamento, o maior número de sua série histórica. O dado, porém, representa o conjunto do parque exibidor e não indica, por si só, uma recuperação dos cinemas de rua.
A própria trajetória acadêmica de Talitha ajuda a dimensionar essa diferença. Em estudo publicado em 2025, a pesquisadora examinou as ruínas de antigos cinemas da Zona Norte carioca, incluindo o Rosário, em Ramos, e o Santa Helena, em Olaria. O trabalho relaciona o abandono desses edifícios à perda de espaços de convivência e de referências culturais dos bairros.
No Recife, a discussão também permanece atual. Em março de 2026, o coletivo CineRuaPE lançou um livro dedicado à memória visual e afetiva de 20 cinemas pernambucanos, em uma ação ligada à defesa e à recuperação dessas salas.
A masterclass propõe olhar para esses espaços como parte da história das cidades e discutir quais caminhos podem garantir sua permanência. Afinal, o fechamento de um cinema pode significar também o desaparecimento de um ponto de encontro para gerações de espectadores.
A atividade acontece em 30 de setembro, às 16h30, na Sala Grande Otelo da Cinemateca Brasileira, localizada no Largo Senador Raul Cardoso, 207, Vila Mariana, São Paulo. A entrada é gratuita, com transmissão pelo canal oficial da instituição no YouTube.
Imagem: Divulgação/Talitha Ferraz
Publicado originalmente na Woo! Magazine.