Em 15 de agosto de 1979, chegava aos cinemas Apocalypse Now, de Francis Ford Coppola, filme que se tornaria uma das obras mais importantes — e conturbadas — sobre a Guerra do Vietnã. Inspirado livremente em O Coração das Trevas, de Joseph Conrad, o longa acompanha o capitão Benjamin Willard (Martin Sheen, Terra de Ninguém) em uma missão para encontrar o coronel Walter E. Kurtz (Marlon Brando, O Poderoso Chefão), oficial que abandonou o comando do Exército americano e passou a agir de forma independente em território cambojano.
A produção ficou famosa não apenas pelo resultado final, mas também pelos inúmeros problemas enfrentados durante as filmagens. Para celebrar os 47 anos do longa, confira seis curiosidades sobre a realização de Apocalypse Now a seguir:
1. O título quase foi outro
Antes de chegar a Apocalypse Now, o projeto teve outro nome considerado durante seu desenvolvimento: The Psychedelic Soldier (O Soldado Psicodélico). O título Apocalypse Now foi inspirado em uma frase vista pelo roteirista John Milius em um adesivo de carro que dizia "Nirvana Now". A expressão acabou sendo transformada no nome que conhecemos hoje.
2. A abertura surgiu por acaso
Uma das imagens mais famosas do filme — a floresta aparentemente tranquila sendo tomada por uma explosão de napalm enquanto toca "The End", do The Doors — não nasceu exatamente como uma abertura tradicional.
A sequência foi construída a partir de diferentes imagens captadas durante a produção. O material acabou sendo montado de maneira quase experimental, criando uma introdução que já estabelece o tom alucinatório e perturbador da história.
O uso de "The End" também se tornou indissociável do filme. A música transforma os primeiros minutos em uma espécie de prenúncio da jornada de Willard e da destruição que ele encontrará pelo caminho.
3. Willard quase teve outro intérprete
Antes de Martin Sheen assumir o papel principal, outros atores foram considerados para interpretar o capitão Willard. Entre os nomes associados ao projeto estava Harvey Keitel, que chegou a iniciar as filmagens. Além dele, Steve McQueen, Al Pacino, James Caan e Jack Nicholson foram cotados.
Keitel acabou sendo substituído por Sheen depois que Coppola decidiu que precisava de um ator que transmitisse melhor a dimensão mais introspectiva e atormentada do personagem. A mudança obrigou a produção a refazer parte do material já filmado.
4. Coppola investiu tudo no filme
A produção de Apocalypse Now cresceu muito além do que havia sido planejado inicialmente. As filmagens, que deveriam durar poucos meses, se estenderam por anos e consumiram recursos em uma escala gigantesca. Coppola enfrentou problemas financeiros, atrasos e uma produção constantemente ameaçada de sair do controle. O diretor chegou a colocar recursos próprios em risco para conseguir concluir o projeto.
A pressão foi tão grande que o cineasta precisou lidar com a possibilidade real de o filme se transformar em um enorme fracasso financeiro. O resultado, porém, acabou justificando a aposta: Apocalypse Now tornou-se um clássico e um dos filmes mais celebrados de sua carreira.
5. Um tufão arrasou a produção
Os problemas de Apocalypse Now não ficaram restritos ao orçamento. Durante as filmagens nas Filipinas, um tufão atingiu a região e destruiu parte dos enormes cenários construídos para o longa. A produção precisou ser interrompida, e Coppola foi obrigado a lidar com novos atrasos e custos. A previsão de 14 semanas de filmagens acabou superando mais de três anos, entre gravações e pós-produção.
O caos dos bastidores acabou alimentando a própria lenda do filme. Anos depois, o documentário Hearts of Darkness: A Filmmaker's Apocalypse, lançado em 1991, mostrou justamente a dimensão dos problemas enfrentados por Coppola e sua equipe.
6. Como nasceu o visual de Kurtz
A aparência do coronel Kurtz também foi cuidadosamente construída para reforçar a sensação de que o personagem havia se afastado completamente do mundo convencional. Marlon Brando chegou ao set com uma aparência diferente daquela inicialmente imaginada para o personagem. O ator estava mais pesado do que o previsto, o que levou Coppola e a equipe a repensarem a maneira de filmá-lo.
Em vez de tentar esconder completamente sua aparência, o diretor transformou parte da questão em recurso visual. Kurtz aparece frequentemente envolto em sombras, com seu rosto parcialmente oculto. A iluminação e o enquadramento fazem com que ele pareça mais uma presença misteriosa do que um personagem convencional.
A escolha combina perfeitamente com a trajetória do coronel: quando Willard finalmente chega até ele, Kurtz já parece menos um homem e mais uma figura quase mítica, construída pelas histórias que circulam sobre sua existência.