'É preciso ser raposa para reconhecer as armadilhas e leão para espantar os lobos': a lição de Maquiavel sobre os riscos de ser boazinha demais no trabalho

Por meio da política, o filósofo italiano explica como a armadilha da bondade ingênua faz com que outras pessoas se aproveitem de quem é bom

28 ago 2026 - 17h55
Resumo
Com base na obra "O Príncipe", de Nicolau Maquiavel, o artigo reflete sobre os riscos de ser ingênuo no competitivo ambiente profissional. Para se proteger e liderar com eficácia, o profissional precisa unir a astúcia da raposa — essencial para reconhecer armadilhas e enganos sutis — à força do leão, indispensável para afastar ameaças diretas. Essa abordagem defende o equilíbrio entre perspicácia e firmeza para enfrentar desafios no trabalho, sem que isso signifique agir com crueldade.
‘É preciso ser raposa para reconhecer as armadilhas e leão para espantar os lobos’: a lição de Maquiavel sobre os riscos de ser boazinha demais no trabalho.
‘É preciso ser raposa para reconhecer as armadilhas e leão para espantar os lobos’: a lição de Maquiavel sobre os riscos de ser boazinha demais no trabalho.
Foto: Divulgação, Fox Filmes / Purepeople

Será que a bondade é uma virtude castigada no ambiente profissional? O filósofo italiano Nicolau Maquiavel tem sua própria opinião a respeito, que poderia ser perfeitamente resumida nesta frase:

"É preciso ser raposa para reconhecer as armadilhas e leão para espantar os lobos"

Embora Maquiavel tenha escrito essa frase pensando em príncipes e repúblicas, podemos aplicá-la sem problemas a um ambiente tão competitivo quanto o profissional. 

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Ela aparece em sua obra "O Príncipe", mais precisamente no capítulo XVIII, no qual o filósofo florentino explica como um governante deveria cumprir suas promessas.

Nesse capítulo, ele explica que existem duas maneiras de combater: uma por meio das leis, própria dos homens, e outra pela força, própria dos animais. O problema, para os líderes, é que às vezes as leis não são suficientes. Por isso, é necessário saber recorrer à natureza animal — e é nesse momento que entram as figuras da raposa e do leão.

O leão de Maquiavel representa a força necessária para "assustar" os inimigos diretos, mas é incapaz de se proteger de enganos sutis. A raposa, por sua vez, representa a astúcia e a perspicácia necessárias para identificar e evitar as armadilhas e os enganos mais discretos.

Segundo Maquiavel, um líder não pode se apoiar apenas na força do leão nem somente na astúcia da raposa: ele precisa das duas qualidades ao mesmo tempo.

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Isso não significa que devamos ser cruéis. De forma alguma. 

Embora Maquiavel também tenha afirmado que "é melhor ser temido do que...

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