Por Luciana Ribeiro - Atual campeã do Carnaval de São Paulo, a Rosas de Ouro promete transformar o Sambódromo do Anhembi em um grande palco celeste na madrugada do próximo sábado (14).
Com um enredo inspirado na astrologia, a escola da Brasilândia levará para a avenida referências ao gênio renascentista Leonardo Da Vinci (1452-1519) e ao astrônomo italiano Galileu Galilei (1564-1642).
Quinta agremiação a desfilar na primeira noite do Grupo Especial, a Rosas aposta em um espetáculo que une ciência, arte e simbologia dos astros para contar a relação ancestral da humanidade com o céu.
A proposta é conduzir o público por uma viagem que atravessa constelações, signos e descobertas que mudaram a forma como o ser humano enxerga o universo. "Nosso enredo é dividido em grandes momentos da história da astrologia: a explosão do universo, o surgimento do uso da astrologia em Atlântida e, depois, as civilizações como Egito, Grécia, Maia e Índia. O grande destaque é a cidade perdida de Atlântida, considerada o berço da civilização que introduziu a astrologia", explicou o carnavalesco Fábio Ricardo à ANSA, ressaltando que a ideia foi proposta pelo diretor de Carnaval Evandro do Rosas.
Segundo Ricardo, a escola contará na avenida uma história cronológica: "do surgimento da astrologia, passando pelos estudos, até chegar ao momento que vivemos hoje e ao futuro com a Era de Aquário".
Ao longo do desfile, a Rosas de Ouro também exaltará mentes brilhantes que ampliaram as fronteiras do conhecimento e ajudaram a construir as bases da astrologia, unindo saberes que atravessaram culturas e épocas.
A homenagem vai de Ptolomeu, que catalogou os céus com precisão, a Galileu, que desafiou dogmas com sua luneta, passando por Nostradamus, os Reis Magos e Da Vinci, o qual via na simetria do corpo humano os mesmos padrões que regiam o cosmos.
Todos eles serão representados "como personagens no nosso terceiro carro, o 'Observatório de Saberes Astrológicos'", revelou Ricardo, destacando que a contribuição italiana para o estudo desse campo aparecerá no desfile "por meio de seus pesquisadores, astrólogos e astrônomos".
De acordo com o carnavalesco, a Itália - que ainda na Roma Antiga teve contato direto com a astrologia da Grécia e do Oriente - também será representada em "forma de alas, abordando como essas civilizações usavam a astrologia em seu dia a dia, principalmente o uso do Zodíaco como conhecemos hoje, por signos".
Com alegorias grandiosas e fantasias que prometem luxo e efeitos visuais, a escola busca unir o lúdico ao científico e ao místico para defender o título conquistado no último Carnaval, após 15 anos de jejum. "A tradição da Rosas de Ouro sempre foi encantar a avenida com sua beleza e elegância. Nossa meta é manter essa tradição", concluiu.
Em 2026, pelo segundo ano consecutivo, o desfile da agremiação será embalado pelo samba do compositor de origem italiana Aquiles da Vila e seus parceiros.
"Esse tema é muito doce, contemplativo. Pensamos em uma melodia equilibrada e cuidamos da letra. Quando fizemos o trecho: 'De alma azul com ascendente em rosa', eu tinha certeza que venceríamos [a disputa de samba-enredo]", afirmou ele à ANSA.
Neste ano, entretanto, a Rosas de Ouro terá outro desafio: a escola já entrará na avenida com uma desvantagem de 0,5 ponto, após ter sido punida pela Liga-SP por ter tido "dificuldades técnicas que impossibilitaram" a entrega da pasta de jurados dentro do prazo estabelecido pelo regulamento do Carnaval 2026.