O botânico e escritor italiano Stefano Mancuso irá apresentar seu livro "Fitópolis: A Cidade Viva", publicado no Brasil pela editora Ubu, na terça-feira (9) no Rio de Janeiro e, na quarta (10), em São Paulo.
O encontro na capital fluminense é patrocinado pelo Instituto Italiano de Cultura (IIC/RJ) e irá ocorrer na abertura do Centro de Ciências e Culturas Sesc RJ. Já em São Paulo, o debate acontecerá no IIC/SP. As atividades são gratuitas e requerem pré-inscrição nos portais das instituições.
Os eventos deverão se centrar em uma das reflexões mais prementes de sua obra: pensar as cidades através das plantas, de sua capacidade de se comunicar, adaptar e sobreviver sem um centro de comando único.
"Fitópolis" propõe uma profunda transformação da perspectiva urbana. Para Mancuso, as cidades não podem mais ser projetadas como corpos rígidos, separados do ambiente que as sustenta: elas devem funcionar como organismos vivos, capazes de absorver calor, distribuir energia, criar sombra e restabelecer relações com o solo e a água.
O mundo vegetal entra, assim, no debate urbano como um modelo concreto, não como um ornamento verde.
No Rio de Janeiro, essa reflexão encontra duas paisagens diferentes e complementares. De um lado, uma capital marcada pelo design moderno, pelas montanhas e pela pressão do crescimento urbano. De outro, uma cidade onde floresta, mar, rocha e densidade coexistem em constante tensão. O autor não suaviza a crise urbana com imagens reconfortantes, mas a aborda como um problema de inteligência.
Mancuso é professor titular da Universidade de Florença e um dos maiores especialistas mundiais em neurobiologia vegetal.
Seus estudos contribuíram para difundir a ideia de que as plantas são organismos inteligentes, capazes de perceber, comunicar-se e resolver problemas.
Em 2005, fundou o Laboratório Internacional de Neurobiologia Vegetal (Linv), um centro de pesquisa dedicado ao estudo do comportamento das plantas e à sua capacidade de interagir com o ambiente.