Tim Cook deixa Apple maior e mais rica, mas em busca de recuperar atraso na corrida da IA

1 set 2026 - 10h41
Resumo
Tim Cook deixará o cargo de CEO da Apple para presidir o conselho em setembro, passando a liderança para John Ternus. Sob a gestão de Cook, a empresa saltou de US$ 350 bilhões para US$ 4,5 trilhões em valor de mercado, focando em serviços e operações. Seu sucessor terá o desafio imediato de recuperar o atraso da gigante na corrida da inteligência artificial e de diversificar a cadeia de suprimentos fora da China em meio às crescentes tensões comerciais com os Estados Unidos.

Quando Tim Cook assumiu o cargo de presidente-executivo da Apple, ele não tentou preencher ‌o vazio deixado pelo lendário fundador e visionário de produtos da empresa, Steve Jobs, em vez disso, seguiu o conselho de Jobs: "Nunca pergunte o que eu faria, apenas faça a coisa certa".

Quinze anos depois, tendo levado a fabricante do iPhone, de uma empresa de US$350 bilhões a um colosso de mais de US$4,5 trilhões, Cook passará o bastão ao chefe de hardware da Apple, John Ternus, que conduzirá a empresa na era da inteligência artificial.

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Cook assumirá o cargo de presidente-executivo do conselho de administração da empresa em 1º de setembro, orientando ⁠as relações da Apple com os formuladores de políticas públicas em meio às tensas relações entre seu mercado doméstico, os Estados Unidos, e a ‌China, onde muitos de seus produtos são fabricados.

A transição coroa um dos mandatos de presidente-executivo mais marcantes da história.

Ao contrário da genialidade de Jobs no design de produtos, Cook subiu na hierarquia da Apple ao tornar a cadeia de suprimentos da empresa motivo de inveja ‌de todos os fabricantes. Como presidente-executivo, Cook usou essa mentalidade de priorizar as operações ‌para levar os produtos de ponta da Apple ao grande público.

Em um exemplo perfeito de sua perspicácia empresarial, Cook compreendeu que ⁠a Apple poderia lucrar com o cliente muito tempo depois da venda do iPhone, transformando a base de 2,5 bilhões de usuários de iPhone em uma máquina de receita recorrente. Esse negócio superou o crescimento do setor de hardware da empresa nos últimos anos.

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As vendas anuais da Apple subiram de US$108 bilhões no início do mandato de Cook para US$416 bilhões no último ano fiscal, enquanto o lucro cresceu mais de quatro vezes, chegando a US$112 bilhões.

Seu negócio de aparelhos vestíveis, que inclui acessórios para iPhone da era Cook, como o Apple Watch ‌e os AirPods, gerou US$35 bilhões em vendas no ano fiscal de 2025.

"Cook não apenas traçou seu próprio caminho de sucesso operacional e na ‌cadeia de suprimentos, mas também criou uma ⁠cultura 'orientada por valores' dentro da Apple", ⁠disse Christopher Brown, consultor financeiro da Synovus Securities, empresa de gestão de patrimônio privado que detém ações da fabricante do iPhone.

"O que se seguiu foi um ⁠ciclo virtuoso de lealdade e dependência dos consumidores em relação à marca, que ‌gerou trilhões de dólares em receita."

IA E OUTROS ‌ERROS

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Os críticos há muito acusam a Apple de perder sua vantagem em inovação na era Cook. Segundo eles, o executivo não conseguiu responder ao que virá depois do iPhone, enquanto rivais no setor de hardware buscam substituir o smartphone como o dispositivo padrão do consumidor.

A gestão de Cook teve outras falhas: um projeto de veículos elétricos que durou uma década e que a Apple ⁠descartou em 2024, justamente quando eles começavam a decolar na China. A empresa também cometeu um erro notório ao lançar o Apple Maps em 2012, meses depois que Cook assumiu o comando, o que levou à saída de Scott Forstall, colaborador próximo de Jobs e chefe de software.

A aposta da Apple no headset de realidade aumentada Vision Pro, que estreou com o preço exorbitante de US$3.499 em 2023, não conseguiu gerar vendas sólidas, e seus produtos ficaram para trás em recursos ‌de IA, incluindo atrasos na reformulação da assistente virtual Siri.

"A IA é o maior desafio para Ternus. A Apple precisa demonstrar que a IA será mais do que um aplicativo no iPhone, mais do que a Siri", disse Brian Mulberry, estrategista-chefe de mercado da ⁠Zacks Investment Management, que detém ações da Apple.

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"Além da IA, a pressão para continuar a transferir a fabricação para fora da China sem comprometer as margens é uma tarefa difícil de se realizar, mas parte desse processo já está em andamento", disse ele.

A dependência da Apple em relação à China proporcionou décadas de eficiência na fabricação, mas as crescentes tensões entre a China e os EUA, as tarifas comerciais e as interrupções na cadeia de suprimentos expuseram os riscos de concentrar a produção em um único país, levando a fabricante do iPhone a expandir a fabricação na Índia e em outros países.

Essas medidas, incluindo a fabricação na Índia da maioria dos iPhones destinados ao mercado dos EUA até o final de 2026 e a montagem de certos dispositivos, como AirPods e iPads, no Vietnã, ajudaram a Apple a lidar melhor com a tempestade de tarifas comerciais que afetou empresas em todo o território dos EUA.

Cook ampliou a equipe de liderança e reformulou a Apple como uma instituição, dando a si mesmo espaço para se concentrar na estratégia e na alocação de recursos, ao mesmo tempo em que mantinha um perfil público mais discreto, disse Bill Birmingham, diretor-gerente da REX Financial.

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"Isso deu a Cook espaço para tomar decisões impopulares e até mesmo ser implacável longe dos holofotes."

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