"Hoje, a probabilidade de repetir esse acidente está sendo minimizada", destaca Ivanil Elisiario Barbosa, presidente do Sindicato Nacional dos Servidores Públicos Federais na Área de Ciência e Tecnologia do Setor Aeroespacial
Foto: Bruno Santos / Terra
Por conta do acidente com o Veículo Lançador de Satélites (VLS) na base de Alcântara, no Maranhão, há 10 anos, houve uma melhoria nas condições gerais de segurança no local. A opinião é de Ivanil Elisiario Barbosa, presidente do Sindicato Nacional dos Servidores Públicos Federais na Área de Ciência e Tecnologia do Setor Aeroespacial.
Segundo ele, por conta do acidente, a torre de lançamento teve de ser reconstruída e a questão de segurança é agora parte fundamental desse projeto. "As ações mais eloquentes com relação à preocupação da segurança passam por simplesmente comparar quais são os dispositivos que a nova torre contém e que não continha antes. Por exemplo, existe hoje do lado da torre de integração uma passarela para uma torre de escape. Ela é feita em concreto super-reforçado, com porta corta-fogo e rotas diferenciadas de fuga, que não existia", diz ele.
Para o sindicalista, se existisse algo semelhante naquela época, vidas poderiam ser salvas. "Hoje há procedimentos mais automatizados, que trazem a segurança operacional ao nível de quem está trabalhando na torre, bloqueando ações remotas, por exemplo, da casamata, onde tem a sala de controle", diz.
Ivanil explica que, na sala de controle, se for acionada qualquer atividade da torre de lançamento e ela não for habilitada pelo trabalhador, não será executada. "Com relação à segurança também e talvez isso seja mais expressivo. Nós temos hoje uma preocupação com a certificação dos procedimentos para o lançamento."
Ele afirma que um dos grandes erros do acidente foi ter uma grande quantidade de trabalhadores no local naquele momento. "Não podia ter 21 pessoas na torre, quando já havia sido instalado o ignitor. Ali teria de ter no máximo o que eles chamam de 'o último cara na linha de fogo'. Hoje, a probabilidade de repetir esse acidente está sendo minimizada", afirma.
Familiares de vítimas do acidente com VLS em Alcântara relembram tragédia
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"Nos primeiros dois anos, eu entrei em uma depressão muito grande", relata Doris Maciel Cezarini, cujo marido morreu na explosão do foguete brasileiro VLS-1, há 10 anos. "Com sinceridade, eu jamais imaginei que o meu marido, no que ele fazia, pudesse correr algum risco desse tipo", lamenta. Em 22 de agosto de 2003, um acidente vitimou 21 pessoas no Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão
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"Eu lembro exatamente de cada segundo do dia que eu fiquei sabendo da notícia. Foi um transtorno na vida da gente, que de repente ficou de cabeça para baixo", diz a presidente da Associação dos Familiares das Vítimas do VLS
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Doris lamenta o tratamento dado às famílias das 21 vítimas do acidente com o veículo lançador de satélites brasileiro
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"Hoje, a probabilidade de repetir esse acidente está sendo minimizada", destaca Ivanil Elisiario Barbosa, presidente do Sindicato Nacional dos Servidores Públicos Federais na Área de Ciência e Tecnologia do Setor Aeroespacial
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Para o sindicalista, vidas poderiam ter sido salvas se a preocupação atual com a segurança no local fosse refletivo na época da explosão
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"O governo que cobra das empresas o cumprimento de normas de segurança é o mesmo que não tinha norma de segurança nenhuma (no caso de Alcântara)", afirma o advogado José Roberto Sodero
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Sodero diz que os processos correm em segredo de Justiça e que todas as ações tiveram ganho de causa para os familiares das vítimas em primeira instância, mas a União recorreu de todas as decisões
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"Foi um erro constatado por gerenciamento, sucateamento de material, falta de verba", relata Doris