Cada vez que uma embarcação corta os mares, ela é acompanhada por um ruído contínuo sob a água: o das hélices que a impulsionam. Elas produzem um som de baixa frequência que se propaga por quilômetros, incomodando peixes, cetáceos e outros seres vivos marinhos. Esse barulho, chamado de cavitação, foi identificado academicamente em 2004, mas já é analisado desde 1893.
Para entender a cavitação, primeiro é preciso observar o que acontece nas pás de uma hélice quando giram em alta velocidade. Com seu movimento, elas geram uma diferença de pressão entre suas faces. Assim, na face traseira, a pressão cai tanto que a água muda de estado, passando de líquido para gás. Mais especificamente, para milhares de pequenas bolhas de vapor.
O problema surge quando essas bolhas saem dessa zona de baixa pressão: elas implodem violentamente ao voltar ao estado líquido, o que provoca ondas de pressão que se transmitem a grande velocidade pela água. Se essas ondas se chocam com uma superfície, podem deteriorá-la consideravelmente. O fenômeno da cavitação vem acompanhado de vibração e ruídos, como se fosse cascalho caindo sobre uma máquina. Esse som, embora seja de baixa frequência, é capaz de percorrer grandes distâncias.
De todos os tipos possíveis de poluição aquática, a poluição acústica de origem humana é a menos popular, mas seus efeitos estão documentados. As baleias usam o som para se comunicar, orientar-se e caçar, enquanto os peixes o utilizam para tarefas essenciais como detectar ...
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