O centro da nossa Via Láctea é um pouco como um pôr do sol no castelo de Santorini: todos querem fotografá-lo — ou, neste caso, todos os astrônomos querem. O motivo, essencialmente, é a alta concentração de estrelas, o que fornece uma enorme quantidade de material para ser analisado em busca de possíveis exoplanetas.
Infelizmente, a maioria das fotos tiradas até o momento não tinha a resolução ideal para esse tipo de busca. No entanto, graças ao Telescópio Euclid — projetado pela ESA para estudar a matéria escura e a energia escura — agora temos a maior e mais detalhada imagem já produzida dessa região da nossa galáxia.
Há luz além da escuridão
Ao estudar bilhões de galáxias distantes, o Euclid nos permite observar a expansão do Universo e, nesse processo, determinar a possível presença de matéria escura. Neste caso, porém, ele foi utilizado para um propósito diferente.
Os astrônomos aproveitaram sua capacidade de capturar imagens nítidas de vastas áreas do céu, tirando nove fotografias de regiões maiores que a Lua cheia. Eles combinaram essas imagens em um mosaico que revela — com clareza sem precedentes — mais de 60 milhões de estrelas, bem como nebulosas e aglomerados estelares.
Um catálogo de eventos de microlente
O objetivo dessa fotografia é detectar eventos de microlente gravitacional. Eles ocorrem quando duas estrelas se alinham em relação a um observador (o telescópio) de tal forma que a gravidade da estrela mais próxima desvia a luz da estrela situada atrás dela, agindo...
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