Apreensão com o futuro impulsiona movimento anti-IA no mundo, incluindo cientistas e especialistas

Menos de quatro anos depois de o uso da inteligência artificial se expandir pelo mundo, cidadãos e cientistas de diversas áreas - da tecnologia ao meio ambiente, passando pela economia e medicina - se mobilizam em um movimento anti-IA. Por temor em relação à perda do controle sobre as máquinas ou ao impacto, talvez irreversível, sobre o emprego e as relações humanas, os contestadores da ferramenta ganham terreno e alertam sobre os seus riscos.

25 jul 2026 - 10h04

O tema é a reportagem de capa da revista francesa Le Nouvel Obs desta semana. A edição relata a realização de protestos, incluindo a greve de fome do ativista Michael Trazzi, e até uma tentativa de atentado contra Sam Altman, CEO da gigante de inteligência artificial OpenAI, na Califórnia.

Slogans contra a IA foram exibidos na tradicional manifestação de Primeiro de Maio em Paris este ano. (01/05/2026)
Slogans contra a IA foram exibidos na tradicional manifestação de Primeiro de Maio em Paris este ano. (01/05/2026)
Foto: AFP - IAN LANGSDON / RFI

"Nem todos os opositores da IA são tão engajados como Trazzi, nem tão violentos como Daniel Moreno Gama - o texano que lançou um coquetel molotov contra a casa de Altman -, mas as suas ações simbolizam uma revolta surda contra a maré mundial da IA", indica a revista.

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Nunca antes uma tecnologia foi tão massivamente adotada quanto esta, enfatiza Le Nouvel Obs, embora 50% dos franceses admitam não confiar na IA. Apenas 8% dos entrevistados em uma pesquisa Ifop no país disseram que desejam que o desenvolvimento da tecnologia seja acelerado.

O movimento Pause IA, por exemplo, alega que a inteligência artificial gera "perigos extremos para a humanidade a curto prazo", na medida em que avança sem regulamentação na maioria dos países do mundo. A organização destaca que o desenvolvimento da IA está nas mãos de "meia dúzia de tecno-oligarcas de escrúpulos duvidosos", como Elon Musk e Mark Zuckerberg.

Transumanista sueco desconfia da IA

A semanal ressalta ainda que esse movimento de contestação inclui "alguns dos melhores cientistas dessa área", que conhecem como ninguém os riscos de perda de controle dos humanos sobre a inteligência artificial. Também engloba nomes como a professora de Harvard, Stefanie Stantcheva, que defende a reflexão "urgente", pelos países, sobre mecanismos de redistribuição de renda diante dos impactos da IA no mercado de trabalho. Ou ainda simplesmente moradores do interior que se recusam a ver as áreas rurais serem tomadas pela construção de data centers, essenciais para a tecnologia.

Em entrevista à revista L'Express, o doutor em neurociências computacionais e "transumanista assumido" Anders Sandberg, sueco de 54 anos, exprime seus receios, embora seja um grande fã das tecnologias em geral. "Ainda não compreendemos os fundamentos da IA moderna, e é precisamente isso que deveria nos deixar apreensivos", afirmou ele à publicação.

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Questionado sobre como a máquina o descreveria, ele respondeu: "Como um homem que quer construir esferas de Dyson, viver para sempre e colonizar a Via Láctea, mas que ao mesmo tempo sustenta que não se pode confiar plenamente na IA".

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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