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‘Turma da Mônica — Laços’ é melhor que Marvel

Com ‘cameo’ de Maurício de Sousa, live-action baseado em graphic novel de obra homônima acerta no ritmo, referências e no clima nostálgico

18 jun 2019
10h55
atualizado em 26/6/2019 às 13h04
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Pronto. Temos a sua atenção? Dizer que Turma da Mônica — Laços é melhor que Marvel é uma grande injustiça. Ambas são obras que não precisam se excluir para existir. Com Stan Lee, representando a Marvel, e Maurício de Sousa, com a Turma da Mônica, contadores de histórias geniais, os quadrinhos e filmes têm seus universos particulares que fizeram uma belíssima companhia para a infância, adolescência e — por que não? — fase adulta. Mas é que a adaptação brasileira é tão boa, mas tão boa, que foi necessário um título apelativo para chamar a sua atenção. 

'Turma da Mônica — Laços' é baseada em graphic novel homônima
'Turma da Mônica — Laços' é baseada em graphic novel homônima
Foto: Serendipity Inc. / Divulgação

Com direção de Daniel Rezende (Bingo: O Rei das Manhãs) e roteiro de Thiago Dottori (VIPs), Turma da Mônica — Laços é uma adaptação live-action baseada em uma obra homônima de Vitor e Lu Cafaggi, lançada em 2013. O filme tem uma trama bem simples. Depois de falhar em mais um plano para raptar Sansão, o bicho de pelúcia de Mônica (Giulia Benite), Cebolinha (Kevin Vechiatto) descobre que Floquinho, seu cachorro de estimação, desapareceu. É então que Mônica, Cascão (Gabriel Moreira) e Magali (Laura Rauseo) se unem a ele para tentar reencontrar o peludo. 

Depois disso, acompanhamos as aventuras desse quarteto e como eles se aproximam, criam laços, em uma ótima sequência de acertos. Os personagens superam, um a um, questões pessoais em prol do bem maior, do coletivo, em uma mensagem linda de amizade. Com um bom ritmo, alívio cômico e várias referências nostálgicas, Turma da Mônica — Laços deu certo e a continuação da obra já está nos planos, como confirmou o diretor nesta segunda, 17, durante coletiva de imprensa em São Paulo

Das HQs para as telonas: a fórmula de sucesso

Turma da Mônica — Laços agrada em muitos aspectos. No filme, é possível ver como os elementos clássicos das histórias em quadrinhos são graciosamente transpostos para as telonas. A gula de Magali, representada pela sua obsessão com melancia, o medo de água de Cascão, o temperamento da Mônica e a criatividade de Cebolinha, tudo está presente, mas de uma maneira tão bem articulada, que o resultado só poderia ser o mais natural possível. 

A metalinguagem também foi um acerto na adaptação. O 'cameo' de Maurício de Sousa, ou seja, sua participação especial, é em uma banca de jornal, onde o cartunista brinca com a escolha de cor do Floquinho, e a cena em que os personagens ironizam o fato de ficarem descalços, são exemplos de como a conversa desses universos estava sincronizada. 

Outro momento de destaque foi para a participação de Rodrigo Santoro. O personagem do ator, o Louco, não aparece nas HQs que inspiraram o longa. Mas sua cena no filme funciona muito bem e ajuda a passar as mensagens do filme: a amizade acima de tudo. Também fazem parte do elenco adulto os atores Paulinho Vilhena, como pai do Cebolinha Mônica Iozzi, como mãe da MônicaFafá Rennó interpreta muito bem a Dona Cebola.

Rodrigo Santoro é o Louco em adaptação live action
Rodrigo Santoro é o Louco em adaptação live action
Foto: Serendipity Inc. / Divulgação

A ambientação também merece elogios. O bairro do Limoeiro não existe na vida real, portanto, foi preciso fazer uma releitura do que Maurício de Sousa construiu em suas histórias. E foi muito interessante ver a migração para telonas. O que ficou foi o desejo de ter convivido com aqueles vizinhos, estar naquela turma, viver aquelas aventuras e ter aquela liberdade. Turma da Mônica é um convite para nostalgia, é verdade, mas é também a saudade de um tempo que nem toda criança pode testemunhar. Em tempos de violência e descrença, o filme é um sopro de esperança, uma oportunidade de reviver e relembrar a ingenuidade das crianças. 

A cena da encruzilhada

Recuperar uma obra de tanto sucesso tem sua responsabilidade, afinal, os personagens de Maurício de Sousa existem há mais de 50 anos. Não dá para fugir das referências que são a base desse universo, mas não explorar a oportunidades que se criam ao levar a obra para o audiovisual seria simplesmente um desperdício. 

E a cena da encruzilhada foi a atualização que cabia na obra de Mauricio de Sousa. Sem muitos detalhes para não estragar a experiência para ninguém (e também incentivar as pessoas a verem com os próprios olhos), o trecho traz uma reviravolta que não foi descrita na HQ. É surpreendente e emocionante. É por esse momento que veria novamente o filme, e é por ele que torço para a continuação.

Turma da Mônica — Laços estreia no dia 27 de junho. 

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Fonte: Equipe portal
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