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Universitário cria prótese em 3D para facilitar a rotina da irmã de 7 anos

Projeto de conclusão de curso uniu engenharia, impressão 3D e afeto para desenvolver uma prótese com acessórios intercambiáveis adaptada às necessidades de uma criança

16 jul 2026 - 21h28
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Uma prótese em 3D desenvolvida como projeto de conclusão de curso acabou se tornando muito mais do que um desafio acadêmico. Além de colocar em prática conhecimentos de engenharia mecânica, a iniciativa ajudou uma menina de 7 anos a realizar atividades do cotidiano com mais autonomia, como pintar, brincar e segurar cartas durante uma partida de UNO.

Projeto universitário transformou uma impressora 3D em ferramenta para criar uma prótese personalizada para uma criança
Projeto universitário transformou uma impressora 3D em ferramenta para criar uma prótese personalizada para uma criança
Foto: Reprodução Instagram/@vitbond02 / Bons Fluidos

As informações foram publicadas pela revista People e pela American Society of Mechanical Engineers (ASME). Conforme as reportagens, o universitário Vitaliy Bondarchuk, de 22 anos, dedicou mais de 100 horas ao desenvolvimento da peça para a irmã caçula, Bella, que nasceu com uma redução congênita no braço esquerdo. Em vez de tentar reproduzir uma mão completa, o estudante decidiu seguir outro caminho. Assim, criou uma base com acessórios intercambiáveis, cada um pensado para uma atividade específica da rotina da irmã. A solução tornou o projeto mais funcional e personalizado.

Como surgiu a ideia da prótese em 3D?

Vitaliy cursava o último semestre de Engenharia Mecânica na Bob Jones University, na Carolina do Sul, quando recebeu a proposta de desenvolver um projeto capaz de solucionar um problema real. Ao observar o dia a dia de Bella, percebeu que algumas tarefas exigiam adaptações constantes. Por isso, decidiu transformar a necessidade da irmã em seu trabalho de conclusão de curso.

Segundo a People, o estudante afirmou que nunca quis transformar o projeto em um grande acontecimento. Para ele, a iniciativa representava apenas uma forma de ajudar alguém da própria família.

Criança participou da criação da prótese

Bella acompanhou o desenvolvimento desde o início e ajudou a definir quais acessórios fariam mais diferença em sua rotina.

Entre os pedidos da menina estavam:

  • suporte para cartas de UNO;
  • encaixe para pincel;
  • suporte para lanterna;
  • acessório para espátula.

Dessa forma, a prótese em 3D passou a atender necessidades reais, em vez de reunir funções que talvez nunca fossem utilizadas.

Como funciona a prótese em 3D?

O projeto funciona de maneira simples. Primeiro, uma base fica presa ao braço por meio de tiras de velcro. Em seguida, um sistema de encaixe permite trocar rapidamente cada acessório conforme a atividade. Quando Bella quer brincar de UNO, basta prender o suporte para cartas. Da mesma forma, se deseja pintar, ela troca o acessório pelo encaixe para pincéis. Além disso, também pode utilizar uma lanterna quando necessário. Essa estratégia reduziu o peso da peça e simplificou o uso diário. Ao mesmo tempo, permitiu adaptar a prótese para diferentes situações sem aumentar sua complexidade.

Impressão 3D permitiu vários ajustes

A impressão 3D desempenhou papel fundamental durante o desenvolvimento do projeto. Ao longo do processo, Vitaliy criou modelos digitais, imprimiu protótipos, realizou testes e ajustou o desenho sempre que identificava oportunidades de melhoria. Segundo a ASME, o estudante utilizou o software SolidWorks para criar os modelos e produziu diversas versões antes de chegar ao resultado final. Além disso, ele também buscou tornar a peça confortável para o uso diário. Para isso, desenvolveu um sistema de acolchoamento capaz de evitar o contato direto entre o plástico e a pele de Bella. Durante o desenvolvimento, algumas peças quebraram e precisaram de novos ajustes. Ainda assim, cada etapa ajudou a aperfeiçoar o projeto até alcançar o encaixe ideal.

Mais de 100 horas dedicadas ao projeto

Vitaliy calcula que investiu cerca de 100 horas na criação da prótese em 3D. Ao longo de aproximadamente quatro meses, ele trabalhou em medições, desenhos técnicos, impressão das peças, testes e documentação exigida pela universidade. Além disso, contou com a orientação de um irmão mais velho, que também atua como engenheiro. Ao final do projeto, o estudante recebeu nota máxima da universidade. Mais importante do que a avaliação acadêmica, porém, foi ver a irmã utilizar a prótese no dia a dia. Questionada pela People sobre o presente do irmão, Bella resumiu sua opinião em apenas uma palavra: "ótimo".

Tecnologia pode ampliar a autonomia de crianças

Casos como esse mostram como a impressão 3D tem ampliado as possibilidades na área da tecnologia assistiva. Como o processo permite criar peças sob medida, profissionais conseguem adaptar projetos às necessidades específicas de cada pessoa. Além disso, a fabricação personalizada reduz custos de prototipagem e facilita futuras modificações. Isso faz diferença principalmente durante a infância, fase em que o corpo cresce rapidamente e novas atividades passam a fazer parte da rotina.

Projeto continuará evoluindo

Mesmo após concluir a graduação e iniciar a carreira profissional, Vitaliy pretende continuar atualizando a prótese em 3D da irmã. À medida que Bella crescer, novas medidas, interesses e hobbies poderão exigir acessórios diferentes. Por isso, o estudante planeja adaptar o projeto sempre que necessário. Mais do que desenvolver uma solução tecnológica, ele criou uma ferramenta capaz de acompanhar diferentes fases da infância. Nesse sentido, a iniciativa demonstra como engenharia, criatividade e afeto podem caminhar juntos para melhorar a qualidade de vida.

Bons Fluidos
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