Seu filho respira pela boca? Dentista alerta para riscos e quando se preocupar
Se não tratada a longo prazo, a respiração bucal, desencadeada por outras condições de saúde, impacta a formação da arcada dentária e até o desenvolvimento facial
Se o seu filho respira pela boca — hábito comum que afeta entre 11% e 56% das crianças, principalmente durante o sono, segundo o International Journal of Clinical Pediatric Dentistry —, ele corre o risco de desenvolver problemas dentários e até má-formação no desenvolvimento facial. É o que aponta Leonardo Acioli, dentista e fundador da rede de clínicas odontológicas SorriaMed.
"Durante a infância, os ossos da face ainda estão em desenvolvimento. Quando a criança respira pela boca no sono, a posição da língua, dos lábios e da musculatura facial é alterada por longas horas. Com o passar do tempo, isso influencia diretamente o crescimento da maxila e da mandíbula, favorecendo o surgimento de alterações ortodônticas", explica.
Por que o pequeno respira pela boca?
De acordo com o profissional, esse costume é desencadeado por outras condições de saúde, como rinite, sinusite, hipertrofia de adenoide, amígdalas aumentadas e desvio de septo. Em decorrência desses diagnósticos e da respiração bucal, então, ocorre a ausência da pressão da língua no céu da boca — um processo fundamental para o desenvolvimento da arcada dentária.
A longo prazo, o problema, além de provocar o estreitamento do palato, causa alterações na mordida, dentes tortos e até mau hálito. Ademais, prejudica a proteção natural da região. Isso porque a passagem constante de ar pela cavidade bucal reduz a umidade e leva ao ressecamento dos tecidos.
"A saliva funciona como um mecanismo de defesa extremamente importante. Ela ajuda a neutralizar ácidos e controlar bactérias. Quando a boca permanece seca por muito tempo, observamos maior incidência de cáries, gengivite e quadros persistentes de mau hálito", destaca o dentista.
Sintomas e como agir
Leonardo Acioli alerta que a principal forma de identificar o problema e evitar complicações é observando o comportamento da criança. Geralmente, os pequenos com esse hábito apresentam ronco, sono agitado, cansaço excessivo e dificuldade de concentração durante o dia, o que também pode impactar no desempenho escolar.
"Os pais devem observar alguns sinais que costumam passar despercebidos, como roncar com frequência, apresentar lábios constantemente ressecados, babar durante o sono ou ter dificuldade para manter os lábios fechados ao assistir televisão e realizar outras atividades cotidianas", orienta Acioli.
Após perceber esses sinais, então, é importante buscar atendimento profissional para diagnosticar a causa da respiração bucal na criança. Em seguida, será possível iniciar o tratamento adequado. "Os pais não devem esperar os dentes ficarem tortos para procurar ajuda. Quanto mais cedo identificamos a respiração bucal, maiores são as chances de orientar o crescimento correto da arcada e evitar tratamentos ortodônticos mais complexos no futuro", conclui Acioli.
*Com informações da Broto Comunicação
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