Tricobezoar: menina de 7 anos comia cabelo desde os 2 e tinha massa de 12 cm no estômago. Retirada levou 15 horas
Tricobezoar é uma massa de cabelo que pode se formar no estômago. Entenda o caso de uma menina de 7 anos e os sinais de alerta.
Médicos na China retiraram, por endoscopia, uma massa de 12 cm formada por cabelos e restos de alimentos do estômago de uma menina de 7 anos. A criança, que ingeriu fios dos 2 aos 7 anos, apresentava dores abdominais, anemia e lesões gástricas causadas pelo tricobezoar. O procedimento durou 15 horas, pois a equipe precisou fragmentar o emaranhado em camadas para evitar uma cirurgia aberta recusada pela família. A paciente recuperou-se bem e recebeu alta quatro dias após a intervenção.
A família acreditava que ela havia parado de comer cabelo. Mas, aos 7 anos, a menina chegou ao hospital com dor abdominal, cansaço e uma grande massa alojada no estômago.
O material era um emaranhado compacto de cabelo, restos de alimentos e fios de algodão. Para retirá-lo sem abrir o estômago, a equipe médica precisou trabalhar durante cerca de 15 horas e mudar de estratégia depois de oito horas de tentativas com resultados limitados.
O caso aconteceu em Zhongshan, no sul da China, e foi descrito por médicos do Xiaolan Clinical Institute, ligado à Faculdade de Medicina da Universidade de Shantou. O relato foi publicado na revista científica Frontiers in Medicine.
Dor abdominal e cansaço revelaram o problema
Havia cerca de uma semana, a menina sentia dor na parte superior da barriga e ficava com a sensação de estômago cheio depois de comer. Também apresentava palidez nos lábios e na parte interna das pálpebras.
Ao examiná-la, os médicos perceberam uma região endurecida na parte superior do abdômen, que deixava a barriga visivelmente desigual.
Os exames de sangue revelaram anemia por falta de ferro, com hemoglobina de 7,7 g/dL, um nível muito baixo. A menina também apresentava deficiência de proteínas, e um exame de fezes detectou vestígios de sangue não visíveis a olho nu.
A tomografia revelou a massa. A endoscopia, que permite observar o interior do órgão com uma câmera, confirmou sua composição e mostrou que ela estava coberta por uma camada espessa de muco.
Embora fosse firme, o emaranhado de cabelos também tinha certa elasticidade. No local onde estava alojado, ele havia provocado áreas de desgaste e feridas na parede do estômago.
Tricobezoar: a menina comia cabelo desde os 2 anos
Segundo o relato médico, a criança começou a ingerir cabelo aos 2 anos. A família costumava interromper o comportamento quando o percebia e acreditava que ele havia cessado nos anos seguintes.
No entanto, a menina não havia passado por acompanhamento médico ou psicológico específico para investigar essa conduta.
O cabelo não é digerido com facilidade. Quando é engolido repetidamente, pode se acumular no estômago e se misturar a restos de alimentos, formando uma massa chamada tricobezoar.
À medida que cresce, essa massa pode provocar dor, sensação de estômago cheio, feridas na parede do órgão e dificuldade para se alimentar. Em situações graves, pode obstruir o trato digestivo.
Oito horas de tentativas sem sucesso
Por ser muito grande e resistente, a massa de cabelo normalmente seria retirada por cirurgia. Após receber orientação médica, porém, a família recusou a operação, e os médicos tentaram removê-la por endoscopia, sem precisar abrir o estômago.
As pinças retiravam apenas alguns fios de cabelo por vez, e um instrumento em forma de laço não conseguia prender a superfície lisa da massa.
Depois de cerca de oito horas de tentativas, a equipe mudou de estratégia.
A solução foi retirar a massa em camadas
Os médicos usaram um instrumento que corta com energia elétrica para desgastar a massa aos poucos, em camadas finas, como quem descasca uma fruta. Depois, retiravam os pedaços soltos com pinças.
Para evitar ferimentos no esôfago durante a retirada, cada fragmento era colocado dentro de uma capa transparente na ponta do aparelho antes de ser puxado pela boca.
O procedimento durou cerca de 15 horas. Ao final, os médicos não encontraram lesões importantes causadas pela retirada. A menina teve apenas uma dor de garganta leve, que desapareceu sozinha.
Ela recebeu alta quatro dias depois. No retorno, oito semanas mais tarde, os sintomas haviam desaparecido e o apetite tinha melhorado.
Quando comer cabelo exige atenção médica
A ingestão repetida de cabelo é chamada de tricofagia e pode ocorrer junto à tricotilomania, um transtorno marcado pelo impulso recorrente de arrancar os próprios fios.
Como esse comportamento pode ter diferentes causas, é importante investigar o que leva a criança a comer cabelo. No caso relatado, a avaliação psiquiátrica prevista após a alta ainda não havia sido concluída.
Se uma criança come cabelo repetidamente, os responsáveis devem conversar com o pediatra, mesmo que ela pareça estar bem.
Dor abdominal persistente, barriga inchada, sensação de estômago cheio após comer pouco, vômitos ou perda de apetite também merecem avaliação médica. Dor intensa, vômitos persistentes ou sangue nas fezes exigem atendimento rápido.
A retirada por endoscopia pode ser considerada em casos selecionados, mas não substitui a cirurgia em todas as situações.
No caso da menina, o acompanhamento de apenas oito semanas não permitiu saber se o problema poderia voltar.
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