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Treino com dor: quando o remédio vira rotina perigosa

Uso frequente de analgésicos e anti-inflamatórios pode mascarar sinais do corpo e comprometer a saúde

22 jan 2026 - 16h13
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Conviver com treino com dor virou algo comum para muitas pessoas fisicamente ativas. Para não interromper a rotina, analgésicos e anti-inflamatórios acabam entrando no dia a dia como solução rápida.

Veja quando o uso de remédios se torna perigoso
Veja quando o uso de remédios se torna perigoso
Foto: Sport Life

O problema é quando o remédio deixa de ser exceção e passa a fazer parte da rotina, mascarando sinais importantes do corpo.

Esse comportamento pode gerar riscos silenciosos. Além de atrasar diagnósticos, o uso excessivo de medicamentos pode comprometer o desempenho, a recuperação e a saúde geral.

Por que estamos tomando medicamento demais?

Tratamentos fragmentados e pouca revisão

O excesso de medicamentos não acontece por acaso. Segundo o psiquiatra Dr. Luiz Scocca, médico do Hospital das Clínicas da USP e membro da Associação Brasileira e Americana de Psiquiatria, o problema começa na forma como a saúde é conduzida hoje.

"Hoje em dia as especialidades estão super fragmentadas. Um médico cuida do coração, outro do estômago, outro do sono, da ansiedade", explica.

Com consultas cada vez mais curtas, muitas vezes não há tempo para revisar toda a medicação do paciente. Isso faz com que remédios sejam mantidos por longos períodos sem reavaliação.

Outro fator comum é o receio de mudar algo que aparentemente está funcionando. "Há também aquele medo, por parte de alguns médico, de mexer no que está funcionando.

E acaba ficando com o pensamento 'Melhor não mexer, vai que piora'", pontua o médico.

Esse receio parte tanto dos profissionais quanto dos próprios pacientes.

Quando o remédio entra na rotina de quem treina

A dor como algo "normal"

No ambiente esportivo, sentir dor costuma ser encarado como parte do processo. Isso faz com que muitas pessoas normalizem desconfortos persistentes e recorram a medicamentos para continuar treinando.

O problema é que a dor é um sinal. Ignorá-la pode transformar pequenas inflamações em lesões mais graves.

Treinar com dor constante e usar remédio para "dar conta" do treino impede o corpo de se recuperar adequadamente. O efeito é cumulativo e silencioso.

Como identificar o uso excessivo de medicamentos

Sinais físicos e cognitivos

Não existe um número exato de medicamentos que determine excesso. O alerta está nos sinais do corpo.

"Provavelmente, você vai começar a sentir sonolência, cansaço excessivo, tontura e problemas de cognição", explica Dr. Luiz Scocca.

Entre os sintomas mais comuns estão:

  • Falhas de memória

  • Confusão mental

  • Sensação de estar "desligado"

  • Náuseas

  • Queda de rendimento físico

Esses sinais não afetam apenas o treino. Eles impactam o dia a dia, o trabalho e a qualidade de vida.

Treinar medicado compromete a performance

Menos dor não significa mais evolução

Ao mascarar a dor, o remédio permite que a pessoa continue treinando sem perceber os limites do corpo. Isso aumenta o risco de sobrecarga muscular e articular.

Além disso, alguns medicamentos interferem diretamente na percepção de esforço, na coordenação e no tempo de reação.

O resultado pode ser o oposto do esperado: queda de performance, mais lesões e períodos maiores de afastamento dos treinos.

O perigo da automedicação

Uso sem receita ainda é comum

Outro ponto crítico é o acesso facilitado aos medicamentos. Muitas pessoas continuam tomando remédios por conta própria, sem prescrição ou acompanhamento.

"Também é preciso haver um controle melhor sobre a distribuição da medicação. As pessoas continuam tomando, muitas vezes, sem receita", alerta o psiquiatra.

A automedicação aumenta o risco de interações medicamentosas, efeitos colaterais e dependência psicológica do remédio.

No contexto do treino com dor, isso se torna ainda mais preocupante.

Remédio não é solução permanente

O corpo muda e o tratamento precisa mudar

Um erro comum é acreditar que o medicamento deve ser usado indefinidamente.

"É importante lembrar que o remédio não é para sempre, por padrão. O corpo muda e o tratamento deve mudar junto", reforça Dr. Scocca.

Para quem treina, isso significa que ajustes na carga, no descanso, na técnica ou na rotina podem ser mais eficazes do que qualquer comprimido.

Dor recorrente é um sinal de que algo precisa ser revisto.

Questionar é cuidar da própria saúde

Diálogo com o médico é essencial

Muitos pacientes têm receio de questionar prescrições. No entanto, esse diálogo é fundamental.

"Questionar é sinal de cuidado e não de desobediência da parte do paciente", afirma o médico.

O alerta mais importante é nunca interromper o uso por conta própria. "Nunca pare de tomar sozinho; o correto é pedir a revisão do médico", orienta.

A revisão periódica da medicação protege a saúde e evita riscos desnecessários.

Conclusão: dor não deve ser ignorada

Treinar com dor e recorrer a medicamentos de forma contínua é um caminho perigoso. O remédio pode aliviar sintomas, mas não resolve a causa.

Para evoluir com segurança, é preciso escutar o corpo, respeitar limites e buscar acompanhamento profissional. A performance de verdade nasce da recuperação adequada, não da dor silenciada.

Cuidar da saúde hoje é o que permite continuar treinando amanhã.

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