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Suplementos com cúrcuma podem trazer danos ao fígado, alerta Anvisa

Anvisa emite alerta sobre suplementos e medicamentos com cúrcuma após relatos internacionais de inflamação e danos ao fígado; entenda

5 nov 2026 - 21h12
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Resumo
A Anvisa emitiu um alerta sobre o risco de danos e inflamações graves no fígado causados por suplementos e medicamentos com altas concentrações de cúrcuma (curcumina), que aumentam excessivamente a absorção do composto. O consumo culinário como tempero continua seguro. Casos semelhantes foram relatados na Itália, França, Austrália e Canadá. O órgão exigirá avisos em rótulos e bulas, e recomenda suspender o uso e buscar auxílio médico caso surjam sintomas como olhos amarelados e urina escura.

A cúrcuma, conhecida popularmente como açafrão-da-terra, ganhou fama nos últimos anos como um ingrediente associado à saúde e ao bem-estar. Presente em receitas, bebidas funcionais e suplementos, ela passou a ocupar um lugar de destaque nas prateleiras de produtos naturais. No entanto, um novo alerta das autoridades sanitárias chama atenção para o uso de versões concentradas dessa substância.

Anvisa alerta para possíveis riscos ao fígado ligados a suplementos de cúrcuma em cápsulas ou extratos concentrados; saiba mais
Anvisa alerta para possíveis riscos ao fígado ligados a suplementos de cúrcuma em cápsulas ou extratos concentrados; saiba mais
Foto: Reprodução: Karl Solano/Pexels / Bons Fluidos

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou um comunicado de farmacovigilância sobre medicamentos e suplementos alimentares que contêm cúrcuma ou curcumina, seu principal composto ativo. O alerta foi publicado após investigações internacionais apontarem possíveis riscos ao fígado associados ao consumo desses produtos em cápsulas ou extratos altamente concentrados.

Segundo a agência, os casos são raros, mas podem ser graves. "Investigações internacionais identificaram casos raros, mas graves, de inflamação e danos ao fígado associados ao uso desses produtos em cápsulas ou extratos concentrados", informou a Anvisa.

Por que os suplementos podem representar risco

A cúrcuma é amplamente utilizada na culinária e também estudada por seus potenciais efeitos antioxidantes e anti-inflamatórios. O problema, segundo especialistas e autoridades de saúde, não está no consumo do tempero, mas sim em formulações concentradas presentes em alguns suplementos. "O problema está associado especialmente a formulações e tecnologias que promovem um aumento na absorção da curcumina em níveis muito acima do consumo normal", informou a agência em nota. 

Esses produtos costumam utilizar técnicas que aumentam a biodisponibilidade da substância, permitindo que o organismo absorva quantidades muito maiores do que aquelas ingeridas naturalmente por meio da alimentação. Esse aumento na concentração pode alterar a forma como o organismo metaboliza o composto, especialmente no fígado.

Alertas também emitidos em outros países

O Brasil não é o único país a investigar possíveis efeitos adversos ligados aos suplementos de cúrcuma. Autoridades sanitárias de diferentes regiões do mundo também registraram casos semelhantes. Agências regulatórias da Itália, Austrália, Canadá e França já divulgaram alertas após notificações de intoxicação hepática associadas ao uso de produtos com curcumina.

Na França, por exemplo, o sistema de monitoramento de segurança alimentar identificou dezenas de relatos de efeitos adversos relacionados ao consumo de suplementos com cúrcuma ou curcuminoides, incluindo episódios de hepatite.

Diante desse cenário, a Anvisa destacou que o comunicado busca orientar diferentes públicos. "O alerta apresenta orientações para profissionais de saúde, fabricantes de medicamentos e suplementos alimentares e consumidores", destacou a Anvisa.

Uso na culinária continua sendo seguro

Apesar do alerta envolvendo suplementos, a agência fez questão de esclarecer que o consumo da cúrcuma como tempero não apresenta riscos conhecidos. "O pó usado na culinária é seguro e não integra o alerta, uma vez que não há evidências de risco associado ao consumo da cúrcuma como alimento e aditivo alimentar", detalhou a Anvisa.

Isso acontece porque, na alimentação cotidiana, a quantidade ingerida da substância é muito menor e absorvida de forma mais gradual pelo organismo. "A diferença é que, em medicamentos e suplementos, o produto possui concentrações mais altas e uma capacidade de ser mais absorvido pelo organismo", completou.

Sintomas que podem indicar problemas no fígado

Pessoas que utilizam suplementos ou medicamentos com cúrcuma devem ficar atentas a alguns sinais que podem indicar alterações no fígado. Entre os sintomas mencionados pela Anvisa, estão: pele ou olhos amarelados (icterícia), urina muito escura, cansaço excessivo sem causa aparente, náuseas e dor na região abdominal. Caso esses sinais apareçam, a recomendação é suspender imediatamente o uso do produto e procurar avaliação médica.

Além disso, possíveis efeitos adversos devem ser comunicados aos sistemas de monitoramento sanitário. No caso de medicamentos, as notificações podem ser feitas pelo VigiMed. Para suplementos alimentares, o registro deve ocorrer no sistema e-Notivisa.

Mudanças em bulas e rótulos

Como parte das medidas preventivas, a Anvisa determinou que os medicamentos Motore e Cumiah, que contêm cúrcuma, tenham suas bulas atualizadas com avisos de segurança. Já no caso dos suplementos alimentares, a agência informou que irá reavaliar o uso da substância nesses produtos. Também passará a exigir advertências obrigatórias nos rótulos sobre a possibilidade de efeitos adversos.

A recomendação geral das autoridades de saúde é que utilizem suplementos e medicamentos com compostos concentrados apenas com orientação profissional. Embora a cúrcuma continue sendo considerada um ingrediente seguro quando usada na culinária, o episódio reforça um ponto importante: mesmo substâncias naturais podem ter efeitos diferentes no organismo quando consumidas em doses elevadas ou em formulações altamente concentradas.

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