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Sinais de alerta no treino: quando buscar ajuda médica?

Sinais como dor no peito, falta de ar e tontura durante exercícios podem indicar problemas cardíacos. Saiba quando procurar ajuda médica.

2 set 2026 - 16h40
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Resumo
Embora o exercício beneficie o coração, sinais atípicos exigem atenção médica imediata em qualquer idade. Sintomas como dor no peito, falta de ar desproporcional, palpitações, tontura ou desmaio durante o treino podem indicar problemas cardíacos, congênitos ou adquiridos. Em crianças e adolescentes, o alerta é o mesmo e demanda avaliação antes de seguir nos esportes. Apesar de testes de rotina não serem vitais para jovens saudáveis, hábitos saudáveis e diagnóstico precoce garantem a segurança.

Atividade física é aliada do coração, mas alguns sinais durante o treino merecem atenção. Falta de ar desproporcional, dor no peito, palpitações, tontura e desmaio são alertas que pedem avaliação médica.

Foto: aFotoStock
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Foto: Sport Life

Quais sinais durante exercícios exigem atenção?

Nem todo cansaço no treino é motivo de preocupação. O corpo realmente trabalha mais durante o exercício, e é normal sentir o coração acelerado, respiração ofegante e suor. O problema surge quando os sintomas fogem do padrão ou aparecem de forma súbita e intensa.

Os principais sinais de alerta durante atividades físicas incluem:

  • Dor ou pressão no peito: especialmente em aperto, que pode irradiar para braços, pescoço, mandíbula ou costas

  • Falta de ar desproporcional: quando o fôlego não volta mesmo após diminuir o ritmo ou em intensidades que antes eram confortáveis.

  • Tontura ou desmaio: sensação de vista escurecendo, instabilidade súbita ou perda de consciência durante o esforço.

  • Palpitações irregulares: coração "tropeçando", batendo fora de ritmo ou acelerado de forma repentina.

  • Suor frio e náuseas: sudorese intensa sem relação com o calor do treino, acompanhada de mal-estar

  • Cansaço extremo repentino: fadiga incomum, diferente do desgaste habitual do exercício.

Se esses sintomas aparecem de forma constante durante a atividade ou se o exercício está ficando mais difícil do que antes, é hora de procurar um profissional de saúde.

Dor no peito durante exercício: quando é urgente?

A dor torácica durante esforço físico merece atenção especial. Enquanto uma queimação muscular é comum, um aperto ou peso no centro ou lado esquerdo do peito que piora com o esforço e melhora com repouso pode indicar angina, um sinal clássico de problema cardíaco.

Procure atendimento de emergência imediatamente se houver:

  • Dor em aperto ou pressão que irradia para braço esquerdo, mandíbula, costas ou pescoço.

  • Falta de ar intensa, suor frio, palidez, náuseas ou vômitos durante ou logo após o esforço.

  • Tontura, desmaio ou sensação de batimentos cardíacos irregular.

  • Dor que não melhora após interromper o exercício e manter repouso por alguns minutos.

  • Episódios recorrentes de dor em esforços cada vez menores.

"O sinal mais importante é quando qualquer um desses sintomas aparece de forma súbita, intensa ou diferente do que a pessoa já sentiu antes", destaca Thaissa, médica citada em reportagem sobre o tema.

Crianças e adolescentes: quais sinais observar?

A prática de atividades físicas é fundamental para o desenvolvimento saudável de crianças e adolescentes, mas alguns sinais apresentados durante os exercícios podem indicar a necessidade de uma avaliação médica. A orientação é da cardiologista pediátrica e professora do curso de Medicina da Universidade do Oeste Paulista (Unoeste), Jessica Cândida de Oliveira Garcia.

Em bebês, alguns indicativos de alerta são dificuldade ou cansaço durante as mamadas, sudorese excessiva, respiração acelerada, baixo ganho de peso e episódios de coloração arroxeada.

Para crianças maiores e adolescentes, a recomendação é observar principalmente sintomas persistentes ou relacionados ao esforço físico. "Devemos ficar atentos a falta de ar ou cansaço desproporcional aos esforços, dor no peito durante atividade física, palpitações, tontura ou desmaio, especialmente durante exercícios", alerta Jessica.

Qualquer criança que apresente dor no peito, palpitações, falta de ar incomum, tontura ou desmaio durante ou após exercício deve ser avaliada por um cardiologista antes de continuar a prática esportiva.

Cardiopatias congênitas e alterações adquiridas

As cardiopatias congênitas estão entre as alterações cardíacas mais frequentes na infância. São modificações na estrutura ou no funcionamento do coração presentes desde o nascimento e que podem apresentar diferentes níveis de complexidade.

"As cardiopatias congênitas são as malformações congênitas mais frequentes, acometendo aproximadamente 1 em cada 100 nascidos vivos e podem variar desde alterações simples, que não causam repercussões, até cardiopatias mais complexas que precisam de acompanhamento e tratamento especializado", explica a médica. 

Entre as cardiopatias congênitas mais encontradas estão a comunicação interventricular, comunicação interatrial, persistência do canal arterial, estenose pulmonar e coarctação da aorta.

Entretanto, nem toda doença cardíaca identificada durante a infância ou adolescência está presente desde o nascimento. Arritmias, miocardites, doenças do músculo cardíaco e alterações adquiridas das válvulas podem surgir ao longo da vida.

Na adolescência, também ganham importância fatores de risco cardiovasculares, como obesidade, hipertensão, colesterol elevado e sedentarismo. 

Exames: quando são necessários?

Apesar da importância dos exames cardiológicos, a especialista ressalta que não existe uma bateria de testes que deva ser realizada rotineiramente por todas as crianças. A investigação começa com uma boa avaliação clínica, incluindo histórico detalhado e exame físico.

Quando há indicação, o eletrocardiograma pode auxiliar na identificação de alterações do ritmo e da atividade elétrica do coração. O exame é especialmente útil diante de sintomas como palpitações e síncope, suspeita de arritmias ou determinadas doenças cardíacas.

A radiografia de tórax também pode contribuir para a investigação, permitindo avaliar aspectos como o tamanho do coração e a trama vascular pulmonar. Já o ecocardiograma, realizado por meio de ultrassom, possibilita analisar a anatomia do coração, suas cavidades, válvulas e funcionamento, sendo especialmente importante quando existe suspeita de uma alteração estrutural.

O teste ergométrico, por sua vez, avalia o comportamento do coração durante o esforço. A indicação depende da idade, dos sintomas e das condições clínicas do paciente. Por isso, não é necessário que toda criança que pratique esporte seja submetida rotineiramente ao exame.

Esporte deve ser incentivado com segurança

A prática esportiva continua sendo uma importante aliada da saúde cardiovascular. Para a cardiologista pediátrica, não se deve criar a ideia de que crianças saudáveis precisam realizar uma série de exames antes de começar uma atividade física.

"Não devemos criar a ideia de que toda criança saudável precisa fazer uma bateria de exames antes de começar um esporte. O mais importante é uma avaliação clínica adequada, especialmente antes da prática esportiva competitiva ou de alta intensidade", afirma Jessica.

O acompanhamento cardiológico ganha maior importância quando há sintomas durante os exercícios, alterações identificadas no exame físico ou no eletrocardiograma ou histórico familiar de morte súbita ou doenças cardíacas hereditárias.

Prevenção começa na infância

Além da identificação precoce de alterações cardíacas, os cuidados com a saúde cardiovascular devem começar ainda na infância. Alimentação equilibrada, atividade física, sono adequado e controle do peso estão entre os fatores que contribuem para a prevenção.

A especialista recomenda priorizar frutas, verduras, legumes, grãos e alimentos minimamente processados, reduzindo o consumo excessivo de açúcar, sal e ultraprocessados. O acompanhamento da pressão arterial e dos níveis de colesterol também integra os cuidados preventivos.

Mais do que estabelecer regras para as crianças, a família tem papel fundamental nesse processo. "Crianças aprendem muito mais pelo exemplo do que pelo discurso", destaca Jessica.

Por isso, hábitos adotados pelos adultos também ajudam a construir uma rotina mais saudável para os filhos, desde a alimentação até a prática de atividades físicas e a organização do sono.

Diagnóstico precoce traz mais segurança

A atenção dos pais e responsáveis aos sinais apresentados pelas crianças é importante, mas não deve significar preocupação excessiva. O acompanhamento médico permite diferenciar manifestações comuns de situações que realmente precisam de investigação.

"Quando existe algum sintoma, alteração no exame físico ou histórico familiar relevante, não devemos ignorar. O diagnóstico precoce faz uma grande diferença no tratamento e na qualidade de vida da criança", orienta a professora. 

Para Jessica, o acompanhamento também pode proporcionar tranquilidade às famílias. "Uma das maiores recompensas do nosso trabalho é justamente poder acompanhar uma criança, identificar aquilo que precisa ser cuidado e, muitas vezes, devolver à família a tranquilidade de saber que está tudo bem", conclui.

Sport Life
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