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Mulheres negras são as que mais sofrem com perda dentária, entenda o porquê

A perda dentária em mulheres negras é 19% maior do que em homens brancos, segundo estudo divulgado pela FAPESP

30 nov 2022 - 10h00
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A pesquisadora diz que 52% das pessoas entrevistadas já haviam perdido pelo menos um dente
A pesquisadora diz que 52% das pessoas entrevistadas já haviam perdido pelo menos um dente
Foto: Pexels

A perda dentária em mulheres negras é 19% maior do que em homens brancos, segundo estudo divulgado pela FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) com base em um inquérito realizado no município de Campinas. Se for considerado apenas o segmento feminino, as negras apresentam perda 26% maior do que as brancas. E, se for considerado apenas o segmento negro, autodefinido com base na cor da pele, as mulheres apresentam perda 14% maior do que os homens. 

Os dados fazem parte da tese de doutorado de Lívia Helena Terra e Souza, intitulada “A boca travada no racismo: desigualdades raciais nas condições de saúde bucal”. “Entrevistadores colheram os dados de 3.021 pessoas, com idade mínima de 10 anos. As perguntas foram: ‘Você já perdeu um dente [superior ou inferior]? Se sim, perdeu um, mais de um ou todos os dentes?’. Foram desconsiderados os dentes de leite, os sisos e os extraídos para colocação de aparelho”, conta Terra e Souza.

A pesquisadora diz que 52% das pessoas entrevistadas já haviam perdido pelo menos um dente. Mas que foi detectada, no conjunto, uma forte disparidade em relação às perdas, principalmente quando eram cruzadas as variáveis “raça” e “sexo”, fazendo das mulheres negras o segmento mais afetado.

De acordo com o artigo, “a raça pode ser considerada como um conceito socialmente construído por dinâmicas históricas e relações de poder”. E destaca que “o status socioeconômico é fortemente impactado pelas desigualdades raciais” e que a população negra apresenta “menor renda, menor nível educacional e tende a viver em locais de alta vulnerabilidade social”.

Além dos determinantes econômicos, o texto aponta que é preciso levar em conta outras desvantagens, que tendem a permanecer em várias dimensões da vida, mesmo após a abolição da escravidão negra: “As minorias raciais, neste caso os negros, podem incorporar biologicamente os efeitos do racismo". Na saúde bucal, é possível que as iniquidades se devam a pobreza, níveis de educação ou discriminação nos cuidados de saúde.

Fonte: Agência FAPESP

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