Retatrutida: nova caneta emagrecedora alcança perda de peso comparável à bariátrica
Pesquisa aponta que emagrecimento pode chegar a 28% e medicamento pode ser eficaz para apneia do sono e osteoartrite no joelho
A retatrutida, nova caneta emagrecedora da farmacêutica norte-americana Eli Lilly, que está em ensaios clínicos na fase 3, pode reduzir em até 28% o peso de pacientes com diabetes tipo 2. É o que diz uma pesquisa publicada neste sábado, 6, na revista científica Lancet, que mostrou que a perda é semelhante a de uma cirurgia bariátrica.
Os dados foram divulgados durante o congresso anual da Associação Americana de Diabetes (ADA), realizado nos Estados Unidos. O estudo envolveu 930 adultos com diabetes tipo 2 que receberam doses semanais da substância ou placebo durante um período de até 80 semanas.
Segundo os pesquisadores, os participantes que utilizaram a dose mais alta da retatrutida registraram uma perda de peso superior a quatro vezes a observada no grupo controle. Além disso, mais de 65% dos pacientes deixaram de ser classificados como obesos de acordo com o Índice de Massa Corporal (IMC).
Outro dado considerado relevante foi a melhora no controle glicêmico. A redução dos níveis de açúcar no sangue foi mais que o dobro da verificada entre os participantes que receberam placebo, reforçando o potencial da molécula para o tratamento do diabetes.
Mecanismo de “tripla ação”
A retatrutida integra uma nova classe de medicamentos conhecidos como agonistas hormonais múltiplos. Diferentemente de medicamentos já populares no mercado, como Ozempic e Mounjaro, que atuam em um ou dois receptores hormonais, a nova substância age simultaneamente em três mecanismos metabólicos.
Além de imitar hormônios intestinais responsáveis pela sensação de saciedade e pelo estímulo à produção de insulina, a retatrutida ativa o receptor de glucagon. Esse terceiro mecanismo favorece um aumento do gasto energético do organismo, inclusive durante períodos de repouso, potencializando a perda de peso.
Especialistas apontam que essa combinação pode representar um avanço importante na busca por tratamentos menos invasivos para pacientes com obesidade severa.
Os resultados apresentados pela Eli Lilly também indicam possíveis aplicações da retatrutida em outras condições associadas à obesidade.
Em pacientes com apneia obstrutiva do sono, distúrbio caracterizado por interrupções repetidas da respiração durante a noite, o medicamento reduziu em 60,6% a gravidade dos sintomas. A condição está associada ao aumento do risco de doenças cardiovasculares, hipertensão e fadiga crônica.
Já entre pacientes com osteoartrite de joelho, doença degenerativa que provoca desgaste das articulações e limitações de mobilidade, a substância demonstrou reduzir em até 73,1% a intensidade da dor relatada pelos participantes.
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