Pernambucana faz 115 anos e está entre as pessoas mais velhas do mundo; entenda o que a ciência sabe sobre a longevidade extrema
Residente em Jaboatão dos Guararapes, em Pernambuco, Beatriz Ferreira Duarte completou 115 anos em 21 de junho de 2026 e passou a integrar uma estatística cada vez mais observada por pesquisadores: a da longevidade extrema. Veja mais!
Residente em Jaboatão dos Guararapes, em Pernambuco, Beatriz Ferreira Duarte completou 115 anos em 21 de junho de 2026 e passou a integrar uma estatística cada vez mais observada por pesquisadores: a da longevidade extrema. Reconhecida oficialmente pela organização internacional LongeviQuest, especializada na validação de supercentenários, Beatriz foi confirmada como a segunda pessoa viva mais idosa do Brasil e a sexta mais velha do mundo. O registro só foi aceito após uma checagem rigorosa de documentos, como certidões antigas, registros paroquiais e dados civis que reconstituem sua vida desde o início do século XX.
O caso de Beatriz insere o Brasil no mapa dos estudiosos da longevidade extrema, um campo que acompanha o crescimento do número de pessoas que chegam aos 100 anos ou mais. Com o avanço da medicina, da vacinação em massa e da melhoria das condições de saneamento, a expectativa de vida global aumentou significativamente ao longo das últimas décadas. Organismos internacionais apontam que a parcela de idosos com 80 anos ou mais é uma das faixas etárias que mais cresce no mundo, fenômeno que também se reflete na realidade brasileira.
Quem são os centenários, supercentenários e o que é longevidade extrema?
No vocabulário demográfico, pessoas que alcançam ou ultrapassam os 100 anos são classificadas como centenárias. Já aquelas que chegam aos 110 anos ou mais entram na categoria de supercentenárias, na qual se encontra Beatriz. Esse grupo é extremamente raro: estima-se que apenas uma pequena fração da população mundial atinja essa idade, e um número ainda menor tenha a idade validada por instituições como a LongeviQuest ou o Gerontology Research Group, que exigem documentação consistente e contínua ao longo da vida.
Embora esses registros sejam pontuais, o contingente de centenários vem aumentando em vários países. No Japão, na Itália, na França e em algumas regiões dos Estados Unidos, o número de pessoas com 100 anos cresce ano a ano, acompanhando o envelhecimento populacional. No Brasil, dados oficiais ao longo da última década indicam avanço gradual da participação de pessoas muito idosas, resultado de queda nas taxas de mortalidade infantil, maior acesso a tratamentos médicos e ampliação das campanhas de prevenção a doenças crônicas.
Longevidade extrema está ligada a quais fatores?
Pesquisas sobre longevidade extrema apontam para uma combinação de elementos genéticos, ambientais e comportamentais. Estudos com famílias de supercentenários indicam que a herança genética pode ter papel relevante, especialmente em genes associados à reparação celular, ao metabolismo de gorduras e à resposta inflamatória. No entanto, cientistas destacam que a genética, isoladamente, não explica a totalidade dos casos, já que pessoas com perfis semelhantes podem ter trajetórias de saúde bem diferentes ao longo da vida.
Entre os fatores de estilo de vida mais associados à vida longa estão a alimentação equilibrada e a prática regular de atividades físicas leves ou moderadas. Em muitas comunidades com alta concentração de idosos muito longevos, é comum o consumo de vegetais, leguminosas, grãos integrais, frutas e gorduras de origem vegetal, além de porções moderadas de alimentos de origem animal. Caminhadas diárias, trabalhos rurais e tarefas domésticas que envolvem movimento constante aparecem com frequência nos relatos desses grupos, muitas vezes sem a formalidade de uma "rotina de exercícios" estruturada.
Outro ponto recorrente é a manutenção de vínculos sociais sólidos. Estudos de psicologia e saúde pública indicam que relações familiares próximas, participação em comunidades religiosas ou associações locais e o sentimento de pertencimento tendem a se relacionar com maior proteção contra depressão e isolamento, condições que podem agravar problemas de saúde em idades avançadas. O acompanhamento médico regular, com monitoramento de pressão arterial, glicemia e outras condições crônicas, também é citado como fator que contribui para a prevenção de complicações graves.
O que a ciência já sabe sobre envelhecimento saudável?
Laboratórios e centros de pesquisa de diferentes países investigam há anos os mecanismos biológicos que levam algumas pessoas a envelhecer com mais saúde. Estudos de biologia do envelhecimento observam o encurtamento dos telômeros, estruturas que protegem as extremidades dos cromossomos, bem como o acúmulo de danos oxidativos nas células. Pesquisas em modelos animais testam intervenções como restrição calórica controlada, ajustes em vias metabólicas e uso de substâncias capazes de atuar na regeneração celular, sempre com cautela na transposição desses resultados para seres humanos.
No campo clínico, estudos de coorte acompanham grupos de idosos por vários anos para identificar quais hábitos se associam a menor incidência de doenças cardiovasculares, diabetes, demências e cânceres. Esses trabalhos apontam, de forma consistente, que a combinação de alimentação saudável, manutenção de peso adequado, prática de atividades físicas, não fumar e evitar consumo abusivo de álcool está ligada a maior probabilidade de chegar à velhice com autonomia funcional. A saúde emocional, com acesso a suporte psicológico quando necessário, também ganha destaque em pesquisas mais recentes.
Quais desafios enfrentam os supercentenários e onde se concentram esses casos?
Apesar de atraírem atenção pelo número de anos vividos, centenários e supercentenários costumam enfrentar desafios significativos. A perda progressiva de força muscular, a fragilidade óssea, os déficits sensoriais, como visão e audição, e o risco de quedas estão entre as principais preocupações na rotina dessas pessoas. Há ainda aspectos sociais delicados, como o luto recorrente pela perda de familiares e amigos, o que pode aumentar a sensação de solidão caso não haja rede de apoio estruturada. Sistemas de saúde e políticas públicas encontram dificuldades para oferecer assistência contínua, especialmente em regiões com poucos serviços especializados em geriatria.
Algumas áreas do planeta se tornaram referência em estudos sobre longevidade extrema por concentrarem um número elevado de centenários em relação à população total. Essas regiões, frequentemente chamadas de "zonas azuis" em trabalhos internacionais, incluem ilhas e comunidades tradicionais em países como Japão e Itália, além de localidades com forte cultura de vida comunitária, dieta baseada em alimentos frescos e rotina de atividade física natural. A observação de pessoas como Beatriz Ferreira Duarte, em Pernambuco, amplia o mapa desses casos e contribui para revelar trajetórias de vida marcadas por trabalho, laços familiares e adaptações ao longo de um século de transformações sociais.
Ao acompanhar a história de supercentenários e de indivíduos que superam os 100 anos, pesquisadores reúnem pistas sobre como o organismo humano responde ao tempo. Esses relatos ajudam a entender melhor os mecanismos do envelhecimento e orientam estratégias para prolongar não apenas a quantidade, mas a qualidade dos anos vividos. A partir dessas evidências, ganha força a ideia de que medidas adotadas ao longo da vida, aliadas a políticas de saúde pública e a um ambiente social favorável, podem contribuir para que mais pessoas envelheçam com autonomia, funcionalidade e bem-estar, mesmo que não alcancem idades tão elevadas quanto as de Beatriz e de outros supercentenários.
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