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O que acontece com o cérebro quando você aprende um instrumento depois dos 40

Aprender um instrumento depois dos 40 pode fazer mais pelo cérebro do que você imagina. Veja o que a ciência já descobriu.

14 jul 2026 - 17h00
(atualizado às 17h01)
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Aprender um instrumento musical depois dos 40, 50 ou até 60 anos ainda é visto por muita gente como um sonho difícil de realizar. Entre a rotina corrida, a falta de tempo e a sensação de que "já passou da idade", esse plano acaba sendo adiado e, muitas vezes, nunca sai do papel.

Mas as pesquisas mostram que o cérebro continua capaz de aprender e se adaptar mesmo com o passar dos anos.

Embora o envelhecimento traga mudanças naturais, o cérebro continua capaz de se adaptar a novos desafios.

E poucas atividades exigem tanto da mente quanto a música, que reúne memória, atenção, coordenação motora, percepção auditiva e planejamento em uma única tarefa.

"O cérebro mantém a capacidade de reorganização ao longo de toda a vida, ele se adapta e cria novas conexões neurais, um fenômeno conhecido como neuroplasticidade", explica a neurologista Isis Peniche.

Segundo a especialista, essa capacidade é mais intensa na infância, mas permanece presente ao longo da vida.

Por isso, aprender algo novo pode exigir mais tempo e dedicação com o passar dos anos, sem deixar de ser possível.

Aprender música envolve muito mais do que decorar notas

Quando alguém começa a tocar um instrumento, não está apenas aprendendo uma sequência de acordes ou uma melodia.

É preciso ouvir com atenção, memorizar movimentos, ajustar o ritmo, coordenar as mãos e perceber rapidamente quando algo saiu diferente do esperado.

Essas habilidades trabalham de forma integrada durante todo o processo de aprendizagem.

"Essa forma multimodal de estímulo pode representar uma vantagem em relação a atividades que estimulam predominantemente um único domínio cognitivo", afirma Isis.

De acordo com a neurologista, a prática musical mobiliza regiões relacionadas à coordenação dos movimentos, ao processamento dos sons, ao ritmo e à formação e recuperação de memórias.

O que as pesquisas mostram

Um estudo publicado em 2024 na revista científica International Journal of Geriatric Psychiatry encontrou associação entre tocar um instrumento musical e melhor desempenho da memória.

Os pesquisadores também observaram melhor desempenho nas chamadas funções executivas, responsáveis por habilidades como planejamento, concentração e resolução de problemas.

Os resultados reforçam a ideia de que aprender e praticar um instrumento pode ajudar a manter o cérebro ativo e estimular diferentes habilidades cognitivas durante o envelhecimento.

Aprender um instrumento depois dos 40: nunca é tarde para começar

Se aprender continua sendo possível, por que tanta gente acredita que já passou da idade de tocar um instrumento?

Um dos principais motivos é a ideia de que a habilidade musical precisa ser desenvolvida ainda na infância. Instrumentos como o violino, por exemplo, costumam intimidar quem pensa em começar mais tarde.

O violinista Arthur Lauton, que ensina adultos iniciantes, diz que esse receio é comum entre seus alunos. Muitos chegam às aulas depois de anos adiando esse desejo, convencidos de que perderam o momento certo.

Aprender um instrumento depois dos 40
Aprender um instrumento depois dos 40
Foto: SaúdeLAB

O violinista Arthur Lauton / Foto: arquivo pessoal

No início, a evolução realmente pode parecer lenta.

"Sem marcações no braço, o violino obriga o músico a encontrar cada nota pelo ouvido e pela memória da mão, e um desvio mínimo já basta para desafinar. Costumo comparar com o piano, em que a tecla pressionada devolve sempre a mesma nota; no violino, um milímetro para o lado já compromete a afinação", explica.

Apesar da dificuldade, ele afirma que a constância costuma fazer mais diferença do que passar horas seguidas praticando.

"Vejo alunos avançarem com pouco tempo de estudo: cerca de 20 minutos diários seriam suficientes para, em quatro ou cinco meses, tocar as primeiras peças", destaca.

Esse tempo, porém, varia de pessoa para pessoa. A evolução depende da frequência dos estudos, da orientação recebida e das características de cada aluno.

O maior benefício pode estar no caminho

Aprender um instrumento não precisa ter como objetivo formar músicos profissionais nem fazer apresentações. Para muita gente, o maior ganho está no próprio processo de aprendizagem.

A primeira música pode demorar a sair. Os erros fazem parte do caminho. Mas cada nova tentativa mostra que a capacidade de aprender não fica restrita à infância.

No fim, talvez a maior descoberta não esteja nas notas que você consegue tocar, e sim na certeza de que nunca é tarde para começar.

Fonte: SaúdeLAB
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