Alta no consumo de suplementos sem orientação médica acende alerta
Em meio à popularização desses produtos, uma pergunta começa a ganhar força entre profissionais da saúde: estamos tomando vitaminas demais?
O consumo de suplementos como vitaminas e minerais cresce no Brasil, mas especialistas alertam para os riscos do uso sem orientação médica. Exageros podem causar efeitos adversos e mascarar problemas de saúde. A suplementação é importante quando há deficiências comprovadas, mas não substitui hábitos saudáveis como boa alimentação e exercício físico. 🍎💊
Com promessas que vão da imunidade ao emagrecimento, uso indiscriminado cresce entre os brasileiros; especialista explica quando a suplementação é realmente necessária e os riscos do excesso
As prateleiras das farmácias, lojas especializadas e marketplaces nunca estiveram tão cheias de suplementos. Vitaminas para fortalecer a imunidade, cápsulas para aumentar a disposição, minerais para melhorar a concentração e compostos que prometem auxiliar no emagrecimento fazem parte da rotina de milhões de pessoas. Mas, em meio à popularização desses produtos, uma pergunta começa a ganhar força entre profissionais da saúde: estamos tomando vitaminas demais?
O mercado de suplementos vive uma expansão acelerada no Brasil. Impulsionado pelas redes sociais, pela busca por bem-estar e pela crescente preocupação com a saúde, o consumo desses produtos deixou de ser restrito a atletas e passou a alcançar pessoas de diferentes idades e estilos de vida. O problema é que muitos consumidores adotam a suplementação por conta própria, sem exames ou avaliação médica.
O médico endocrinologista Rafael Suhett alerta que acreditar que vitaminas e minerais são inofensivos induz a erros importantes.
"O organismo precisa de vitaminas e minerais em quantidades adequadas, mas isso não significa que quanto mais, melhor. Existe uma crença de que suplementar sempre traz benefícios, quando, na verdade, o excesso de determinados nutrientes pode causar efeitos adversos e até comprometer a saúde", explica.
Alguns dos mais consumidos
Entre os suplementos mais consumidos estão vitamina D, vitamina C, magnésio, zinco, ferro e multivitamínicos. Embora sejam fundamentais para diversas funções do organismo, o uso sem necessidade pode trazer consequências.
"A vitamina D é um bom exemplo. Ela ganhou muita popularidade nos últimos anos e, de fato, desempenha um papel importante na saúde óssea e imunológica. Porém, quando utilizada em doses elevadas sem acompanhamento, pode causar aumento do cálcio no sangue, favorecendo problemas renais e cardiovasculares", alerta o especialista.
Segundo Suhett, outro equívoco comum é acreditar que suplementos fáceis de encontrar no mercado conseguem resolver, sozinhos, sintomas como cansaço, falta de energia ou queda de cabelo.
"Muitas vezes esses sinais têm causas que precisam ser investigadas. Alterações hormonais, distúrbios metabólicos, doenças inflamatórias, problemas do sono e até questões emocionais podem estar por trás desses sintomas. Tomar vitaminas sem saber a origem do problema pode apenas mascarar a situação e atrasar o diagnóstico correto", afirma.
Quando suplementar importa
O médico endocrinologista destaca que a suplementação tem papel importante quando existe deficiência comprovada, aumento das necessidades nutricionais ou condições específicas que dificultam a absorção de nutrientes. Gestantes, idosos, pacientes submetidos à cirurgia bariátrica e pessoas com algumas doenças crônicas estão entre os grupos que frequentemente necessitam de acompanhamento mais próximo.
"Suplementação não deve ser encarada como uma estratégia universal. Ela precisa ser individualizada. O ideal é avaliar hábitos alimentares, histórico clínico e exames laboratoriais antes de definir quais nutrientes realmente precisam ser repostos", ressalta.
Além dos riscos relacionados ao excesso de vitaminas e minerais, o médico chama atenção para outro fenômeno: a falsa sensação de proteção que alguns suplementos podem gerar.
Em um cenário em que o consumo de suplementos cresce ano após ano, a principal recomendação continua sendo a mesma: antes de adicionar mais um frasco à rotina, é importante entender se o organismo realmente precisa dele. Afinal, quando o assunto é vitaminas, o excesso também pode se tornar um problema.
"Nenhuma cápsula substitui uma alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, sono de qualidade e controle do estresse. Esses continuam sendo os pilares mais importantes para a manutenção da saúde. Os suplementos podem complementar uma estratégia bem planejada, mas não compensam hábitos inadequados", conclui Rafael Suhett.
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