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Maternidade após os 40: Planejamento e cuidados essenciais

Cada vez mais mulheres engravidam após os 40. Entenda o que muda no planejamento, nos exames e no acompanhamento para uma gestação mais segura.

1 set 2026 - 17h22
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Resumo
A maternidade após os 40 anos tem crescido no Brasil devido a mudanças socioeconômicas e avanços médicos. Embora haja redução da fertilidade e maior probabilidade de pré-eclâmpsia, diabetes gestacional e alterações cromossômicas, a idade não é sinônimo de complicação inevitável. Com planejamento pré-concepcional, rastreamento fetal, hábitos saudáveis e acompanhamento pré-natal individualizado, é possível controlar os riscos e conduzir uma gestação segura.

A maternidade está acontecendo cada vez mais tarde no Brasil. Mudanças nos projetos de vida, maior participação feminina no mercado de trabalho, busca por estabilidade financeira e avanços da medicina reprodutiva têm levado muitas mulheres a planejar a primeira gestação — ou ampliar a família — depois dos 40 anos.

Foto: annastills
Foto: annastills
Foto: Saúde em Dia

Mas o que muda no planejamento e no acompanhamento de uma gravidez nessa faixa etária? Especialistas reforçam que engravidar após os 40 não significa, necessariamente, uma gestação complicada. No entanto, a idade passa a ser um fator que merece atenção dentro da avaliação obstétrica.

O que muda na fertilidade após os 40?

Com o passar dos anos, ocorre uma redução da reserva ovariana e, principalmente, da qualidade dos óvulos. A partir dos 40 anos, além de ser mais difícil engravidar naturalmente, aumenta a possibilidade de alterações cromossômicas nos embriões, o que também está relacionado a uma maior ocorrência de abortamentos espontâneos.

Por isso, para quem deseja engravidar nessa faixa etária, o planejamento pode começar antes mesmo da suspensão do método contraceptivo. A consulta pré-concepcional é muito importante para a mulher que pretende engravidar após os 40.

É o momento de avaliar pressão arterial, glicemia, peso, vacinação, medicamentos em uso, doenças preexistentes e o próprio histórico ginecológico e obstétrico. "Também podemos conversar sobre fertilidade e, quando necessário, encaminhar para uma avaliação especializada", explica Karina Belickas, obstetra do Hospital e Maternidade Santa Joana.

Quais são os riscos na gravidez depois dos 40?

Durante a gravidez, alguns riscos também merecem acompanhamento mais próximo. Mulheres acima dos 40 anos apresentam maior probabilidade de desenvolver hipertensão gestacional e pré-eclâmpsia, diabetes gestacional e algumas complicações relacionadas à placenta e ao crescimento fetal.

Também aumenta a possibilidade de alterações cromossômicas, motivo pelo qual o rastreamento genético e o acompanhamento da medicina fetal podem ter um papel importante na gestação. Estudos apontam que mulheres com mais de 40 anos têm de 2 a 3 vezes mais chance de desenvolver diabetes gestacional.

Isso não significa, porém, que toda mulher acima dos 40 precisará antecipar o parto ou não poderá decidir a via de parto em conjunto com seu obstetra. A idade é apenas um dos fatores analisados pela equipe médica.

Como deve ser o pré-natal após os 40?

"Uma gestação aos 40 anos não deve ser encarada como uma gestação necessariamente complicada. O mais importante é entender que existem mudanças relacionadas à idade que precisam ser consideradas desde o planejamento até o pós-parto", afirma Karina Belickas.

O acompanhamento individualizado permite identificar os fatores de risco de cada mulher e conduzir o pré-natal de maneira adequada. "É importante diferenciar aumento de risco de certeza de complicação. Ter 40 anos não significa que a mulher terá pré-eclâmpsia, diabetes ou que necessariamente precisará de uma cesariana", aponta a obstetra.

Uma mulher de 41 anos saudável, sem doenças preexistentes e com exames normais pode apresentar um cenário completamente diferente de outra paciente da mesma idade que tenha hipertensão, diabetes, obesidade ou outras condições clínicas.

Quais exames são indicados nessa fase?

Outro ponto que ganhou espaço nos últimos anos é o acompanhamento das possíveis alterações cromossômicas. Hoje, a medicina fetal dispõe de diferentes estratégias de rastreamento, incluindo exames de sangue materno, ultrassonografias específicas e testes que analisam o DNA fetal livre circulante no sangue materno.

A escolha dos exames deve levar em conta a história clínica da paciente, a idade gestacional e a avaliação do obstetra. "Hoje temos ferramentas muito mais precisas para acompanhar a saúde do bebê durante a gestação. O importante é que a paciente tenha acesso à informação e discuta com seu médico quais exames fazem sentido para o seu caso", explica Karina Belickas.

Rastreamento e diagnóstico são coisas diferentes, e essa conversa também faz parte do pré-natal.

Como reduzir riscos e ter uma gestação mais segura?

Para reduzir riscos, o cuidado começa antes mesmo do teste positivo. Manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física adequada, controlar pressão arterial e glicemia, atualizar a vacinação, revisar medicamentos de uso contínuo e manter acompanhamento médico regular são medidas importantes.

Durante a gestação, também é fundamental conhecer sinais de alerta, como sangramento, perda de líquido, dor intensa, falta de ar, dor de cabeça persistente, alterações visuais e redução dos movimentos do bebê, independentemente da idade da gestante.

"A idade não deve ser motivo para medo, mas deve ser considerada no planejamento. Quando a mulher chega à gestação preparada, com suas condições de saúde conhecidas e acompanhada por uma equipe que consegue identificar precocemente possíveis alterações, temos muito mais condições de conduzir essa gravidez de forma segura", conclui a obstetra do Hospital e Maternidade Santa Joana.

Saúde em Dia
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