Lipedema ou linfedema? Saiba identificar e quando procurar ajuda
Condições são frequentemente confundidas, mas têm origens, sintomas e tratamentos diferentes; estimativas apontam alta subnotificação no Brasil
Embora compartilhem sintomas semelhantes, como inchaço e desconforto nos membros, o lipedema e o linfedema são condições distintas que exigem diagnósticos precisos e tratamentos especializados.
No Brasil, essas doenças frequentemente são confundidas, o que pode atrasar o diagnóstico e prejudicar a qualidade de vida dos pacientes.
A seguir, vamos esclarecer as diferenças entre essas condições e ajudar você a identificar os sinais de cada uma delas, além de mostrar a importância de procurar ajuda médica o mais rápido possível.
O que é lipedema?
O lipedema é uma condição caracterizada pelo acúmulo anormal de gordura nas pernas e quadris, sem afetar os pés. A doença está diretamente ligada a fatores genéticos e alterações hormonais, afetando principalmente mulheres.
Ela tende a se manifestar durante fases hormonais da vida, como a puberdade, a gestação e a menopausa. Esse acúmulo de gordura não tem relação com a obesidade, e sim com um problema no metabolismo da gordura, o que torna o tratamento tradicional, como dietas, ineficaz.
Sintomas do lipedema
O lipedema apresenta alguns sintomas específicos, que são essenciais para distingui-lo de outras condições, como obesidade e retenção de líquidos. Entre os sintomas mais comuns estão:
- Dor nos membros afetados;
- Hematomas frequentes sem motivo aparente;
- Sensibilidade aumentada nas áreas afetadas, como pernas e quadris;
- Inchaço progressivo, que não desaparece com a elevação dos membros ou com o uso de diuréticos.
Muitas mulheres que sofrem com lipedema chegam ao consultório médico sem saber que têm a condição, o que pode ocorrer devido ao diagnóstico tardio. "O lipedema é muitas vezes confundido com obesidade ou retenção de líquidos, o que dificulta o tratamento precoce e afeta a qualidade de vida dos pacientes", afirma o cirurgião vascular Saymon Santana, especialista em doenças vasculares e diretor técnico da Clínica Vasculare, com atuação em Imperatriz (MA) e sul do Pará.
O que é linfedema?
Diferente do lipedema, o linfedema é causado por falhas no sistema linfático, responsável por drenar líquidos e resíduos do corpo. Quando o sistema linfático não funciona adequadamente, ocorre o acúmulo de linfa nos tecidos, gerando inchaço persistente.
O linfedema pode afetar não apenas as pernas e os braços, mas também os pés e outras partes do corpo, dependendo da gravidade do quadro.
Sintomas do linfedema
Os sintomas do linfedema incluem:
- Inchaço persistente nas extremidades (braços, pernas ou pés);
- Sensação de peso e desconforto nas áreas afetadas;
- No estágio avançado, pode haver fibrose, que resulta no endurecimento da pele, dificultando a mobilidade da pessoa.
O linfedema pode ser congênito, ou seja, a pessoa nasce com a predisposição de desenvolver a doença, ou pode ser adquirido, frequentemente como resultado de cirurgias, infecções ou traumas. O linfedema é uma condição crônica e, se não tratado corretamente, pode levar a complicações graves, como infecções recorrentes e aumento da incapacidade de movimento.
Diferenças cruciais
Embora ambas as condições apresentem inchaço, lipedema e linfedema têm origens, sintomas e tratamentos diferentes, o que torna essencial um diagnóstico médico preciso.
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Lipedema é caracterizado pelo acúmulo de gordura localizada em áreas específicas, como pernas e quadris, e afeta quase exclusivamente mulheres. Seus sintomas incluem dor e hematomas frequentes, e a condição não atinge os pés.
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Linfedema, por outro lado, é um distúrbio do sistema linfático e pode afetar tanto homens quanto mulheres. O linfedema resulta no acúmulo de linfa, gerando inchaço persistente e, em casos avançados, fibrose e endurecimento da pele.
Além disso, enquanto o lipedema está mais relacionado a fatores hormonais e genéticos, o linfedema pode ser causado por cirurgias, infecções ou traumas, sendo mais comum em pacientes que passaram por tratamentos como a remoção de linfonodos, comumente realizada em casos de câncer.
A subnotificação no Brasil
No Brasil, tanto o lipedema quanto o linfedema são amplamente subnotificados. Saymon Santana observa que muitas mulheres não sabem que convivem com o lipedema, o que dificulta o diagnóstico e o início precoce do tratamento. "A falta de informações e o desconhecimento das condições são fatores que contribuem para a subnotificação", explica o médico.
Estudos internacionais apontam que até 11% das mulheres no mundo podem ter algum grau de lipedema, número que pode ser ainda maior devido à falta de diagnóstico. Em relação ao linfedema, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que mais de 250 milhões de pessoas no mundo vivam com a condição, especialmente em países em desenvolvimento, como o Brasil. O boletim epidemiológico da Secretaria de Vigilância em Saúde não fornece dados consolidados sobre essas doenças, o que dificulta a implementação de políticas públicas para o diagnóstico e tratamento.
Tratamentos
Os tratamentos para lipedema e linfedema são específicos e devem ser conduzidos por médicos especialistas. O tratamento do lipedema envolve:
- Fisioterapia e drenagem linfática;
- Dieta equilibrada e exercícios físicos de baixo impacto, como caminhada e natação;
- Cirurgias em casos mais avançados, como a lipoaspiração para remover o excesso de gordura acumulada.
Para o linfedema, o tratamento pode incluir:
- Drenagem linfática manual, que ajuda a reduzir o acúmulo de linfa;
- Uso de meias de compressão para melhorar o fluxo linfático;
- Acompanhamento clínico contínuo, com cuidados regulares para evitar complicações.
É fundamental que o diagnóstico seja feito precocemente para evitar complicações. O cirurgião alerta sobre os riscos da automedicação, especialmente com o uso de diuréticos sem orientação médica. "A abordagem para o tratamento dessas condições deve ser multidisciplinar e personalizada, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida dos pacientes e reduzir a progressão das doenças".
Quando procurar ajuda médica?
Se você apresentar sintomas como dor persistente, inchaço que não desaparece com repouso, sensação de peso nos membros ou hematomas frequentes, é importante procurar um especialista. O diagnóstico precoce é a chave para um tratamento eficaz e para a prevenção de complicações graves.
"Buscar ajuda médica ao primeiro sinal de inchaço, dor ou sensação de peso é fundamental para garantir um tratamento eficaz", recomenda Saymon Santana.
Com um diagnóstico correto, você pode começar a controlar a condição e melhorar sua qualidade de vida de forma significativa.
Embora o lipedema e o linfedema compartilhem sintomas como o inchaço e desconforto nos membros, essas condições têm causas, tratamentos e prognósticos diferentes. Identificar corretamente o quadro é essencial para garantir o melhor tratamento possível e evitar complicações.
Se você está enfrentando sintomas como dor, inchaço ou hematomas frequentes, procure um médico especializado para obter um diagnóstico preciso e iniciar o tratamento adequado o quanto antes.