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IA pode ajudar a detectar melhor câncer de mama? Estudos no Brasil tentam descobrir

Pesquisa com mais de 31 mil mulheres mostra avanço na identificação de tumores; no Brasil, cientistas testam tecnologia no RS

19 out 2026 - 05h00
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Inteligência artificial pode ajudar na detecção de câncer de mama
Inteligência artificial pode ajudar na detecção de câncer de mama
Foto: FG Trade/

A inteligência artificial (IA) pode ajudar médicos a identificar o câncer de mama mais cedo. Um estudo publicado na revista científica Nature Medicine, em 2026, mostrou que o uso da tecnologia aumentou em 15,2% a detecção de tumores em comparação com a avaliação convencional de mamografias. No Brasil, a IA está sendo testada em um hospital de Porto Alegre (RS) com resultados que já despertaram atenção, tanto positiva quanto negativa.

A pesquisa envolveu 31.301 mulheres. Com o auxílio da IA, a taxa de detecção passou de 6,3 para 7,3 casos a cada mil mulheres examinadas. A tecnologia também reduziu em 63,6% o volume de leituras realizadas por radiologistas, mas aumentou em 14,8% a quantidade de pacientes chamadas para exames complementares.

Segundo a médica radiologista Ana Cecilia Scultori, do Hospital Sírio-Libanês, em Brasília, diferentes sistemas de inteligência artificial já auxiliam os profissionais na análise dos exames.

"Por exemplo, há programas de inteligência artificial que ajudam a identificar lesões milimétricas, como agrupamentos de calcificações bem pequenos ou nódulos muito pequenos. Principalmente, numa leitura única, que é uma realidade dos médicos de um modo geral, isso é ótimo", explica.

Outros sistemas classificam exames por prioridade, permitindo que os radiologistas avaliem primeiro aqueles com alterações suspeitas. Há também ferramentas que verificam o posicionamento da mama durante o exame e avaliam a qualidade das imagens, permitindo correções imediatas.

A tecnologia ainda pode avaliar a densidade mamária, considerada um fator de risco para o câncer, e contribuir para a identificação de mulheres que precisam de acompanhamento diferenciado.

Apesar dos avanços, Ana Cecilia ressalta que a inteligência artificial não substitui a avaliação médica.

"A gente só precisa destacar que a inteligência artificial funciona como uma ferramenta de apoio. Ela pode gerar falsos positivos e exige o crivo e a análise crítica do radiologista, que vai avaliar o paciente de forma integral. Ele vai considerar os sintomas, os exames anteriores, os antecedentes pessoais e clínicos e, enfim, o histórico familiar."

Uso da Inteligência Artificial está sendo avaliado em Porto Alegre (RS); primeiros testes apontaram maior número de encaminhamentos para exames complementares
Uso da Inteligência Artificial está sendo avaliado em Porto Alegre (RS); primeiros testes apontaram maior número de encaminhamentos para exames complementares
Foto: Cristine Rochol / Prefeitura de Porto Alegre

Pesquisa brasileira busca prever risco de câncer

Em Porto Alegre, pesquisadores da Santa Casa e da Empresa Pública de Tecnologia da Informação e Comunicação de Porto Alegre (Procempa) investigam uma aplicação diferente da IA: prever o risco de uma mulher desenvolver câncer de mama nos cinco anos seguintes.

O projeto utiliza o Mirai, sistema desenvolvido pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos. A ferramenta analisa imagens de mamografias e identifica padrões associados ao desenvolvimento futuro da doença.

Segundo Antonio Nocchi Kalil, diretor médico e de Ensino e Pesquisa da Santa Casa de Porto Alegre, a tecnologia pode reconhecer características que não são consideradas pelos métodos tradicionais.

"O Mirai acrescenta a possibilidade de identificar padrões nas próprias imagens que podem não ser evidentes na avaliação convencional", explica.

Na primeira etapa, a equipe analisou mil mamografias realizadas entre 2019 e 2024. Agora, os pesquisadores buscam verificar se as previsões correspondem ao desenvolvimento da doença durante o acompanhamento das pacientes.

"É importante lembrar que estamos falando de uma estimativa de risco, não de uma certeza. Como qualquer ferramenta de previsão, o sistema pode superestimar ou subestimar esse risco", ressalta Kalil.

Mulheres classificadas com alto risco pela ferramenta poderão ser encaminhadas para uma ressonância magnética, mesmo quando a mamografia não apresentar alterações suspeitas.

"Uma mamografia normal é uma boa notícia, mas não significa que a mulher não possa desenvolver câncer nos anos seguintes. É justamente aí que a inteligência artificial pode trazer uma informação adicional", diz o médico.

Símbolo do Outubro Rosa, que lembra da importância do autoexame e conscientiza sobre o câncer de mama
Símbolo do Outubro Rosa, que lembra da importância do autoexame e conscientiza sobre o câncer de mama
Foto: Klaus Nielsen / via Pexels

Tecnologia também ajuda no acompanhamento

Além da detecção, a IA pode auxiliar no acompanhamento de pacientes. No Hospital Sírio-Libanês, a plataforma CareGaps Mama analisa o histórico de exames e identifica mulheres que precisam retornar ao médico.

Em uma avaliação inicial divulgada pelo hospital, os contatos feitos pela plataforma aumentaram em 98% as chances de conclusão do acompanhamento entre pacientes com alterações provavelmente benignas, mas que exigiam monitoramento.

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 78.610 novos casos de câncer de mama por ano no Brasil entre 2026 e 2028.

A mamografia continua sendo o principal exame de rastreamento. Em 2025, o Ministério da Saúde ampliou o acesso ao procedimento no SUS.

Fonte: Portal Terra
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