Halitose atinge 71 milhões no Brasil: causas e dicas para prevenir
Remédios, próteses e perda de olfato ajudam a explicar por que a halitose atinge tantos idosos, mesmo com boa higiene, segundo a dentista Gilda Cortez.
A halitose afeta cerca de 71 milhões de brasileiros e não decorre apenas de má higiene. O problema é comum em idosos devido ao uso de remédios que reduzem a salivação e à higienização incorreta de próteses dentárias. Como o envelhecimento reduz a sensibilidade olfativa, muitos não percebem o odor, o que favorece o isolamento social. Para prevenir, recomenda-se hidratação, uso de raspador de língua, limpeza química das próteses e consultas odontológicas regulares a cada seis meses.
Escovar os dentes três vezes ao dia não garante hálito fresco. A boca pode cheirar mal mesmo quando está limpa. Entre os idosos, o problema é ainda mais comum.
A halitose, também chamada de bafo, não indica descuido. Segundo a dentista Gilda Cortez, muitas vezes a causa está em outro lugar.
Remédios podem deixar a boca seca
Alguns medicamentos reduzem a saliva. Esse quadro é a secura bucal, conhecida como xerostomia. Sem saliva suficiente, as bactérias se acumulam. Elas liberam compostos de enxofre, responsáveis pelo cheiro desagradável.
"Medicamentos para pressão, depressão, alergia e incontinência urinária, comuns na terceira idade, reduzem o fluxo salivar acumulando bactérias e os compostos de enxofre, que são os responsáveis pelo cheiro desagradável", explica a dentista.
Um problema de milhões de brasileiros
A halitose afeta cerca de 30% da população brasileira. São aproximadamente 71 milhões de pessoas, segundo dados da Associação Brasileira de Halitose (ABHA).
Como cuidar da boca seca
Medidas simples ajudam a aliviar o problema, segundo a especialista:
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Beber água ao longo do dia.
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Higienizar a língua com raspador.
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Conversar com o médico sobre a revisão dos medicamentos.
Em alguns casos, o dentista indica saliva artificial. Goma de mascar sem açúcar também pode estimular a salivação.
A prótese também deixa a boca com cheiro
Dentaduras e próteses removíveis formam superfícies onde os microrganismos se acumulam com facilidade. A especialista alerta para os riscos do uso noturno e da limpeza só com água.
Nesses casos, a prótese pode abrigar bactérias e fungos, como a candida. A consequência é a estomatite protética. Trata-se de uma inflamação na gengiva sob a prótese. Ela pode causar mau odor sem dor e sem sinal visível.
"A orientação é retirar a prótese para dormir, escová-la com produto próprio e deixá-la em solução higienizadora", orienta Gilda Cortez.
Por que o idoso não percebe o mau hálito?
Existe ainda um fator silencioso. Com o envelhecimento, o olfato costuma perder sensibilidade. Além disso, o cérebro se adapta ao próprio cheiro e deixa de percebê-lo.
Por isso, muitos idosos não sabem que têm halitose. Familiares, cuidadores e amigos evitam comentar, por constrangimento.
"O silêncio ao redor pode levar ao isolamento. A pessoa se afasta, fala menos, deixa de sorrir e não sabe por quê", observa a dentista.
O que fazer?
O primeiro passo é uma avaliação com um dentista. Se ele não encontrar nada na boca, encaminha o paciente a um médico.
As consultas odontológicas regulares, a cada seis meses, também são recomendadas. A orientação vale inclusive para quem usa dentadura.
Mau hálito não é falta de cuidado nem de educação. Na maioria das vezes, é sinal de que algo na saúde precisa de atenção. Cuidar da boca, conversar sobre o assunto com carinho e procurar ajuda profissional fazem toda a diferença, principalmente para os idosos.
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