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Estudo com células-tronco inaugura nova fase na busca por tratamento para a doença de Huntington nos Estados Unidos

Um estudo experimental com células-tronco para tratar a doença de Huntington está em andamento na Universidade da Califórnia em Irvine. Veja os primeiros dados.

24 jun 2026 - 19h02
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Um estudo experimental com células-tronco para tratar a doença de Huntington está em andamento na Universidade da Califórnia em Irvine, nos Estados Unidos. A pesquisa marca uma nova etapa na tentativa de conter uma enfermidade neurológica hereditária que, até o momento, não possui cura. O primeiro paciente recebeu o implante em maio de 2026 e, segundo os responsáveis, não apresentou efeitos adversos significativos desde o procedimento.

O ensaio clínico faz parte de uma estratégia de terapia celular que busca não apenas proteger neurônios ainda saudáveis, mas também substituir células cerebrais já destruídas pela progressão da doença. Assim, a equipe pretende avaliar como esse tipo de transplante se comporta no organismo humano e se há indicação de melhora funcional. Outros 21 participantes deverão ser submetidos ao mesmo protocolo, com o próximo voluntário programado para julho deste ano.

Um estudo experimental com células-tronco para tratar a doença de Huntington está em andamento na Universidade da Califórnia em Irvine, nos Estados Unidos – depositphotos.com / onimate.hotmail.com
Um estudo experimental com células-tronco para tratar a doença de Huntington está em andamento na Universidade da Califórnia em Irvine, nos Estados Unidos – depositphotos.com / onimate.hotmail.com
Foto: Giro 10

Doença de Huntington: o que está por trás do estudo?

A doença de Huntington é uma condição neurológica hereditária, progressiva e sem cura, caracterizada por deterioração motora, cognitiva e comportamental. Causada por uma mutação genética, geralmente se manifesta na vida adulta e tende a avançar ao longo dos anos. Assim, compromete a coordenação dos movimentos, a memória, o raciocínio e o controle emocional. Ademais, alterações de humor, movimentos involuntários e dificuldade para planejar tarefas diárias estão entre os sinais mais comuns.

Como se trata de uma enfermidade ligada diretamente ao código genético, os tratamentos atuais concentram-se em aliviar sintomas e retardar, na medida do possível, o impacto no dia a dia do paciente. Medicamentos, fisioterapia, acompanhamento psicológico e suporte às famílias fazem parte da abordagem tradicional. Nesse contexto, o uso de células-tronco na doença de Huntington surge como tentativa de atuar na base do dano neurológico, oferecendo uma alternativa experimental à terapia apenas sintomática.

Como o implante de células-tronco pode ajudar na doença de Huntington?

O procedimento desenvolvido em Irvine consiste na implantação de células-tronco no corpo estriado, região profunda do cérebro envolvida em funções relacionadas ao movimento, à motivação e à tomada de decisões. Estudos indicam que essa área é uma das mais afetadas pela doença de Huntington, com perda progressiva de neurônios que leva a dificuldades motoras e mudanças de comportamento. A ideia é que as novas células possam integrar-se ao tecido cerebral, contribuindo para restaurar parte da função comprometida.

De acordo com a equipe de pesquisa, o objetivo inicial é verificar se o enxerto celular é seguro e bem tolerado pelos participantes. Em paralelo, os cientistas observam sinais secundários, como alterações em exames de imagem, desempenho em testes cognitivos e avaliação da coordenação motora. Esses parâmetros podem indicar se a terapia com células-tronco tem potencial para se tornar uma opção de tratamento para a doença de Huntington hereditária, indo além do controle exclusivo de sintomas.

  • Proteção de neurônios ainda preservados;
  • Substituição parcial das células já destruídas;
  • Possível melhora de funções motoras e cognitivas;
  • Avaliação de segurança em ambiente clínico controlado.

Quais são as etapas do estudo clínico com células-tronco?

O ensaio realizado na Universidade da Califórnia em Irvine está em fase inicial de testes clínicos, conhecida como fase de segurança. Nessa etapa, a atenção se concentra em identificar efeitos adversos relacionados ao implante, como inflamações, rejeições ou alterações inesperadas no funcionamento do cérebro. O acompanhamento é contínuo, com consultas periódicas, exames neurológicos e monitoramento por imagem para registrar qualquer mudança relevante.

No total, 22 pessoas com diagnóstico de doença de Huntington devem passar pelo procedimento, incluindo o primeiro paciente tratado em maio de 2026. A inclusão de novos voluntários ocorre de forma gradual, permitindo que a equipe analise as respostas individuais antes de avançar para o próximo caso. Esse ritmo controlado é considerado essencial para reduzir riscos e ajustar possíveis detalhes técnicos do transplante de células-tronco no corpo estriado.

  1. Seleção dos participantes com critérios clínicos e genéticos definidos;
  2. Realização do implante de células-tronco em centro especializado;
  3. Monitoramento intensivo nos primeiros meses após o transplante;
  4. Acompanhamento de longo prazo com exames neurológicos e de imagem;
  5. Análise conjunta dos dados ao final do período de seguimento.
O procedimento desenvolvido em Irvine consiste na implantação de células-tronco no corpo estriado, região profunda do cérebro envolvida em funções relacionadas ao movimento, à motivação e à tomada de decisões – depositphotos.com / dreamerb
O procedimento desenvolvido em Irvine consiste na implantação de células-tronco no corpo estriado, região profunda do cérebro envolvida em funções relacionadas ao movimento, à motivação e à tomada de decisões – depositphotos.com / dreamerb
Foto: Giro 10

Resultados preliminares e próximos passos da pesquisa

Até o momento, o primeiro paciente submetido ao tratamento experimental para doença de Huntington não apresentou efeitos adversos significativos, de acordo com os responsáveis pelo estudo. Pesquisadores classificam os dados iniciais como preliminares, mas promissores, sobretudo no que diz respeito à tolerabilidade do procedimento. A ausência de eventos graves nas primeiras semanas após o implante é considerada um elemento importante para a continuidade do ensaio clínico.

Os participantes serão acompanhados ao longo de vários anos, o que permitirá avaliar se há impacto sustentado na progressão da doença, no desempenho motor e nas funções cognitivas. Os resultados completos só devem ser divulgados após a conclusão do acompanhamento e a revisão detalhada dos dados por especialistas independentes, em publicação científica. Até lá, o estudo permanece como um passo inicial no uso de células-tronco na doença de Huntington, com foco central em segurança e na identificação de possíveis benefícios para futuras terapias.

Giro 10
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