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Estimulação elétrica apresenta resultados promissores

A técnica também pode ser indicada para outras situações em que, como no AVC, uma perda neurológica ocasionou sequelas motoras e cognitivas

8 set 2019
03h10
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Não é só no campo da psiquiatria que a estimulação elétrica transcraniana vem apresentando resultados promissores. Os estudos mais antigos e consolidados sobre a técnica mostram sua aplicação no tratamento de sequelas de acidente vascular cerebral (AVC) e dor crônica.

A técnica também pode ser indicada para outras situações em que, como no AVC, uma perda neurológica ocasionou sequelas motoras e cognitivas. Foi o caso de Cauã Gomes Ferreira, de 8 anos. Aos 9 meses, o menino teve um problema pulmonar que levou à falta de oxigenação cerebral. Foi diagnosticado meses depois com paralisia cerebral. O problema prejudicou a evolução do menino, que tem limitações motoras e ainda não fala.

No ano passado, a dona de casa Vivian dos Santos Gomes, de 38 anos, mãe de Cauã, soube do tratamento com estimulação transcraniana e decidiu aliar a técnica a outras terapias, como fonoaudiologia, terapia ocupacional e fisioterapia. Vivian conta que, ao iniciar o tratamento com as correntes elétricas, a primeira área cerebral foco da estimulação foi a responsável por questões comportamentais. "Ele estava muito agressivo com ele mesmo, se batia o tempo todo porque não conseguia se comunicar de outra forma. Então os eletrodos foram colocados nessa região da cabeça relacionada ao comportamento", relata. Ela diz que, após alguns meses de sessões, já observou mudanças no menino. "Eu diria que ele melhorou essa parte da agressividade em 80%."

Com os bons resultados, a equipe médica iniciou agora a estimulação da região do cérebro responsável pela fala. "Com algumas sessões, a gente vê que ele está conseguindo falar algumas sílabas e fazer sons que indicam se quer algo, o que já é um ganho para a comunicação dele e para que a gente o entenda melhor", diz a mãe.

Para entender

O tratamento de estimulação elétrica transcraniana estudado hoje difere totalmente da chamada eletroconvulsoterapia (ECT), praticada nos antigos manicômios. A técnica transcraniana de corrente contínua libera correntes de baixa intensidade (aproximadamente 2 miliamperes) sem grandes desconfortos para o paciente.

Já a eletroconvulsoterapia (ECT) é caracterizada pela liberação de altas correntes elétricas (até 1 mil amperes), o que provoca convulsões nos pacientes. Controversa, a técnica precisa ser feita sob anestesia geral do paciente e já foi classificada como prática de tortura.

Estadão
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