Entenda a emergência médica que matou criador de Dragon Ball
Akira Toriyama morreu aos 68 anos no dia 1º de março, vitíma de um hematoma subdural
Os fãs brasileiros da franquia de anime e mangá Dragon Ball foram surpreendidos nesta sexta-feira (8) com o anúncio do falecimento de Akira Toriyama, criador do universo animado que fez sucesso no Brasil.
O “pai” de ‘Dragon Ball Z’ e ‘Dragon Ball Super’ morreu aos 68 anos por causa de um hematoma subdural, no dia 1º de março. A informação, no entanto, só foi comunicada nesta sexta (8).
Em entrevista ao Terra, o neurocirurgião e especialista em doenças cerebrovasculares, Victor Espíndola, explica que o hematoma subdural é um sangramento agudo que acontece no cérebro, abaixo da dura-máter, uma das membranas que recobrem o cérebro.
O cérebro é revisto por três membranas: a pia-máter, a aracnóide e a dura-máter. A dura-máter é a membrana mais externa das três, abaixo dela é onde ocorre o sangramento subdural.
Fator de risco
O especialista conta que normalmente, pessoas que foram vítimas de um traumatismo craniano de alto impacto correm mais riscos de desenvolver um hematoma subdural. Espíndola destaca que não é qualquer tipo de trauma que causa o quadro.
Pessoas que fazem uso de medicações que alteram a coagulação sanguínea, como os anticoagulantes ou os anti-agregante plaquetário, também têm uma chance maior de ter esse hematoma.
“Tem que ser feita uma avaliação muito rápida porque se for um hematoma grande que está comprimindo o cérebro, causando um estado de hipertensão intracraniana, tem que operar o mais rápido possível, senão o paciente pode falecer ou sobreviver, mas ficar com sequelas graves”, alerta o profissional.
Sintomas
Felipe Mendes, médico neurocirurgião membro da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia, ressalta que os sintomas típicos de um hematoma subdural variam de acordo com a gravidade do quadro. Os indícios incluem:
- Dores de cabeça persistentes, sem alívio, mesmo com o uso de analgésicos comuns;
- Alteração do nível de consciência, inicialmente causando sonolência, contudo, à medida que o quadro avança, pode haver perda progressiva da consciência até atingir o estado de coma;
- Alteração comportamental e de personalidade;
- Perda da movimentação de um lado do corpo;
- Alteração da sensibilidade;
- Alteração da fala ou da linguagem;
- Crises convulsivas.
Diagnóstico
Mendes explica que o diagnóstico do hematoma subdural se inicia a partir do momento em que surgem sintomas neurológicos que precisam ser elucidados. Na investigação da causa desses sintomas, é realizada a consulta com exame clínico neurológico.
Para confirmar, é solicitado um exame de imagem. Tradicionalmente, o exame confirmatório é a tomografia computadorizada de crânio, mas também pode ser indicada a realização do exame de ressonância magnética.
Tratamento
No contexto de um hematoma subdural agudo ocorrido após um traumatismo craniano mais grave, o tratamento normalmente é cirúrgico, com a drenagem desse hematoma. “É um tratamento que precisa ser feito de forma imediata para garantir a sobrevivência do paciente”, destaca Mendes
Em relação aos hematomas subdurais crônicos, o tratamento é semelhante. Naquelas pessoas que possuem o hematoma e sintomas como alteração do nível de consciência, perda da movimentação de um lado do corpo, alteração de sensibilidade, de linguagem ou crise convulsiva, também é indicado o tratamento cirúrgico.
Para os casos em que os hematomas são pequenos e não há muita repercussão, pode ser realizado apenas o acompanhamento com exames de imagem seriados até que haja a sua completa absorção.
O médico indica que as pessoas não se exponham a condições em que haja um risco maior de sofrer um traumatismo craniano. Vale utilizar os cintos de segurança, respeitar os limites de velocidade, não dirigir em contexto de uso de bebidas alcoólicas, não se expor a situações em que haja risco elevado de quedas e, naquelas pessoas que necessitam fazer uso de medicamentos anticoagulantes, avaliar sempre os riscos e benefícios.
“No caso daqueles que fazem o uso abusivo de bebidas alcoólicas, tentar, sempre que possível, eliminar esse risco ou reduzir a quantidade de consumo”, sugere o especialista.
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