Elas já enfrentaram a depressão. Agora, cientistas buscam prevenir recaídas na gravidez e no pós-parto
A depressão na gravidez pode voltar mesmo quando tudo parece bem? Veja o que uma pesquisa descobriu sobre uma estratégia de prevenção.
Pesquisa da Universidade do Colorado revelou que o programa online Mindful Mood Balance for Moms reduz em 26% o risco de recaída de depressão em gestantes até seis meses pós-parto. A intervenção une mindfulness e terapia cognitivo-comportamental, sem substituir o uso de antidepressivos prescritos. No Brasil, iniciativa semelhante da PUCRS, o PROMATER, também investiga o apoio digital à saúde mental materna, mas ainda sem dados conclusivos sobre a eficácia na prevenção de recaídas.
Para uma mulher que já teve depressão, a gravidez e o período após o parto podem trazer o receio de os sintomas voltarem. Essa possibilidade merece atenção durante uma fase de tantas mudanças na rotina e no sono.
Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos identificou um caminho que pode ajudar a reduzir esse risco. Um programa online que combina atenção plena, conhecida como mindfulness, e técnicas da terapia cognitivo-comportamental foi associado a um risco 26% menor de recaída entre gestantes com histórico de depressão.
No Brasil, pesquisadores também investigam programas online voltados à saúde mental materna. Mas até que ponto essas iniciativas podem ajudar a evitar que a depressão volte durante a gestação ou depois do parto?
Como funciona a proposta de prevenção online
Chamado Mindful Mood Balance for Moms, o programa foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade do Colorado em Boulder, nos Estados Unidos.
Gratuito e realizado pela internet, ele reúne oito sessões com vídeos, áudios guiados e orientações de profissionais e outras mães.
As atividades ensinam técnicas para lidar com pensamentos difíceis, reconhecer sinais iniciais de depressão e responder à autocrítica com mais compreensão. Há também exercícios de atenção plena adaptados à rotina com um recém-nascido.
A proposta é ajudar as mulheres a reconhecer sinais de alerta e planejar como buscar apoio antes que os sintomas se agravem.
O que a pesquisa descobriu sobre o risco de recaída
Publicado na revista científica The Lancet Public Health, o estudo acompanhou 500 gestantes americanas que já haviam tido depressão, mas não estavam com depressão clínica no início da pesquisa.
Metade participou do programa online por 12 semanas. A outra metade recebeu os cuidados habituais. Até seis meses após o parto, as mulheres que fizeram o programa tiveram risco 26% menor de recaída.
Os pesquisadores também observaram benefícios relacionados à ansiedade e ao estresse.
O Brasil também pesquisa formas de prevenir a depressão materna
A busca por formas de cuidar da saúde mental durante a gravidez e após o parto também está em andamento no Brasil. Uma das iniciativas é o PROMATER, desenvolvido por pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).
O programa oferece atividades online voltadas à saúde mental materna, incluindo estratégias para lidar com pensamentos autocríticos e com as dificuldades emocionais da maternidade. A iniciativa ainda está sendo avaliada em pesquisa.
Embora tenha pontos em comum com o programa americano, não há resultados que permitam afirmar que o PROMATER reduz recaídas de depressão em gestantes. Portanto, ainda não é possível atribuir a ele o mesmo benefício observado no estudo dos Estados Unidos.
Também é importante destacar que o programa americano não foi testado como substituto dos antidepressivos. Cerca de três quartos das participantes dos dois grupos continuaram usando esses medicamentos durante o estudo.
Mulheres com histórico de depressão devem conversar com um profissional de saúde sobre como reduzir o risco de recaída durante a gestação e após o parto. Interromper ou alterar a medicação por conta própria pode trazer riscos.
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