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Dia Nacional de Mobilização Pró-Saúde da População Negra: entenda a importância da data

Dados sobre doenças crônicas, saúde bucal e acesso aos serviços ajudam a dimensionar desigualdades que ainda persistem no país

26 out 2026 - 21h31
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Resumo
Celebrado em 27 de outubro, o Dia Nacional de Mobilização Pró-Saúde da População Negra debate as desigualdades raciais e sociais que afetam o bem-estar de pretos e pardos no Brasil. Pesquisas como o Elsa-Brasil e dados do Cedra revelam maior prevalência de doenças crônicas, transtornos mentais e impactos do racismo na saúde física desse grupo, além de menor acesso a consultas odontológicas e planos privados, reflexos diretos de disparidades socioeconômicas e educacionais históricas no país.

O dia 27 de outubro marca o Dia Nacional de Mobilização Pró-Saúde da População Negra, data dedicada a ampliar o debate sobre desigualdades que ainda afetam o acesso aos cuidados e as condições de saúde de pessoas pretas e pardas no Brasil.

Indicadores de saúde da população negra revelam diferenças no acesso aos cuidados e na ocorrência de doenças crônicas
Indicadores de saúde da população negra revelam diferenças no acesso aos cuidados e na ocorrência de doenças crônicas
Foto: Ninthgrid/Pexels / Bons Fluidos

A mobilização também chama atenção para fatores sociais que interferem diretamente no bem-estar. A Política Nacional de Saúde Integral da População Negra, instituída em 2009 e posteriormente incorporada às normas de consolidação do Ministério da Saúde, reconhece o racismo e as desigualdades étnico-raciais entre os determinantes sociais da saúde.

O que os dados mostram sobre a saúde da População Negra?

Pesquisas realizadas no país ajudam a dimensionar essas diferenças. O Elsa-Brasil, que acompanha mais de 15 mil adultos e idosos, identificou maior presença de algumas doenças crônicas entre participantes negros em comparação aos brancos.

No início do acompanhamento, entre 2008 e 2010, 48% dos participantes pretos apresentavam hipertensão, 27% tinham diabetes e 11% conviviam com doença renal crônica. Entre as mulheres pretas, cerca de 10% apresentavam seis ou mais condições crônicas, enquanto 40% conviviam com transtornos mentais comuns, como ansiedade e depressão.

Ademais, o estudo mostrou que essas diferenças não aparecem de forma isolada. Condições socioeconômicas, escolaridade, local de moradia e experiências de discriminação podem expor determinados grupos a situações de estresse e a condições menos favoráveis à saúde ao longo da vida.

Entre os participantes pretos, 32% relataram ter sofrido discriminação racial. Segundo o Elsa-Brasil, essas experiências foram associadas a pior função renal, maior rigidez das artérias, aterosclerose — condição relacionada ao risco cardiovascular — e ganho de peso mais acelerado. Já morar em áreas de menor renda apareceu relacionado a uma maior ocorrência de hipertensão e diabetes.

Desigualdade também aparece no acesso aos cuidados

A saúde bucal é outro ponto em que os indicadores revelam diferenças. Um levantamento do Centro de Estudos e Dados sobre Desigualdades Raciais (Cedra), realizado em 2019, mostrou que 29,2% da população preta entrevistada nunca havia passado por consulta com um cirurgião-dentista ou não procurava esse profissional havia mais de três anos. Entre os participantes brancos, o percentual era de 20,1%.

A distância também apareceu no acesso a planos. Entre as pessoas pretas, 21,7% tinham plano de saúde ou odontológico, diante de 40% entre os brancos. Para a cirurgiã-dentista Patrícia Tozzo, integrante da Câmara Técnica de Saúde Coletiva do CROSP, a dificuldade envolve não apenas a existência de serviços, mas também as condições de acesso e o conhecimento sobre os recursos disponíveis.

"Eu acredito que o acesso é pouco para a maior parte da população, em especial pessoas negras, pelo histórico e educação que o país tem. Por conta dessas condições, talvez essas pessoas não desenvolveram entendimento sobre o acesso de saúde que elas possuem", ressaltou em um comunicado.

Bons Fluidos
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