PUBLICIDADE
URGENTE
Saiba como doar qualquer valor para o PIX oficial do Rio Grande do Sul

Dia Mundial da Luta Contra a Malária: entenda mais sobre esta data!

O dia 25 de abril enfatiza a necessidade da prevenção, tratamento e controle da doença transmitida por mosquitos.

25 abr 2024 - 05h00
Compartilhar
Exibir comentários
Uma mulher recebe medicação para tratar sua filha de quatro anos que sofre de malária no estado de Jonglei, Sudão do Sul
Uma mulher recebe medicação para tratar sua filha de quatro anos que sofre de malária no estado de Jonglei, Sudão do Sul
Foto: UNICEF/Mark Naftalin

O dia 25 de abril foi instituído pela Organização Mundial da Saúde (OMS), como data para reconhecer o esforço global para o controle efetivo da malária. A doença infecciosa febril aguda é causada por protozoários do gênero Plasmodium, transmitidos pela picada da fêmea infectada do mosquito do gênero Anopheles, também conhecido como mosquito-prego.

Dia Mundial da Luta contra a Malária

A data foi escolhida pela OMS em 2007, para marcar o reconhecimento aos esforços globais para o controle efetivo da doença. Além das medidas direcionadas à redução de casos, outra ação essencial a ser lembrada na data é o acompanhamento de pacientes, bem como o monitoramento de eventos adversos provocados pelo uso de medicamentos utilizados no tratamento da malária.  

 O que é a Malária 

A malária é transmitida através da picada da fêmea do mosquito do gênero Anopheles infectada por uma ou mais espécies de protozoário do gênero Plasmodium. O mosquito anofelino também é conhecido como carapanã, muriçoca, sovela, mosquito-prego e bicuda.

Estes mosquitos são mais abundantes ao entardecer e ao amanhecer. Porém, são encontrados picando durante todo o período noturno. Apenas as fêmeas de mosquitos do gênero Anopheles são capazes de transmitir a malária e a doença não pode ser transmitida pela água.

Os locais preferenciais escolhidos pelos mosquitos transmissores da malária para colocar seus ovos (criadouros) são coleções de água limpa, sombreada e de baixo fluxo.

O ciclo se inicia quando o mosquito pica um indivíduo com malária sugando o sangue com parasitos (plasmódios). No mosquito, os plasmódios se desenvolvem e se multiplicam. O ciclo se completa quando estes mosquitos infectados picam um novo indivíduo, infectando a pessoa com os parasitos.

De acordo com o Ministério da Saúde, qualquer pessoa pode contrair a malária e indivíduos que tiveram vários episódios de malária podem atingir um estado de imunidade parcial, apresentando poucos ou mesmo nenhum sintoma. 

A pasta destaca que, apesar disso, uma imunidade esterilizante, que confere total proteção clínica, até hoje não foi observada. Caso não seja tratado adequadamente, o indivíduo pode ser fonte de infecção por meses ou anos, de acordo com a espécie parasitária.

Criança cercada por mosquiteiro protetor contra a malária em Gana
Criança cercada por mosquiteiro protetor contra a malária em Gana
Foto: World Bank/Arne Hoel

Malária na atualidade

De acordo com os dados mais atualizados da OMS, foram registrados 249 milhões de casos de malária em todo o mundo e 608 mil mortes em decorrência da doença em 2022. Esses números representam 5 milhões a mais do que o número de casos registrados em 2021. Destes, 3,2 milhões ocorreram em países africanos: Uganda (0,6 milhões), Nigéria (1,3 milhões) e Etiópia (1,3 milhões). Os demais aconteceram na Papua-Nova Guiné (0,4 milhões) e Paquistão (2,1 milhões). 

Paraguai, Argentina, El Salvador, Azerbaijão, Belize e Tajiquistão foram certificados como livres de malária pela OMS em 2018, 2019, 2021 e 2023, respectivamente.

No Brasil, a maioria dos casos de malária se concentram na região amazônica, composta pelos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins, segundo dados do Ministério da Saúde. 

Dados do Ministério apontam que em 2020, foram registrados 143.403 casos autóctones de malária no país, uma redução de 6,4% em comparação ao ano anterior e em 2021 foram 139.112 casos autóctones, representando uma redução de quase 3% em relação a 2020. 

Impacto da malária na saúde pública

Gestantes, crianças e pessoas infectadas pela primeira vez estão sujeitas a maior gravidade da doença, principalmente por infecções pelo P. falciparum, que, se não tratadas adequadamente e em tempo hábil, podem ser letais. Os sintomas mais comuns da malária são:

  • Febre Alta;
  • Calafrios;
  • Tremores;
  • Sudorese;
  • Dor de cabeça, que podem ocorrer de forma cíclica.

Muitas pessoas, antes de apresentarem estas manifestações mais características, sentem náuseas, vômitos, cansaço e falta de apetite. A malária grave caracteriza-se por um ou mais desses sinais e sintomas:

  • Prostração;
  • Alteração da consciência;
  • Dispneia ou hiperventilação;
  • Convulsões;
  • Hipotensão arterial ou choque;
  • Hemorragias.

Prevenção e controle

Não existe vacina contra a malária no Brasil. A vacina disponível RTS,S/AS01 serve apenas para alguns países africanos com alta transmissão de malária por Plasmodium falciparum e é exclusiva para crianças pequenas. 

De acordo com o Ministério da Saúde, algumas substâncias capazes de gerar imunidade para a malária estão sendo estudadas no Brasil e no mundo, mas os resultados encontrados ainda não são satisfatórios para a implantação da vacinação como medida de prevenção da malária. 

Para tratamento dessa doença, um dos medicamentos utilizados é a primaquina. A prescrição e a dispensação dos antimaláricos no Brasil devem ser feitas apenas com resultado laboratorial confirmatório.

A pasta destaca que no Brasil, quase 90% da malária é causada pelo Plasmodium vivax e não há ainda previsão de alguma vacina eficaz para esta espécie.

Entre as principais medidas de prevenção individual da malária estão:

  • Uso de mosquiteiros;
  • Roupas que protejam pernas e braços;
  • Telas em portas e janelas;
  • Uso de repelentes.

Já as medidas de prevenção coletiva contra malária são:

  • Borrifação residual intradomiciliar;
  • Uso de mosquiteiros impregnados com inseticida de longa duração;
  • Drenagem e aterro de criadouros;
  • Pequenas obras de saneamento para eliminação de criadouros do vetor;
  • Limpeza das margens dos criadouros;
  • Modificação do fluxo da água;
  • Controle da vegetação aquática;
  • Melhoramento da moradia e das condições de trabalho;
  • Uso racional da terra.

Desafios e obstáculos

O último relatório anual da OMS sobre a situação da malária no mundo, destacou, além dos desafios tradicionais associados à doença, como aumento da resistência dos parasitas aos medicamentos e a falta de financiamento para pesquisas, o agravamento da situação epidemiológica por conta do aquecimento global.

De acordo com Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da Organização, a mudança climática representa um risco substancial para o progresso no combate à malária, especialmente em regiões vulneráveis. 

“Respostas sustentáveis e resilientes são necessárias agora mais do que nunca, juntamente com ações urgentes para abrandar o ritmo do aquecimento global e reduzir os seus efeitos”, disse o diretor-geral.

O relatório ainda ressalta que mudanças de temperatura, padrões de chuva e de umidade podem influenciar o comportamento e a sobrevivência do vetor da malária, o mosquito Anopheles.

Eventos climáticos extremos, como tempestades e ondas de calor, também podem ter impacto na transmissão da doença, como perturbações na cadeia de abastecimento de medicamentos, vacinas e inseticidas para combater os mosquitos transmissores.

“O deslocamento da população devido a fatores induzidos pelo clima também pode levar ao aumento da malária, à medida que indivíduos sem imunidade migram para áreas endêmicas”, disse Ghebreyesus.

A diretora regional da OMS para África, Matshidiso Moeti, afirmou que é crucial reconhecer a multiplicidade de ameaças que impedem os esforços de resposta. Segundo ela, a mudança climática representa um risco substancial, mas também é necessário enfrentar desafios como:

  • Acesso limitado aos cuidados de saúde;
  • Conflitos e emergências em curso;
  • Efeitos persistentes da covid-19 na prestação de serviços;
  • Financiamento inadequado;
  • Implementação desigual das principais intervenções contra a malária.

A importância da educação e conscientização

O Ministério da Saúde destaca a necessidade de que desde o agente comunitário de saúde até o médico, orientem os pacientes adequadamente e com uma linguagem compreensível sobre a malária. As informações quanto ao tipo de medicamento que está sendo oferecido, a forma de ingeri-lo e os respectivos horários e a importância de se completar o tratamento é de extrema importância. 

“Muitas vezes, os pacientes são pessoas que não dispõem nem mesmo de relógio para verificar as horas. O uso de expressões mais simples, como manhã, tarde e noite, para a indicação do momento da ingestão do remédio é recomendável. A expressão de 8 em 8 horas ou de 12 em 12 horas muitas vezes não ajuda o paciente a saber quando deve ingerir os medicamentos”, recomenda a pasta. 

Sempre que possível, também deve-se orientar os acompanhantes ou responsáveis, além dos próprios pacientes, pois estes geralmente encontram-se desatentos, devido à febre, dor e mal-estar causados pela doença.

Caso surjam urina escura, icterícia (pele e olhos amarelos), tontura ou falta de ar, os profissionais devem orientar o paciente a buscar urgentemente auxílio médico. Sempre que possível, deve-se optar pela supervisão das doses dos medicamentos para garantir uma melhor adesão ao tratamento.

Iniciativas e ações no Dia Mundial de Luta contra a Malária

A ONU desenvolveu o “Plano de Ação para a Eliminação da Malária 2021-2025” em consulta com países e parceiros regionais como um quadro de referência para orientar os esforços dos países e as contribuições de doadores e parceiros para a eliminação da doença nas Américas. 

O documento busca orientar os planos nacionais e promover uma abordagem interprogramática e intersetorial, além de esforços conjuntos entre países e parceiros.

O Plano ainda promove uma ação sistemática de detecção, diagnóstico e resposta, que deve ser implementada em massa e monitorada programaticamente e destaca a necessidade de abordar os principais focos de malária em cada país com soluções operacionais específicas e baseadas em informações.

O relatório de 2023 da ONU registra que houve uma queda de 13% das mortes na primeira infância por todas as causas, em comparação com áreas onde a primeira vacina contra a doença não foi introduzida. Uma avaliação da vacina RTS,S/AS01 indicou uma redução expressiva de quadros graves de malária entre os imunizados.

Em outubro de 2023, a OMS recomendou uma segunda vacina contra a doença, a R21/Matrix-M. A expectativa da entidade é conseguir aumentar a oferta e a distribuição em larga escala no continente africano, atualmente o mais atingido pela doença.

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) atua nesse monitoramento por meio da Gerência de Farmacovigilância (GFARM), vinculada à Gerência-Geral de Monitoramento de Produtos Sujeitos à Vigilância Sanitária (GGMON).

Os objetivos do trabalho são o aumento da segurança do uso de medicamentos, o estímulo à notificação de erros de medicação e a melhoria de processos de análise e de monitoramento de tratamentos de pacientes.  

Com relação à malária, a GFARM/GGMON destaca a realização do projeto-piloto “Fortalecimento da Farmacovigilância e Adesão ao Tratamento da Malária na Região das Américas (VigilADMa)”. 

Os objetivos do projeto foram monitorar pessoas em tratamento, detectar possíveis eventos adversos, orientar sobre essas ocorrências e alterar o esquema terapêutico, quando necessário.    

Para otimizar o trabalho dos profissionais de saúde e garantir a padronização dos procedimentos necessários para o tratamento da malária, o Guia de Tratamento da Malária no Brasil apresenta tabelas e quadros com todas as orientações relevantes sobre a indicação e uso dos antimaláricos preconizados no Brasil de acordo com a espécie parasitária, o grupo etário e o peso dos pacientes.

20 doenças tropicais devastadoras e negligenciadas de acordo com a OMS 20 doenças tropicais devastadoras e negligenciadas de acordo com a OMS

Fonte: Redação Terra Você
Compartilhar
Publicidade
Publicidade