Dengue: diversos municípios brasileiros entram em alerta; veja como se prevenir
Levantamento do Ministério da Saúde revela que 49,2% das cidades avaliadas apresentam risco ou alerta para o mosquito; saiba quais cuidados adotar em casa
Apesar da queda de quase 70% nos casos de dengue em 2026, 49,2% dos municípios brasileiros estão em alerta ou risco de infestação pelo Aedes aegypti, segundo o Ministério da Saúde. A maioria dos criadouros situa-se em residências, como pequenos recipientes e reservatórios de água. Diante de riscos climáticos como o El Niño e projeções de alta para 2027, as autoridades reforçam a necessidade de eliminar água parada, usar repelentes e manter a vacinação em dia.
Mesmo com a redução dos casos de dengue no Brasil em 2026, o combate ao mosquito Aedes aegypti continua exigindo atenção. Um novo levantamento do Ministério da Saúde revelou que 49,2% dos municípios analisados apresentam índices de infestação classificados como alerta ou risco. O dado preocupa especialmente porque boa parte dos locais onde o mosquito se reproduz está dentro das próprias casas ou em seus arredores.
O estudo, realizado entre maio e agosto deste ano, mostra que objetos comuns, como vasos de plantas, garrafas, pneus e recipientes utilizados para armazenar água, estão entre os principais criadouros. Com a possibilidade de mudanças nas condições climáticas nos próximos meses, as autoridades reforçam a importância de manter os cuidados preventivos durante todo o ano.
Onde estão os principais focos do mosquito da dengue?
O segundo ciclo do Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa) identificou os ambientes que mais favorecem a proliferação do inseto, responsável pela transmissão da dengue, Zika e chikungunya.
De acordo com os resultados, 42,3% dos criadouros encontrados estavam em pequenos recipientes, como pratos de plantas, vasos, garrafas e outros objetos capazes de reter água. Em seguida, aparecem os reservatórios utilizados para armazenamento de água, responsáveis por 26,1% dos focos. Pneus, entulhos e resíduos descartados inadequadamente representam outros 23%.
O levantamento também apontou diferenças entre as regiões brasileiras. No Norte, o problema está mais concentrado em pneus e materiais descartados. No Nordeste, os depósitos de água merecem atenção especial. Já no Sudeste, Sul e Centro-Oeste, os pequenos recipientes domésticos aparecem como os principais locais de reprodução.
Esses dados mostram que o combate ao mosquito não depende apenas de grandes ações de limpeza urbana. Pequenas atitudes dentro de casa também podem contribuir para interromper seu ciclo de reprodução.
Casos de dengue diminuíram, mas risco permanece
Apesar do cenário de atenção, os números de 2026 mostram uma melhora importante em relação ao ano anterior. Segundo o Ministério da Saúde, até 26 de setembro foram registrados aproximadamente 470,5 mil casos prováveis de dengue, contra 1,5 milhão no mesmo intervalo de 2025. A diferença representa uma redução próxima de 70%.
Outras doenças transmitidas por mosquitos também apresentaram queda. Os registros de chikungunya passaram de 118.885 para 67.902, enquanto os de Zika diminuíram de 3.724 para 2.141.
Entretanto, a diminuição das notificações não significa que o perigo tenha desaparecido. O Aedes aegypti continua circulando, e a combinação de temperaturas elevadas, chuvas e recipientes com água acumulada pode favorecer novos focos.
El Niño pode aumentar o risco de novos casos
Outro fator que preocupa as autoridades sanitárias é a possibilidade de influência do fenômeno climático El Niño sobre a circulação de doenças transmitidas por vetores.
As alterações no regime de chuvas e nas temperaturas podem criar condições favoráveis à reprodução dos mosquitos. Em algumas localidades, o aumento das precipitações facilita o acúmulo de água. Em outras, períodos de estiagem podem levar as famílias a armazenar água em recipientes que, quando mal protegidos, também se tornam criadouros.
Projeções do InfoDengue, em parceria com a Fiocruz, indicam a possibilidade de aproximadamente 1,7 milhão de casos de dengue em 2027. Trata-se de uma estimativa, e não de um número confirmado. Diante desse cenário, o Ministério da Saúde orienta os municípios a reforçarem a identificação de focos, o acompanhamento dos casos e as medidas de controle da transmissão.
Como evitar a dengue? Veja cuidados essenciais
A prevenção começa com a eliminação de locais onde o mosquito pode depositar seus ovos. Além disso, algumas medidas ajudam a diminuir o contato com o inseto e, consequentemente, o risco de infecção.
1. Elimine qualquer acúmulo de água
Reserve alguns minutos da semana para verificar o quintal, a varanda e os ambientes internos. Pratos de plantas, baldes, garrafas e embalagens esquecidas podem acumular água e favorecer o desenvolvimento das larvas. O ideal é eliminar esses depósitos e higienizar regularmente os recipientes que precisam permanecer em uso.
2. Mantenha caixas-d'água e reservatórios fechados
Tonéis, cisternas e caixas-d'água devem estar sempre bem vedados, sem aberturas que permitam a entrada do mosquito. Também é importante verificar se as tampas estão em boas condições e se não há água acumulada na parte externa.
3. Cuide das plantas e dos jardins
Quem gosta de cultivar plantas precisa redobrar a atenção. Evite deixar água nos pratinhos e prefira modelos que não favoreçam seu acúmulo. Bromélias e outras plantas que armazenam água entre as folhas também merecem inspeções frequentes.
4. Limpe calhas, ralos e áreas externas
Folhas, sujeira e resíduos podem obstruir a passagem da água, criando pequenas poças. Por isso, mantenha calhas desobstruídas, cuide dos ralos e observe locais menos utilizados, como áreas de serviço, garagens e corredores.
5. Use repelentes e barreiras de proteção
Além de combater os criadouros, é importante reduzir a exposição às picadas. Repelentes regularizados pela Anvisa, aplicados conforme as instruções do fabricante, ajudam nessa proteção. Roupas que cubram braços e pernas, telas nas janelas e mosquiteiros também são alternativas úteis, especialmente para crianças.
6. Verifique a vacinação contra a dengue
A imunização é outra ferramenta importante de prevenção. Em 2026, o SUS ampliou sua estratégia, com a vacina Qdenga recomendada para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos e a vacina do Instituto Butantan destinada à faixa de 15 a 59 anos, conforme as etapas e os públicos prioritários definidos pelo Ministério da Saúde.
Como a disponibilidade depende da estratégia de vacinação vigente, é importante consultar uma unidade de saúde para verificar quem pode receber o imunizante.
Prevenção deve fazer parte da rotina
O Ministério da Saúde reforça que os cuidados contra o Aedes aegypti precisam ser mantidos mesmo nos períodos em que os casos diminuem. Afinal, a presença do mosquito não se limita aos meses mais quentes, e seus criadouros podem surgir em diferentes épocas do ano.
A recomendação é realizar inspeções domésticas pelo menos uma vez por semana, além de comunicar à vigilância ambiental do município a existência de terrenos ou espaços públicos com possíveis focos.
A prevenção é uma responsabilidade compartilhada. Ao eliminar pequenos depósitos de água e manter os ambientes protegidos, cada pessoa contribui para reduzir a circulação do mosquito e proteger a saúde de toda a comunidade.
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