Câncer de próstata e Novembro Azul: alertas e cuidados essenciais
Médico explica fatores de risco, sinais de atenção e como funciona a investigação da doença
O câncer de próstata, tumor mais frequente entre os homens no Brasil com previsão de quase 78 mil casos anuais, costuma ser silencioso no início. Por isso, a campanha Novembro Azul alerta que a ausência de dor não descarta a doença. Fatores como idade e histórico familiar exigem avaliação médica individualizada para indicar exames como PSA e toque retal. Alterações urinárias nem sempre indicam malignidade, mas demandam investigação, e os tratamentos variam desde cirurgia até vigilância ativa.
O câncer de próstata pode se desenvolver sem provocar sintomas nas fases iniciais. Por isso, esperar sentir dor ou perceber alterações ao urinar para procurar orientação médica pode atrasar a investigação da doença.
Segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar 77.920 novos casos por ano entre 2026 e 2028. O tumor é o mais frequente entre os homens, quando excluídos os cânceres de pele não melanoma.
Durante o Novembro Azul, a atenção se volta à importância do diagnóstico e do acompanhamento. No entanto, a ausência de desconforto também merece atenção, já que não significa necessariamente que a próstata esteja saudável.
Para Ricardo Brandina, urologista e professor adjunto do Departamento de Urologia da PUCPR, a avaliação não deve depender apenas dos sintomas percebidos pelo paciente.
"O homem não deve usar apenas o que sente como referência para saber se precisa de avaliação. A conversa com o médico considera idade, histórico familiar e condições de saúde para definir os próximos passos", explica Brandina.
O médico coordena o Programa de Cirurgia Robótica do Hospital Evangélico de Londrina e atua na formação prática da pós-graduação realizada pela instituição em parceria com o Hospital Israelita Albert Einstein.
Quem tem maior risco de desenvolver câncer de próstata?
O envelhecimento é um dos principais fatores associados ao aumento do risco de câncer de próstata. O histórico familiar também merece atenção, especialmente quando pai ou irmão recebeu o diagnóstico antes dos 60 anos.
Por isso, informar ao médico sobre casos da doença na família é importante durante a avaliação. Esse antecedente ajuda a orientar os próximos passos, mas sua ausência não elimina a possibilidade de desenvolver o tumor.
A decisão sobre investigar a doença também depende das condições de saúde e das características individuais de cada homem.
Exames de próstata devem ser feitos por todos os homens?
Não necessariamente. Para homens sem sintomas, a realização de exames precisa considerar os possíveis benefícios e riscos da investigação.
O Ministério da Saúde e o INCA não recomendam o rastreamento populacional do câncer de próstata. Essa prática consiste na realização sistemática de testes em pessoas sem queixas ou sinais da doença.
A orientação considera questões como resultados falsamente alterados e a identificação de tumores que poderiam nunca representar uma ameaça à vida.
Quando existe indicação médica, o PSA e o toque retal podem ajudar na investigação. No entanto, nenhum dos dois confirma o diagnóstico isoladamente.
O PSA é um exame de sangue que avalia uma substância produzida pela próstata. Uma alteração no resultado também pode estar relacionada a condições benignas, e não necessariamente a um tumor.
A confirmação do câncer depende da biópsia, solicitada conforme a avaliação médica.
Alterações ao urinar nem sempre indicam câncer
A partir dos 40 anos, alguns homens podem apresentar crescimento benigno da próstata e alterações urinárias. Essas queixas se tornam mais frequentes com o envelhecimento.
Uma das condições associadas a esse quadro é a hiperplasia prostática benigna (HPB), caracterizada pelo aumento benigno da próstata.
É importante diferenciar as duas doenças: a HPB não se transforma em câncer e não é considerada um fator de risco para o tumor. Apesar disso, as condições podem coexistir.
Por esse motivo, alterações urinárias precisam ser investigadas, sem concluir automaticamente que sejam consequência de um câncer.
Quais sintomas do câncer de próstata merecem atenção?
O câncer de próstata pode não provocar sinais nas fases iniciais. Ainda assim, algumas alterações urinárias devem motivar uma avaliação médica, principalmente quando persistem ou pioram.
Entre os sinais que merecem atenção estão:
- Jato urinário mais fraco ou que para e recomeça.
- Dificuldade para começar a urinar ou necessidade de fazer força.
- Sensação de que a bexiga não esvaziou completamente.
- Vontade de ir ao banheiro com mais frequência ou urgência.
- Necessidade de levantar várias vezes durante a noite para urinar.
- Presença de sangue na urina.
Essas manifestações também podem estar relacionadas a condições benignas. Portanto, não significam necessariamente a presença de um tumor.
O importante é observar quando as mudanças começaram, se estão piorando e quanto interferem na rotina.
"Vale observar há quanto tempo a mudança começou, se está piorando e quanto atrapalha a rotina. Essas informações ajudam na consulta. Não é preciso esperar sentir dor ou ter uma dificuldade intensa para buscar avaliação", orienta Brandina.
Quando procurar atendimento médico imediatamente?
Alguns sinais exigem atenção mais rápida e não devem ser confundidos apenas com sintomas de câncer de próstata.
A incapacidade de urinar exige atendimento imediato, principalmente quando vem acompanhada de dor na parte inferior do abdome.
Já a presença de sangue na urina precisa ser investigada prontamente, mesmo quando não provoca desconforto.
Febre associada a ardência ao urinar, calafrios ou indisposição também deve motivar atendimento rápido. Esses sinais não são exclusivos do câncer e podem estar relacionados a outras condições.
Como é definido o tratamento do câncer de próstata?
Quando o diagnóstico é confirmado, a escolha do tratamento depende das características do tumor e das condições de saúde do paciente.
Entre as possibilidades estão a vigilância ativa, indicada em casos selecionados, a cirurgia, a radioterapia e os tratamentos com medicamentos.
Isso significa que nem todo diagnóstico exige uma operação imediata. A definição da conduta considera a necessidade de intervenção e os possíveis benefícios e riscos de cada alternativa.
"Antes de discutir uma técnica, precisamos explicar o que o paciente tem, se há necessidade de intervenção e quais benefícios e riscos estão envolvidos", afirma o médico.
Essa avaliação individualizada também orienta o ULTRA360, método de atendimento de Brandina que reúne análise do caso, planejamento cirúrgico quando indicado e acompanhamento após o procedimento.
Novembro Azul reforça a importância do acompanhamento
A campanha é uma oportunidade para ampliar as conversas sobre a saúde masculina e esclarecer dúvidas relacionadas ao câncer de próstata.
Homens sem sintomas também podem conversar com o médico sobre fatores de risco, como idade e histórico familiar, além de discutir os possíveis benefícios e limites dos exames de detecção.
Essa decisão deve ser individualizada, considerando as condições de cada paciente.
"O Novembro Azul pode iniciar essa conversa, mas o acompanhamento não deve ficar restrito à campanha. O objetivo é identificar o que precisa de investigação e escolher a conduta adequada para cada paciente", conclui Brandina.
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