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Câncer de boca e garganta por HPV cresce entre jovens e reforça alerta para prevenção

Entenda os riscos

7 ago 2026 - 16h11
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Resumo
O perfil de pacientes com câncer de orofaringe mudou: agora afeta mais jovens, entre 30 e 45 anos, sem histórico de tabagismo. O principal vilão? O HPV, que pode causar tumores em regiões como a garganta. Vacinação precoce e atenção a sintomas persistentes, como feridas na boca, são essenciais para prevenção e diagnóstico precoce. 💉

Cirurgiã de cabeça e pescoço explica por que o perfil dos pacientes mudou, a importância da vacinação contra o HPV e os sinais que exigem investigação precoce

Durante décadas, o câncer de boca e garganta esteve fortemente associado ao consumo de cigarro e álcool. Nos últimos anos, porém, especialistas têm observado uma mudança importante no perfil dos pacientes: os tumores de orofaringe, região que envolve amígdalas, base da língua e garganta, passaram a atingir também adultos mais jovens, muitos deles sem histórico de tabagismo.

Foto de El S na Unsplash
Foto de El S na Unsplash
Foto: Revista Malu

Um dos principais responsáveis por essa transformação é o Papilomavírus Humano (HPV), especialmente alguns subtipos considerados de alto risco, que podem provocar alterações celulares capazes de evoluir para câncer ao longo dos anos. A transmissão ocorre principalmente por contato sexual, incluindo práticas como o sexo oral.

Segundo a cirurgiã de cabeça e pescoço Dra. Débora Vianna, PhD pela Faculdade de Medicina da USP, membro da American Head and Neck Society (AHNS) e especialista no tratamento cirúrgico de tumores de cabeça e pescoço, a medicina tem acompanhado uma mudança epidemiológica significativa.

"O câncer de orofaringe relacionado ao HPV apresenta um perfil diferente daquele tradicionalmente associado ao tabagismo. Estamos observando pacientes mais jovens, muitas vezes entre 30 e 45 anos, sem histórico de consumo de cigarro, mas que desenvolveram tumores relacionados à infecção pelo vírus", explica.

O que é o HPV

O HPV é um vírus extremamente comum e, na maioria das pessoas, o sistema imunológico consegue eliminá-lo naturalmente. O problema acontece quando a infecção persiste por longos períodos e provoca alterações nas células das mucosas.

"A presença do HPV não significa que a pessoa terá câncer. A grande maioria das infecções desaparece espontaneamente. Porém, em alguns casos, principalmente quando envolve tipos virais de maior risco e existe persistência da infecção, podem ocorrer alterações celulares progressivas que levam ao desenvolvimento de tumores", afirma a especialista.

A região da orofaringe possui características que favorecem a instalação desses tumores relacionados ao vírus. Amígdalas e base da língua apresentam estruturas chamadas criptas, onde o HPV pode permanecer por períodos prolongados.

"Os tumores relacionados ao HPV costumam surgir em áreas profundas da garganta e, muitas vezes, não apresentam sintomas no início. Por isso, o diagnóstico pode acontecer em fases mais avançadas, quando o paciente percebe alterações persistentes", destaca Dra. Débora Vianna.

Sintomas

Entre os sinais de alerta estão feridas na boca que não cicatrizam, dor ou dificuldade para engolir, sensação de algo preso na garganta, rouquidão persistente, caroços no pescoço, sangramentos sem causa aparente e alterações na voz.

"Uma lesão na boca que permanece por mais de duas semanas precisa ser investigada. Muitas pessoas esperam acreditando que uma ferida vai desaparecer sozinha, mas a avaliação precoce é fundamental para diferenciar uma alteração benigna de uma possível lesão suspeita", alerta.

A prevenção tem como uma das principais estratégias a vacinação contra o HPV. Indicada principalmente para adolescentes antes do início da vida sexual, a vacina oferece proteção contra os principais tipos do vírus associados ao desenvolvimento de câncer.

"A vacinação contra o HPV é uma das ferramentas mais importantes de prevenção do câncer relacionado ao vírus. Ela funciona melhor quando aplicada antes da exposição ao HPV, por isso a recomendação para adolescentes é tão importante. Estamos falando de uma estratégia capaz de prevenir diferentes tipos de câncer no futuro", explica a cirurgiã.

Prevenção

Além da vacinação, a especialista reforça a importância de consultas médicas diante de sintomas persistentes e da avaliação odontológica regular.

"A saúde da boca não deve ser observada apenas pela presença de cáries ou problemas dentários. Alterações nas mucosas, feridas, manchas, nódulos ou mudanças que não desaparecem precisam ser avaliadas por profissionais capacitados", afirma.

O tratamento dos tumores de cabeça e pescoço depende do tipo, localização e estágio da doença. Pode envolver cirurgia, radioterapia, quimioterapia ou uma combinação dessas estratégias.

"Os tumores relacionados ao HPV costumam responder melhor aos tratamentos quando comparados a alguns tumores associados ao tabaco, principalmente quando diagnosticados precocemente. Mas isso não significa que devemos esperar os sintomas aparecerem. A prevenção e o diagnóstico inicial continuam sendo os maiores aliados", ressalta Dra. Débora Vianna.

A especialista destaca ainda a importância de combater a desinformação sobre a transmissão do HPV.

"O HPV é uma infecção muito prevalente e faz parte da realidade da população. Falar sobre ele é uma forma de prevenção. A informação permite que adolescentes e adultos adotem medidas de proteção, realizem a vacinação e procurem atendimento diante de sinais suspeitos", afirma.

Para Dra. Débora Vianna, a mudança no perfil dos pacientes reforça a necessidade de ampliar o olhar sobre o câncer de cabeça e pescoço.

"O câncer de boca e garganta não deve mais ser associado apenas ao fumante. O HPV mudou esse cenário e trouxe novos desafios para a prevenção. A vacina, o acompanhamento médico e a atenção aos sinais do corpo são fundamentais para reduzir o impacto dessa doença", conclui.

Revista Malu Revista Malu
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