Bile humana pode ser um reservatório oculto de microplásticos
03 de agosto de 2026 (Bibliomed). Os microplásticos podem estar fazendo mais do que simplesmente atravessar o corpo humano. Um novo estudo encontrou essas partículas em todas as amostras de bile humana testadas e demonstraram que a exposição prolongada a baixas doses pode levar as células do ducto biliar a um estado senescente e disfuncional.
Os pesquisadores identificaram seis tipos principais de polímeros, com o tereftalato de polietileno e o polietileno predominando nas amostras, e descobriram que a maioria das partículas tinha entre 20 e 50µm de tamanho. Eles também mostraram que esse dano estava ligado à disfunção mitocondrial, uma característica do estresse celular e do envelhecimento. De forma encorajadora, a melatonina ajudou a preservar a função mitocondrial e reduziu os efeitos tóxicos, apontando para uma possível estratégia para limitar os danos biliares causados por fatores ambientais.
Os pesquisadores coletaram bile de 14 pacientes submetidos a cirurgia, incluindo cinco sem cálculos biliares e nove com cálculos biliares, utilizando protocolos rigorosos livres de plástico para evitar contaminação. Eles combinaram pirólise-cromatografia gasosa-espectrometria de massa, espectroscopia infravermelha direta a laser e microscopia eletrônica de varredura para identificar os tipos de polímeros, estimar as concentrações e caracterizar o tamanho e a morfologia das partículas. Microplásticos foram encontrados em todas as amostras. Pacientes com cálculos biliares apresentaram cargas de microplástico maiores.
As partículas reduziram o ATP, aumentaram as espécies reativas de oxigênio mitocondrial, promoveram a fissão mitocondrial relacionada à Drp1 e diminuíram o potencial da membrana mitocondrial. A melatonina reverteu grande parte desse dano e suprimiu marcadores inflamatórios, incluindo IL-6 e TNF-a. Segundo os autores, isso sugere que a bile pode atuar como um reservatório e via de excreção de microplásticos, até então pouco reconhecido, além de revelar que a exposição crônica pode causar o envelhecimento dos colangiócitos por meio de lesão mitocondrial. Igualmente importante, a descoberta de que a melatonina atenua esses efeitos oferece um ponto de partida biologicamente plausível para intervenções de proteção, embora estudos maiores em humanos ainda sejam necessários.
Fonte: Environmental Science and Ecotechnology. DOI: 10.1016/j.ese.2026.100686.
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