Anvisa aprova novo medicamento em caneta que combina insulina e semaglutida para diabetes
Kyinsu reúne dois princípios ativos em uma única aplicação e é indicado para adultos com diabetes tipo 2
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta segunda-feira (28) o registro do Kyinsu, novo medicamento destinado ao tratamento de adultos com diabetes mellitus tipo 2. Produzido pela farmacêutica Novo Nordisk, o produto combina dois princípios ativos, a insulina icodeca e a semaglutida, em uma única solução injetável de aplicação semanal.
A principal novidade está justamente na combinação dos dois componentes. Segundo informações regulatórias, o Kyinsu é o primeiro medicamento a reunir, em dose fixa, uma insulina basal e um agonista do receptor de GLP-1 para administração uma vez por semana. A proposta é oferecer uma alternativa para pacientes que precisam intensificar o tratamento para alcançar um controle adequado da glicemia.
Para quem o Kyinsu é indicado?
O medicamento foi aprovado para adultos com diabetes tipo 2 que não apresentam controle suficiente da doença mesmo utilizando insulina basal ou medicamentos agonistas do receptor de GLP-1. O tratamento deve ser associado à dieta, à prática de exercícios e a medicamentos antidiabéticos administrados por via oral, conforme a indicação médica.
A insulina icodeca é uma insulina basal de ação prolongada desenvolvida para aplicação semanal. A Anvisa já havia registrado a substância no Brasil, em 2025, no medicamento Awiqli, também destinado ao tratamento do diabetes e administrado uma vez por semana.
Já a semaglutida pertence à classe dos agonistas do receptor de GLP-1. Ela atua de maneira semelhante ao hormônio GLP-1 produzido pelo organismo e contribui para o controle da glicose no sangue. A substância já é utilizada em diferentes medicamentos aprovados no Brasil para o tratamento do diabetes tipo 2.
O Kyinsu é administrado por injeção subcutânea. Na Europa, onde o medicamento também foi autorizado, a aplicação é feita uma vez por semana e pode ocorrer em regiões como coxa, braço ou abdômen, de acordo com as orientações médicas.
A combinação dos dois princípios ativos em uma mesma aplicação busca simplificar o esquema terapêutico de pacientes que precisam utilizar as duas classes de medicamentos.
A aprovação europeia foi baseada em três estudos principais que envolveram mais de 2.600 adultos com diabetes tipo 2 inadequadamente controlado com insulina basal ou agonistas de GLP-1. Os estudos avaliaram principalmente a hemoglobina glicada (HbA1c), indicador utilizado para acompanhar o controle da glicose no sangue.
Kyinsu é igual ao Ozempic?
Embora o Kyinsu contenha semaglutida, o medicamento não é simplesmente uma nova versão do Ozempic. A diferença está principalmente na composição. O Ozempic utiliza semaglutida como princípio ativo, enquanto o Kyinsu combina semaglutida com a insulina icodeca em uma única formulação. Dessa forma, são medicamentos diferentes, com indicações e características próprias.
A semaglutida também está presente em outros medicamentos aprovados pela Anvisa para tratar também a obesidade. Em 2026, a agência autorizou novos produtos contendo a substância, ampliando as opções terapêuticas disponíveis para pacientes com diabetes tipo 2.
Novo medicamento já pode ser comprado?
O registro concedido pela Anvisa é o passo regulatório que permite a comercialização do medicamento no Brasil, mas a chegada efetiva às farmácias depende de etapas posteriores, incluindo a definição do preço máximo pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) e da decisão da empresa sobre quando iniciar a comercialização.
Além disso, o registro na Anvisa não significa automaticamente que o medicamento estará disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Para isso, é necessária uma avaliação específica pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) e posterior decisão do Ministério da Saúde.
O Kyinsu é um medicamento de prescrição e seu uso deve ser definido por profissional de saúde, levando em consideração o quadro clínico e o tratamento que o paciente já realiza.
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