Anvisa alerta: forma de cozinhar alimentos pode aumentar risco de substância potencialmente cancerígena
O alerta da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), divulgado em 23 de junho de 2026, chama a atenção para a formação de acrilamida em alimentos ricos em carboidratos preparados em altas temperaturas. Saiba mais sobre o assunto.
O alerta da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), divulgado em 23 de junho de 2026, chama a atenção para a formação de acrilamida em alimentos ricos em carboidratos preparados em altas temperaturas. O comunicado reforça que essa substância tem classificação como potencialmente cancerígena para humanos (Grupo 2A) e que o risco liga-se ao consumo frequente e em grandes quantidades de determinados produtos. A agência direciona a orientação especialmente a serviços de alimentação, como restaurantes, bares, lanchonetes e padarias.
Segundo a ANVISA, o objetivo do alerta é ampliar o conhecimento sobre a acrilamida e incentivar práticas culinárias mais seguras, reduzindo a exposição da população. Assim, a recomendação vale tanto para estabelecimentos comerciais quanto para o preparo doméstico. A mensagem central é que não se trata de proibir alimentos, mas de ajustar formas de preparo e de consumo, priorizando métodos que produzam menos dessa substância.
O que é acrilamida e por que ela preocupa a saúde?
A acrilamida é um composto orgânico que pode se formar em alimentos ricos em carboidratos quando submetidos a altas temperaturas, sobretudo em processos como fritar, assar, grelhar ou torrar. De acordo com estudos internacionais, ela é classificada como provavelmente cancerígena para humanos (Grupo 2A) por agências de saúde pública, com base em evidências de experimentos em animais e em dados limitados em seres humanos. O risco apontado associa-se principalmente ao desenvolvimento de alguns tipos de câncer ao longo do tempo.
Essa substância não é adicionada aos alimentos de forma intencional. Ela surge como resultado de reações químicas naturais que ocorrem durante o cozimento. Por esse motivo, a ANVISA ressalta que a estratégia mais eficaz para diminuir a exposição é atuar sobre as condições de preparo, como temperatura, tempo e tipo de processamento. A avaliação de risco considera tanto a quantidade presente nos alimentos quanto a frequência de consumo, o que torna relevante a orientação direcionada a estabelecimentos que produzem grandes volumes diariamente.
Como a acrilamida se forma em alimentos ricos em carboidratos?
A formação de acrilamida está ligada a um processo químico conhecido como reação de Maillard, responsável pelo escurecimento e pelo aroma característico de muitos alimentos assados e fritos. Essa reação ocorre principalmente entre açúcares redutores e aminoácidos, em especial a asparagina, presentes naturalmente em ingredientes como batatas, trigo e outros cereais. Quando esses alimentos são submetidos a temperaturas elevadas, geralmente acima de 120 ºC, a reação se intensifica e pode resultar na formação de acrilamida.
Entre os alimentos mais associados a essa substância estão: batatas fritas e assadas, pães muito tostados, torradas, biscoitos, bolachas, snacks de trigo ou milho, além de produtos de panificação e confeitaria preparados em altas temperaturas. Quanto mais escura a superfície — indicando que passou do "dourado" para o "queimado" — maior tende a ser a quantidade de compostos gerados pela reação de Maillard, incluindo a acrilamida. A ANVISA destaca que o controle do ponto de cocção é um fator-chave para reduzir a formação desse composto.
- Batatas fritas tipo fast food e de pacote;
- Batatas rústicas assadas em forno muito quente;
- Pães de forma, baguetes e torradas muito escurecidas;
- Biscoitos doces e salgados, cookies e crackers;
- Snacks extrusados à base de milho, trigo ou batata.
Quais são as principais recomendações da ANVISA para reduzir a acrilamida?
No alerta emitido em 23 de junho de 2026, a ANVISA reuniu um conjunto de orientações destinadas especialmente a serviços de alimentação, mas que também podem ser aplicadas em cozinhas domésticas. As recomendações buscam diminuir tanto a formação quanto o consumo de acrilamida, sem eliminar completamente os alimentos do cardápio. A agência sugere a adoção de práticas culinárias que preservem a qualidade sensorial dos pratos e, ao mesmo tempo, reduzam o risco potencial associado à substância.
Entre as medidas destacadas, estão ajustes na forma de preparo, no controle de temperatura e tempo e na escolha de métodos de cocção. Estabelecimentos que trabalham com grandes volumes de frituras, panificação e salgados são orientados a revisar procedimentos internos, treinar equipes e seguir de forma rigorosa as instruções dos fabricantes de equipamentos e produtos. A seguir, alguns pontos enfatizados pela agência:
- Preferir batatas cozidas em água ou a vapor, em vez de sempre fritar ou assar em temperaturas muito altas.
- Ao assar, grelhar, fritar ou tostar alimentos ricos em açúcares, priorizar temperaturas mais baixas, idealmente abaixo de 180 ºC.
- Controlar o grau de cocção, evitando que os alimentos fiquem muito escurecidos ou queimados na superfície.
- Em pães, adotar fermentações mais lentas, que tendem a reduzir a formação de acrilamida durante o forneamento.
- Seguir as instruções dos fabricantes quanto a tempo e temperatura de preparo, sobretudo em produtos prontos para fritar ou assar.
Como serviços de alimentação podem aplicar essas orientações no dia a dia?
Restaurantes, bares, lanchonetes e padarias foram apontados pela ANVISA como públicos prioritários do alerta, já que produzem regularmente alimentos com potencial de formação de acrilamida. Na prática, a agência sugere que esses estabelecimentos adotem rotinas de monitoramento e padronização de processos. Isso inclui registrar parâmetros de temperatura, tempo de cocção e aparência final dos produtos, de modo a evitar variações excessivas entre um lote e outro.
Entre as estratégias possíveis, estão a revisão de cardápios para incluir mais preparações cozidas em água ou a vapor, a substituição de frituras muito intensas por versões assadas em temperatura controlada e o treinamento periódico de cozinheiros e auxiliares de cozinha. Também é recomendada a manutenção adequada de fritadeiras e fornos, garantindo que os controles de temperatura funcionem corretamente e permitam ajustes finos. Dessa forma, o setor de alimentos pode contribuir para a redução gradual da exposição da população à acrilamida, atendendo às orientações sanitárias e preservando a segurança alimentar.
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