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131 milhões de pessoas na América Latina e no Caribe não têm acesso a uma dieta saudável, diz FAO

Desnutrição e fome contrastam com grande potencial de produção de alimentos da região, segundo órgão da ONU

20 jan 2023 - 19h42
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A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) publicou nesta semana o relatório Panorama regional da segurança alimentar e nutricional na América Latina 2022, um documento que alerta para a falta de acesso a uma dieta saudável para mais de 131 milhões de pessoas no continente.

As profundas consequências da pandemia da covid-19 em toda a América Latina e no Caribe foram agravadas pelos efeitos prejudiciais da guerra na Ucrânia e uma desaceleração econômica que, juntamente com os múltiplos impactos da mudança climática, fez subir os preços dos fertilizantes e dos alimentos.

É, segundo a agência, uma contradição na qual esta parte do planeta vive: com um potencial de produção de alimentos que sustentaria 1,3 bilhão de pessoas - o dobro de sua população -, a região registra altos níveis de desnutrição, fome e insegurança alimentar mesmo acima das médias globais, com 40,6% da população sofrendo de insegurança alimentar moderada ou grave em 2021.

De acordo com o novo relatório da ONU, 22,5% das pessoas na América Latina e no Caribe não têm meios suficientes para ter acesso a uma dieta saudável. No Caribe, 52% da população foi afetada por esta situação; na Mesoamérica este número chega a 27,8% e na América do Sul, a 18,4%.

A falta de acessibilidade econômica de uma dieta saudável, diz a organização, está por sua vez associada a diferentes indicadores socioeconômicos e nutricionais, estabelecendo uma relação entre o nível de renda de um país, a incidência da pobreza e o nível de desigualdade.

"Nenhuma política única pode fornecer a solução para este problema. Os mecanismos de coordenação nacional e regional precisam ser reforçados para responder à fome e à desnutrição", disse o vice-diretor e representante regional da FAO para a América Latina e o Caribe, Mario Lubetkin.

"Para contribuir para a acessibilidade de dietas saudáveis, é necessário criar incentivos para a diversificação da produção de alimentos nutritivos destinados principalmente à agricultura familiar e aos pequenos produtores, medidas para a transparência dos preços desses alimentos nos mercados e no comércio, transferências de dinheiro e outras ações como a melhoria dos cardápios escolares", acrescentou ele.

O papel dos mercados

Em sua publicação, a FAO disse que tanto as políticas comerciais quanto os mercados podem desempenhar um papel importante na melhoria das condições alimentares do continente, promovendo a transparência e a eficiência para reduzir a incerteza, melhorando a previsibilidade e a estabilidade do comércio agroalimentar na região.

"Estamos falando da região com a dieta saudável mais cara do mundo, que afeta particularmente as populações vulneráveis - pequenos agricultores, mulheres rurais e populações indígenas e afrodescendentes - que gastam uma porcentagem maior de sua renda em alimentos", disse a diretora regional do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), Rossana Polastri.

"Para reverter esta situação, devemos promover soluções inovadoras que diversifiquem a produção e aumentem a oferta de alimentos saudáveis e melhorem o acesso dos pequenos produtores aos mercados e aos alimentos de qualidade", disse ela.

A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) informou em dezembro passado que a desaceleração na região se aprofundará em 2023 e que a taxa de crescimento será de apenas 1,3%, 0,1% menor do que em 2023.

Esta perspectiva desalentadora, que, de acordo com os dados do FAO, atinge crianças menores de 5 anos e mulheres, que sofrem uma maior prevalência de insegurança alimentar do que os homens.

Por outro lado, os níveis de fome na região continuam crescer: entre 2019 e 2021, este número aumentou em 13,2 milhões, atingindo um total de 56,5 milhões de pessoas famintas em 2021. A América do Sul liderou esta tendência, com um adicional de 11 milhões de pessoas passando fome.

Entre 2019 e 2021, a fome atingiu uma prevalência de 7,9% na América do Sul, 8,4% na Mesoamérica e 16,4% no Caribe. Outros números apresentados no relatório mostram que a região mostra uma evolução significativa com relação à prevalência da subnutrição crônica em crianças menores de 5 anos de idade.

Em 2020, este número era de 11,3% na América Latina e no Caribe, aproximadamente 10 pontos porcentuais abaixo da média global. Entretanto, 3,9 milhões de crianças até os 5 anos de idade estão acima do peso./EFE

Estadão
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