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Veja o melhor horário do dia para tomar decisões

Neurocientista explica como alguns aspectos contribuem para um bom desempenho do cérebro

21 fev 2024 - 18h31
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As decisões fazem parte da vida, mas nem sempre é simples escolher um caminho para seguir, especialmente se a mente está sobrecarregada. Certamente, você deve ter percebido que no começo do dia é mais fácil decidir entre levantar, dormir, escovar os dentes ou tomar café, e isso não é à toa. Ao acordarmos, o nosso corpo está "recarregado", por isso o cérebro consegue definir melhor quais são as boas escolhas. Mas, no decorrer do dia, isso pode mudar.

Decisões são influenciadas pela capacidade cognitiva do cérebro
Decisões são influenciadas pela capacidade cognitiva do cérebro
Foto: DDDART | Shutterstock / Portal EdiCase

Cérebro gerência energia

Nosso cérebro é limitado pelos seus recursos disponíveis. Imagine que você tem uma caixa d'água que permite a vazão de apenas 80 litros de água por dia, e você precisa priorizar para onde vai cada litro. E mais, desses 80 litros, 50 já estão comprometidos com as atividades obrigatórias que precisam ser feitas todos os dias. O cérebro trabalha mais ou menos assim para gerenciar o seu consumo de energia.

"Toda tarefa cognitiva que exige pensamento focado, como ponderar entre duas opções, avaliar o risco de uma decisão e tentar prever suas consequências ou, até mesmo, o esforço para resistir a uma tentação (como um doce após o almoço), representa uma atividade com alta complexidade e, também, alto custo energético. Ao longo de um dia, quanto mais alta a carga cognitiva no seu cérebro, mais rápido ele esgota a energia que tem disponível", detalha Livia Ciacci, neurocientista parceira do SUPERA - Ginástica para o cérebro.

Influência da capacidade cognitiva nas escolhas

Partindo da premissa de que a noite de sono foi restauradora, o cérebro inicia o dia com todo seu potencial disponível. Todavia, o quanto de disposição e energia ele terá a noite dependerá da carga cognitiva sofrida ao longo do dia.

Carga cognitiva significa a carga imposta ao sistema cognitivo das pessoas, decorrente do esforço mental exigido na realização de tarefas, como a aprendizagem de novos conhecimentos ou a tomada de decisões.

"Por exemplo, se uma pessoa começa o dia trabalhando em reuniões, lidando com conflitos, depois vai à escola dos filhos resolver problemas, em seguida precisa atender clientes e a noite vai para a faculdade, com certeza ela chegará em casa esgotada", explica Livia Ciacci.

"Diferente de alguém que estudou de manhã, trabalhou em atividades mais mecânicas e depois encontrou com os amigos. Essas duas pessoas terão diferentes níveis de energia para tomar uma decisão à noite. Mas, nos dois casos, não custa nada deixar para o outro dia", acrescenta.

Decisões são baseadas na saúde geral do corpo

Não há um horário padrão para tomar decisões, porque, segundo a especialista, isso é algo que depende tanto do estado de saúde geral do corpo (que reflete no quão rápido a pessoa se cansa) quanto da intensidade do esforço cognitivo das tarefas já realizadas no dia.

Mas a lógica é que o poder de tomar decisões conscientes vai diminuindo ao longo do dia. "Alguns estudos já avaliaram as decisões tomadas por médicos e juízes em diferentes momentos do dia, e todos constaram essa diminuição da qualidade, mesmo que a pessoa não perceba", diz Livia Ciacci.

Ter um olhar cuidadoso para a rotina da sua agenda otimiza energia
Ter um olhar cuidadoso para a rotina da sua agenda otimiza energia
Foto: TippaPatt | Shutterstock / Portal EdiCase

Como otimizar energia?

A única maneira de garantir energia disponível para aquilo que é realmente importante é tendo um olhar cuidadoso para a rotina e para a sua agenda. Parece bobeira, mas acordar sabendo exatamente o que vai comer, vestir e organizar em casa antes de sair pode poupar seu cérebro de muitas decisões que são pequenas, mas geram esforço.

Para quem deseja ou precisa ter um alto desempenho cognitivo, a rotina é a maior aliada. Ela precisa ser fluida, fácil e sem atritos. E no quesito agenda, vale ter cautela ao se comprometer com muitas atividades, ou com atividades complexas no final do dia.

A dica aqui é usar a inteligência para distribuir as tarefas e compromissos estrategicamente ao longo da semana. Agora, considerando o período de um dia, podemos melhorar o desempenho do cérebro se hidratando, fazendo pausas e se alimentando nos horários corretos.

Papel dos estimulantes no desempenho do cérebro

Quando estamos usando os circuitos do cérebro para pensar, tomar decisões, ler, estudar e tantas outras tarefas, os neurônios consomem ATP - que é o combustível ou a gasolina do cérebro. Quebrar muitas moléculas de ATP gera um subproduto que é a Adenosina (como se fosse o gás carbônico da queima da gasolina). A adenosina vai se acumulando e se liga a receptores que causam a sensação de cansaço e sonolência.

"A cafeína se parece com a adenosina o suficiente para ocupar a ligação com esses receptores, mas seu efeito é oposto, ela vai evitar que se sinta o cansaço, além de induzir a liberação de adrenalina, que vai trazer a sensação de estar energizado. Mas tudo isso é temporário. E, quando passa o efeito, todo aquele cansaço está acumulado ali, e talvez até pior", conta Livia Ciacci.

Sono, atividade física e estímulo cognitivo

Dentro deste contexto, o sono é o único recurso para 'faxinar o cérebro' e prepará-lo para mais uma rodada de atividades. Levar a qualidade do sono a sério é a estratégia mais eficaz e econômica para melhorar a performance mental.

Os exercícios físicos e a alimentação são os responsáveis pela saúde do corpo e do coração, essenciais para que o cérebro tenha equilíbrio para se dedicar ao esforço mental. "Lembre-se sempre que o corpo sinaliza para o cérebro como ele está, se está faltando água, nutrientes, ou se o metabolismo está bagunçado, e isso vai diminuir a disposição para se dedicar aos esforços cognitivos", ressalta a neurocientista.

Já os estímulos cognitivos de qualidade, ou ginástica para o cérebro, tem a função de treinar o cérebro para diferentes tipos de processamentos. Quando ensino para o cérebro maneiras diferentes de lidar com problemas, cálculos ou outras habilidades cognitivas, ele gastará menos energia quando tiver que usar esses recursos. É como um atleta, que só consegue bater recordes de performance porque ele treina o suficiente para que aquela atividade se torne fácil para ele.

Por Ana Lucia Ferreira

Portal EdiCase
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