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Uso de tecnologia entre idosos cresce e traz benefícios, mas exige equilíbrio

Uso da internet cresce entre pessoas com 60 anos ou mais; saiba como a inclusão digital pode favorecer autonomia, vínculos sociais e bem-estar emocional

5 out 2026 - 19h31
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Resumo
Dados do IBGE mostram que o uso da internet por idosos subiu para 74,5% no Brasil, registrando o maior crescimento entre todas as faixas etárias. Especialistas destacam que a inclusão digital amplia a autonomia, facilita serviços cotidianos e preserva vínculos sociais e familiares. Contudo, o uso exige equilíbrio: o excesso de telas não pode substituir o convívio presencial nem prejudicar o sono e os hábitos diários, devendo a tecnologia atuar como ferramenta complementar na rotina da terceira idade.

A presença dos idosos na internet cresceu no Brasil. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que 74,5% das pessoas com 60 anos ou mais utilizaram a internet em 2025.

Veja como a saúde mental de idosos pode ser afetada com a internet
Veja como a saúde mental de idosos pode ser afetada com a internet
Foto: Magnific / Saúde em Dia

Em 2024, o índice era de 70,1%. O aumento de 4,4 pontos percentuais em apenas um ano foi o maior crescimento registrado entre todas as faixas etárias.

O celular também está mais presente na rotina dessa população. Segundo o levantamento, 80,3% dos idosos possuíam telefone móvel para uso pessoal em 2025, contra 78,3% no ano anterior.

A tecnologia pode ser usada para conversar com familiares, acessar serviços, consumir entretenimento e utilizar redes sociais. Mas a maior presença digital também levanta uma questão importante: como o uso da tecnologia impacta a saúde emocional dos idosos?

Para o Mestre em Ciências do Envelhecimento, Diego Rodrigues Costa Lana, professor do curso de Psicologia da Faculdade Anhanguera, a inclusão digital pode trazer benefícios para o bem-estar e a autonomia na terceira idade.

"A tecnologia pode ser uma grande aliada do envelhecimento quando amplia possibilidades de comunicação, informação e participação social. Para muitos idosos, o celular facilita o contato com filhos, netos e amigos, ajuda na realização de atividades do cotidiano e pode contribuir para que a pessoa se sinta mais independente e inserida socialmente", explica.

Tecnologia ajuda idosos a manter vínculos sociais

A aposentadoria, a distância dos familiares e mudanças na rotina podem diminuir algumas oportunidades de convivência na terceira idade.

Nesse cenário, chamadas de vídeo, aplicativos de mensagens e redes sociais podem ajudar a manter o contato com outras pessoas. Essas ferramentas permitem conversar com familiares e amigos mesmo quando o encontro presencial não é possível.

"Manter relações sociais é importante em qualquer fase da vida e, na velhice, a tecnologia pode abrir novas formas de interação. Uma chamada de vídeo ou uma conversa por mensagem não substitui necessariamente o encontro presencial, mas pode aproximar pessoas que estão distantes e ampliar as possibilidades de contato ao longo do dia", destaca o professor.

Inclusão digital pode aumentar a autonomia

Aprender a utilizar recursos digitais também pode ajudar o idoso a realizar tarefas do cotidiano com mais independência.

Aplicativos de bancos, serviços públicos, transporte, compras e comunicação podem facilitar o acesso a diferentes atividades. O contato com novas ferramentas também pode estimular o aprendizado.

Nesse sentido, a inclusão digital na terceira idade vai além do entretenimento. Ela pode contribuir para a participação social e para a autonomia.

Quando o uso do celular merece atenção?

Apesar dos benefícios, o excesso de tempo conectado também exige cuidado.

De acordo com o especialista, não existe apenas um número de horas que determine quando o uso da tecnologia se torna prejudicial. É importante observar o impacto do celular sobre outras áreas da rotina.

"O sinal de alerta aparece quando o uso da tecnologia começa a ocupar o espaço de outras atividades importantes. Deixar de encontrar pessoas, abandonar hobbies, dormir mais tarde por permanecer no celular ou sentir irritação e ansiedade quando não consegue acessar o aparelho são comportamentos que merecem atenção", afirma.

Assim, mudanças no sono, no convívio social e nos hábitos cotidianos podem indicar que é necessário rever a forma como a tecnologia está sendo utilizada.

Tecnologia não deve substituir o convívio presencial

As ferramentas digitais podem aproximar pessoas que vivem longe. Porém, isso não significa que os encontros presenciais deixem de ser importantes.

Atividades em família, contato com amigos, participação em grupos e outras formas de convivência continuam fazendo parte de uma rotina equilibrada.

Por isso, o celular deve funcionar como uma ferramenta complementar de interação, e não como substituto de todas as relações presenciais.

Como manter uma relação saudável com a tecnologia?

Para aproveitar os benefícios da inclusão digital, o uso da tecnologia pode ser combinado com outras atividades importantes para a saúde e o bem-estar.

Entre elas estão:

  • Convivência com familiares e amigos.
  • Atividade física.
  • Hobbies.
  • Momentos de descanso.
  • Atividades ao ar livre.
  • Participação em atividades sociais.
  • Sono adequado.

O objetivo não é afastar os idosos da tecnologia, mas integrar os recursos digitais a uma rotina diversificada.

"Não se trata de afastar o idoso da tecnologia. Pelo contrário, a inclusão digital pode proporcionar autonomia, aprendizado e novas formas de socialização. O importante é que o celular seja mais uma ferramenta dentro de uma rotina diversificada, e não a principal ou única fonte de lazer e interação social", conclui.

Tecnologia e saúde emocional na terceira idade

O crescimento do acesso à internet mostra que os idosos estão cada vez mais conectados. Quando utilizada de maneira equilibrada, a tecnologia pode facilitar a comunicação, ampliar a autonomia e criar novas possibilidades de participação social.

Ao mesmo tempo, é importante observar quando o uso do celular começa a prejudicar o sono, os relacionamentos, os hobbies ou outras atividades da rotina.

Assim, mais do que limitar o acesso à tecnologia, o principal cuidado é encontrar um equilíbrio entre o mundo digital e as experiências presenciais.

Saúde em Dia
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