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Satélites mostram que a Terra perdeu mais de 12 trilhões de toneladas de gelo da Groenlândia e da Antártida em 47 anos

Dados de 27 satélites mostram como Groenlândia e Antártida perdem trilhões de toneladas de gelo e acrescentam cerca de 3,1 centímetros ao nível global do mar.

18 set 2026 - 20h04
(atualizado às 20h06)
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Resumo
Dados de 27 satélites revelam que a Groenlândia e a Antártida perderam juntas mais de 11,3 trilhões de toneladas métricas de gelo entre 1979 e 2023, elevando o nível do mar em 3,1 centímetros. O estudo aponta que 84% desse recuo decorreu do desequilíbrio dinâmico, impulsionado pelo fluxo acelerado de geleiras para os oceanos aquecidos, e não apenas pelo derretimento de superfície. Apesar de flutuações temporárias recentes, a perda de gelo acelerou fortemente desde a década de 1990.

Décadas de observações por satélite permitiram montar uma das reconstruções mais abrangentes já feitas sobre as duas maiores camadas de gelo do planeta. O novo levantamento concluiu que Groenlândia e Antártida perderam juntas cerca de 11,3 trilhões de toneladas métricas de gelo entre 1979 e 2023, equivalentes a aproximadamente 12,5 trilhões de toneladas no sistema americano usado pela reportagem. Essa perda acrescentou cerca de 3,1 centímetros ao nível médio global do mar.

A Groenlândia estava relativamente próxima do equilíbrio na década de 1970.
A Groenlândia estava relativamente próxima do equilíbrio na década de 1970.
Foto: Imagem gerada por inteligência artificial / Catraca Livre

O levantamento reuniu informações de 27 satélites

O trabalho foi publicado em setembro de 2026 na revista científica Scientific Data e reuniu 42 estimativas independentes de balanço de massa, construídas a partir de mudanças na velocidade do gelo, no volume das camadas e na atração gravitacional exercida por elas. Ao todo, foram incorporados dados de 27 missões de satélite.

As séries históricas conseguem acompanhar a Groenlândia desde 1972 e a Antártida desde 1979. Para comparar as duas regiões diretamente, os pesquisadores utilizaram o período comum iniciado em 1979. Por isso, embora reportagens tenham resumido o resultado como uma perda ocorrida em "47 anos", os dados combinados publicados terminam em 2023.

Mais de 11 trilhões de toneladas métricas desapareceram

Entre 1979 e 2023, as duas grandes camadas de gelo perderam aproximadamente 11.309 bilhões de toneladas métricas. No sistema de medidas dos Estados Unidos, usado na reportagem original, isso corresponde a cerca de 12,5 trilhões de toneladas.

O volume é tão grande que foi comparado a uma camada de gelo com aproximadamente 1,5 metro de espessura cobrindo toda a área continental dos Estados Unidos. Transformado em água, representa quase 11,3 quatrilhões de litros adicionados aos oceanos.

A Groenlândia acelerou fortemente a perda a partir dos anos 2000

A Groenlândia estava relativamente próxima do equilíbrio na década de 1970. Nas décadas seguintes, porém, a perda aumentou. Nos anos 1980, a taxa média foi de cerca de 60 bilhões de toneladas por ano, chegando a aproximadamente 192 bilhões por ano nos anos 2000 e 264 bilhões anuais na década de 2010.

Considerando toda a série disponível entre 1972 e 2023, a Groenlândia perdeu aproximadamente 6,2 trilhões de toneladas métricas de gelo. Cerca de dois terços dessa perda estiveram associados ao aumento da descarga de gelo para o oceano.

A Antártida perdeu quase 4,8 trilhões de toneladas desde 1979

A Antártida perdeu aproximadamente 4,78 trilhões de toneladas métricas entre 1979 e 2023. Sozinha, essa perda elevou o nível médio dos oceanos em aproximadamente 13,3 milímetros.

O comportamento, no entanto, não é igual em todo o continente. Enquanto a Antártida Ocidental continua apresentando perdas importantes, a Antártida Oriental recebeu quantidades excepcionalmente elevadas de neve em 2022 e 2023, compensando temporariamente parte das perdas observadas em outras regiões.

A maior parte da perda não ocorreu simplesmente pelo gelo derreter na superfície

Um dos resultados mais importantes do estudo está no mecanismo envolvido. Aproximadamente 84% da perda combinada ocorreu por desequilíbrio dinâmico, quando geleiras passam a descarregar gelo no oceano mais rapidamente do que conseguem repor. Apenas a parcela restante foi atribuída ao desequilíbrio da massa superficial.

Isso significa que imaginar apenas o sol derretendo a superfície das grandes camadas de gelo é insuficiente. Águas oceânicas mais quentes podem atingir as bordas e partes inferiores das geleiras, favorecer seu recuo e permitir que volumes maiores de gelo fluam para o mar.

A Groenlândia estava relativamente próxima do equilíbrio na década de 1970.
A Groenlândia estava relativamente próxima do equilíbrio na década de 1970.
Foto: Imagem gerada por inteligência artificial / Catraca Livre

Os 3,1 centímetros de elevação já fazem diferença

A contribuição conjunta de Groenlândia e Antártida desde 1979 elevou o nível médio global dos oceanos em cerca de 31,4 milímetros. Parece pouco quando expresso em centímetros, mas o efeito se soma à expansão térmica da água e ao derretimento de geleiras menores em outras partes do planeta.

Além disso, alguns centímetros extras aumentam a altura de partida das marés altas e tempestades, tornando inundações costeiras mais fáceis de ocorrer em regiões já vulneráveis.

A desaceleração entre 2020 e 2023 não representou uma reversão

Os dados mostram uma redução temporária da taxa de perda nos últimos anos da série. Na Groenlândia, não ocorreram eventos extremos de derretimento superficial comparáveis aos registrados na década anterior. Na Antártida, o aumento da neve no leste também compensou parte das perdas no oeste.

Os autores, porém, tratam essa mudança como variação de curto prazo dentro de uma tendência muito mais longa. O registro completo mostra uma aceleração clara das perdas desde as décadas de 1990 e 2000.

Os satélites revelam uma transformação que levou décadas para ficar clara

O principal resultado não é apenas o número superior a 11 trilhões de toneladas métricas. A combinação de diferentes satélites permitiu enxergar como a perda de gelo mudou de ritmo ao longo de quase meio século, saindo de condições relativamente estáveis para taxas muito maiores nas últimas décadas.

Esse histórico também melhora as projeções do nível do mar. Como Groenlândia e Antártida armazenam enormes quantidades de gelo sobre terra firme, acompanhar quanto deixam de reter e quanto enviam aos oceanos é uma das medidas fundamentais para entender quanto as costas poderão mudar nas próximas décadas.

Catraca Livre
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