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Retatrutida: a nova "caneta" que promete superar o Mounjaro e virou escolha polêmica de Susana Werner

A empresária surpreendeu a web ao exibir aplicação de retatrutida, uma molécula inovadora que emagrece 32 kg mas que ainda é ilegal para a venda no mundo todo

2 jul 2026 - 18h22
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A busca pelo corpo ideal ganhou um novo e polêmico capítulo no mundo das celebridades. Recentemente, a empresária Susana Werner movimentou as redes sociais ao compartilhar o início de um tratamento de emagrecimento. Exibindo o abdômen, ela apareceu recebendo uma injeção do que afirmou ser retatrutida.

Susana Werner acendeu um alerta vermelho na medicina após anunciar o uso da retatrutida para emagrecer; entenda o que é a substância
Susana Werner acendeu um alerta vermelho na medicina após anunciar o uso da retatrutida para emagrecer; entenda o que é a substância
Foto: Reprodução Instagram/@susanawerner / Bons Fluidos

Contudo, por trás do vídeo brilhante, existe um detalhe alarmante que acendeu o sinal vermelho entre os médicos: esse medicamento simplesmente não está disponível para venda em nenhum lugar do planeta — nem mesmo nos Estados Unidos, onde ela alega se tratar.

Nesse sentido, a substância real ainda se encontra na chamada fase 3 dos estudos clínicos. Esta é a etapa final de testes em humanos antes que qualquer agência reguladora, como a Anvisa ou o FDA americano, possa avaliar e aprovar o produto. Em suma, qualquer frasco comercializado hoje com esse nome é de procedência duvidosa e ilegal.

Os riscos invisíveis do mercado clandestino

Muitas pessoas, levadas pelo imediatismo, acabam comprando essas substâncias de fornecedores sem regulação, que costumam vir de países como Índia, China e Paraguai. O grande perigo é que ninguém sabe o que realmente está dentro dessas ampolas de mercado paralelo.

De acordo com o que o endocrinologista Clayton Macedo, diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), disse ao jornal 'Estadão', a estrutura é extremamente complexa.

O especialista detalha o funcionamento do composto:

  • "A retatrutida é um triagonista, atua sobre três receptores diferentes. Para funcionar corretamente, a molécula precisa ter uma configuração específica. Uma versão alternativa pode não apresentar essa mesma estrutura e, consequentemente, não produzir os efeitos esperados"

Por outro lado, o perigo vai além da falta de efeito. A ausência de controle sanitário abre margem para superdosagens — que causam vômitos intensos, dores abdominais e internações — ou para a presença de contaminantes perigosos. Essas impurezas podem desencadear reações alérgicas graves na pele e no corpo. O médico faz um alerta severo:

"Existe a descrição de uma síndrome chamada Stevens-Johnson, uma reação alérgica rara, grave e potencialmente fatal à pele e às mucosas, geralmente desencadeada por medicamentos. Já vimos isso acontecer com outras moléculas. Com a retatrutida, especificamente, não conheço relatos, mas tudo é possível"

Por que a retatrutida desperta tanto fascínio?

Apesar dos riscos óbvios do mercado pirata, o interesse em torno da molécula legítima faz sentido. Ela promete ser a evolução definitiva de tratamentos consagrados como o Ozempic (semaglutida) e o Mounjaro (tirzepatida). Enquanto os antecessores atuam em um ou dois hormônios reguladores do apetite, a retatrutida é um "triplo alvo", agindo em três vias metabólicas ao mesmo tempo.

Os dados científicos mais recentes da fabricante Eli Lilly impressionam:

  • Perda de peso histórica: Pacientes em testes que usaram a dose máxima perderam cerca de 32 kg (28,3% do peso corporal) em 80 semanas.

  • Controle do diabetes: A imensa maioria dos voluntários registrou melhora drástica nos níveis de açúcar no sangue.

  • Alívio de dores e apneia: Houve redução de até 73% nas dores de artrose no joelho e de 60% nos episódios de apneia do sono.

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Um post compartilhado por Pulsa (@pulsa_saude)

O posicionamento das autoridades

Diante do barulho gerado por influenciadores, a indústria e os órgãos de fiscalização agiram rápido. Da mesma forma que os médicos, a farmacêutica detentora da patente foi enfática ao repudiar o comércio ilegal: "Esses produtos não são purificados ao nível farmacêutico e, frequentemente, provêm de fornecedores estrangeiros ilícitos e não regulados. Os doentes merecem medicamentos seguros, eficazes e clinicamente testados, e não produtos nocivos"

A Anvisa também reforçou o bloqueio total à substância no Brasil, lembrando que a saúde não deve ser colocada em risco por promessas estéticas milagrosas: "Mesmo em outros países, a venda de medicamentos que alegam ter retatrutida é ilegal e oferece sérios riscos aos usuários"

Bons Fluidos
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